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Propaganda de marca de camisinha no Facebook incentiva o estupro de mulheres

Atualização (31/07/12, 00:30): A fanpage do preservativo deletou a propaganda e fez uma pequena retratação.

Uma escalada de denúncias vem movimentando o Facebook nesse fim de semana, contra a propaganda dos preservativos Prudence – a qual foi publicada na fanpage da empresa no último dia 16. Nela, há referências a tirar a roupa da mulher sem seu consentimento e abrir seu sutiã com reação contrária violenta dela.

Grifos em amarelo meus

Até onde sabemos, tirar a roupa (sutiã incluído) da mulher sem o consentimento dela é um princípio de estupro, de relação sexual forçada. É indicativo de que a mulher não quer transar naquele momento mas mesmo assim o homem tira sua roupa com a intenção de transar contra a vontade dela. Incluindo com a mulher reagindo violentamente na tentativa de salvar sua integridade física. E isso são características de um estupro. E não é necessário ser feminista ou simpatizante do feminismo para perceber isso.

A empresa respondeu, de forma bem fraca e enrolada – sendo simplesmente um comentário que afundou entre seiscentos outros – e sem qualquer retratação, à revolta dos usuários do Facebook contra a propaganda:

É claro que essa resposta não responde nada, restringindo-se a uma negação daquilo que está evidente e um red herring que sai do assunto do estupro e entra em orientação sexual e ONGs de planejamento familiar.

Vem sendo recomendada