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jul12

Distrito Vegetal: os vícios do rotulismo, do “liberalismo” e do “martírio” no veganismo

Hoje o Consciencia.blog.br retoma sua regularidade – mesmo sem eu ter voltado plenamente a ter um relógio biológico bom como desejado, até porque minha consulta com a médica do sono foi adiada – trazendo uma reflexão muito importante sobre três vícios que muitos veganos possuem enquanto veganos. Essa reflexão foi escrita pelo autor Poney, do blog brasiliense Distrito Vegetal, e diz muito do que eu diria sobre certos problemas manifestados por alguns veganos.

Esses vícios são o rotulismo, em que a pessoa toma o veganismo para si como uma identidade, um rótulo que a aproxima de pessoas semelhantes e discrimina os diferentes – inclusos os vegetarianos não veganos -; o liberalismo fora de esquadro, em que a pessoa acredita piamente que o veganismo deve ser propagado de maneira uniforme, aos moldes euro-americanos, a toda e qualquer cultura do mundo, sem se levar em conta as dificuldades ambientais locais e o contexto cultural nativo; e a postura de martírio, em que o indivíduo ignora as oportunidades de descobrir novos prazeres no veganismo – como a culinária vegetariana estrita e as amizades veg(etari)anas – e toma o veganismo para si como se fosse um exercício de privação de prazeres e abnegação sofrida, tal como a vida de um monge eremita.

Abaixo, o início da primeira parte do texto.

 

Três rápidas reflexões (para três tristes vegans)
por Poney do Distrito Vegano

Menos identidade, mais solidariedade
Uma das coisas que parece ser mais bacana quando você começa a cultivar o veganismo é que você passa a fazer parte de um grupo de pessoas legais, certo?  Não sei. Eu sei que é uma sensação legal, você pode usar seu casaco de moletom escrito VEGAN e se sentir parte de uma coisa maior que você. Mas, sendo sincero, eu tenho forte desconfiança sobre essa história de enquadrar o veganismo como uma mera política de identidade. Se eu tivesse que escolher, eu diria que mais prejudica do que ajuda “a causa”.

Isso porque quando você enquadra e define o veganismo nesses termos, de quem “é” ou “não é” vegan há uma série de situações e contextos que são excluídas e desmotivadas. Poxa, veganismo é sobre promover solidariedade entre animais ou entendi errado? Isso inclui as relações inter-espécies, mas intra-espécies. Significa promover solidariedade entre pessoas também.

Um exemplo. Nesses anos todos de veganismo, quantas vezes eu já ouvi a frase “Não adianta de nada parar de comer carne, mas consumir leite. É tão cruel quanto.” Caracas, a impressão que eu tenho ao escutar coisas do tipo é que essas pessoas querem o veganismo como um clubinho fechado que só algumas pessoas  muito especiais podem ter acesso. Poucas frases podem ser tão bem-intencionadas, mas tão desastrosas quanto essa.

Texto completo aqui, com todas as três partes

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