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jul12

Jornalistas da Globo News zombam da crueldade da indústria de foie gras e apoiam seu consumo

O Consciencia.blog.br está em recesso, voltando às postagens regulares no máximo na primeira semana de agosto. Mas alguns posts continuarão sendo trazidos aqui, ainda que sem uma regularidade.

O post abaixo foi extraído da ANDA.

Mais um telejornal repleto de comentários maliciosos e ridicularizantes se opôs aos animais e caçoou de seu sofrimento. Foi a edição da última quinta, 28, do telejornal “Globo News Em Pauta”, da emissora de TV fechada Globo News, no momento em que o apresentador Sérgio Aguiar e três comentaristas falaram, com pontos de vistas variados, da proibição do foie gras na Califórnia.

O destrato ético começa com o comentarista Gerson Camarotti, falando por videoconferência de Brasília, dizendo que gosta do foie gras quando “bem feito” e afirmando que “é difícil ter [foie gras] bem feito”. Ele deixou a entender que já saberia de todo o processo de tortura de gansos e patos, em que são forçados a engolir, com um tubo em seu esôfago, enormes quantidades de milho até que uma inflamação gordurosa inche o seu fígado de modo que ele se deteriore e seja extraído assim depois do abate dos animais. Afinal, é assim que é “feito” o patê de foie gras.

Em seguida, Jorge Pontual, falando a partir de Nova York, descreve, resumidamente mas com exatidão, como é cruel o processo de “produção” do foie gras, noticia que os californianos defensores dos animais convenceram os deputados a proibir a produção, importação e comercialização da iguaria e considera “uma coisa horrorosa” a variedade de produtos baseados nesse patê que vem sendo oferecida nas vésperas da sua proibição na Califórnia.

Porém, sua postura ética acaba aí. Ele passa a afirmar, numa óbvia falácia de apelo à tradição, que “é uma coisa meio bárbara você proibir uma coisa tão refinada, de uma tradição antiga que vem do Antigo Egito, passou pros romanos (…)”, como se tradição e antiguidade abonassem ações antiéticas. Pelo visto, no seu raciocínio lógico, a pena de morte por apedrejamento e a escravidão humana deveriam continuar existindo, visto que eram tradições milenares.

Ele continua sua fala dizendo ser “estranho” que Israel e a Argentina proíbam o foie gras, dizendo “não sei por quê” ao citar o segundo país. Daí ele parte para uma provocação que reflete uma total falta de ética jornalística: “em homenagem a Nora Ephron”, dizendo também “Lamento muito, mas é uma coisa que não dá pra abrir mão”, come ao vivo um pequeno prato com foie gras importado da França. E ainda ousa falar, em ironia maliciosa, “Tadinho do ganso, tadinho do ganso!”.

Beth Pacheco, correspondente de São Paulo, por sua vez, é a única que demonstra alguma coerência e um mínimo de consciência ao opinar, embora tenha sorrido antes durante a provocação do colega de trabalho. Afirma ter “dó do ganso” (ao que Pontual interrompe dizendo que quem tem “dó” dos gansos não teria o direito de proibir os outros de comer foie gras) e fazer campanha, em sua casa, contra o consumo de baby beef, carne extraída de bezerros muito jovens.

Em seguida, é a vez de Gerson Camarotti, que falava a partir de Brasília, opinar. E parte para uma opinião pró-escravidão animal ao dizer que “o ganso (…) é criado pra esse objetivo”. Prossegue com o especismo dizendo gostar de comer carne de leitões pequenos e afirmando que “só quem perde [com a proibição do foie gras] é a clientela”, ignorando que os animais, as grandes vítimas da indústria do patê de seus fígados, ganham.

 

Jornalismo sem responsabiliade ética

O “Globo News em Pauta” seguiu assim a mesma linha antiética do Jornal da Massa, cujos jornalistas, no final de maio, se investiram em criticar falaciosamente e escrachar a criminalização do abandono de animais. Provocação contra os defensores dos animais, deboche de uma situação cruelmente violenta e defesa da escravidão animal são coisas que deveriam ser criticadas e combatidas num telejornal, e não praticadas e abraçadas.

Os jornalistas Beth Pacheco e Sérgio Aguiar ainda mantiveram um mínimo de coerência. Ela, ao defender, ainda que timidamente, os gansos e também os bezerros vítimas da indústria de baby beef. Ele, ao descrever corretamente que o problema da produção de foie gras é a criação dos gansos e patos vítimas da superalimentação forçada e do abate. Por isso merecem algum elogio e agradecimento.

Mas Jorge Pontual e Gerson Camarotti, por sua vez, violaram a ética jornalística e, de certa forma, demonstraram apoiar toda a crueldade a que as aves cujas espécies a lei californiana pretende poupar da exploração são submetidas. E fizeram isso aos risos e ironias, mostrando que para eles a vida e a integridade dos gansos e patos nada vale, que o direito desses animais à vida e à integridade física é inferior ao paladar fútil dos apreciadores de foie gras, algo ainda mais conhecidamente desnecessário nutricionalmente do que a já desnecessária carne.

Esses dois últimos, com todo o deboche que dirigiram contra os animais que são torturados e mortos todos os dias pela indústria do foie gras, dão um exemplo condenável que não deveria ser seguido por nenhum outro jornalista. Sujam, com tal postura, até mesmo a reputação da profissão de jornalista.

A audiência deve protestar, de modo que episódios de depravação ética como esse não se repitam mais. Mensagens de crítica e repúdio devem ser faladas no telefone 40022884, sem DDD, cuja ligação tem o custo de uma chamada local. É possível também se cadastrar na Central de Atendimento ao Telespectador e mandar mensagens de protesto pela via eletrônica.

Protestos podem ser enviados também para os perfis do Twitter @canalglobonews, @gnempauta, @gcamarotti (Gerson Camarotti) e @JorgePontual. E no post da fanpage da Globo News no Facebook sobre a proibição do foie gras.

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5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Lucio

julho 4 2012 Responder

Não, eu não quero mandar em nada, nem em ninguém. Considero a causa uma babaquice e tenho esse direito sem ser correr o risco de ser chamado de ‘depravado’. Mas, pior do que isso foi a sua arrogância de rotular um cometário irônico como ‘depração ética’. O seu blog não admite opiniões contrárias ao que você considera ‘causa de bem comum’. O que você, e os adeptos da sua religião, o vegetarianismo, quer, é controlar a opinião pessoal das pessoas. Quando alguém tem uma opinião diferente da sua, ‘suja a profissão’. Isso é fascismo, estalinismo, ditadura.
Provavelmente, você (e todos os que postaram mensagens semelhantes a sua no Twitter, é do tipo, bastante comum, do esquerdopata que se beneficia de todas as benesses que o capitalismo proporciona, mas critica o sistema. Da mesma forma, você deve ser ‘verde’. Pois é fácil tornar o meio ambiente mais saudável. Basta você se livrar do telefone celular, laptop, ipad, mp4, aparelho de ar condicionado, carro particular, etc. Que tal ser autêntico, deixar a hipocrisias e demagogia de lado, e ir morar entre os Huteritas, os Amish, ou em um Kibbutz?
Me libertei de todas essas ‘verdades’ há muito tempo.
Paro por aqui.

    Robson Fernando de Souza

    julho 4 2012 Responder

    1. Se não era impor a mim e a meu blog uma causa a defender (logo, mandar nas minhas causas), então qual foi o objetivo de dizer “Depravação ética é a falta de posicionamento para as notícias de corrupção que saem todos os dias nos jornais”?
    2. A matança de animais é uma babaquice?
    3. Você já leu as regras de comentários? Se sim, me aponte qual cláusula proíbe comentários discordantes.
    4. O que seria um vegetarianismo não fascista pra você?
    5. O que é “esquerdopatia” pra você?
    6. Você tenta desqualificar os defensores dos Direitos Humanos também, que não podem boicotar produtos da China?
    7. O que é a “verdade” de que você diz ter se libertado?
    8. “Parar por aqui” é recusar continuar um debate?

Lucio

julho 3 2012 Responder

Depravação ética é a falta de posicionamento para as notícias de corrupção que saem todos os dias nos jornais. De maneira ditadorial, fascista, o blog pede que mensagens de protestos sejam enviadas por telefone, Twiter, etc. E aquelas de apoio?

    Robson Fernando de Souza

    julho 3 2012 Responder

    Você quer mandar no que eu tenho como tema deste blog, e mandar no que eu defendo. E considera “fascismo” protestos em prol de uma causa de bem comum. É isso?

Lorena

julho 2 2012 Responder

Patéticos!

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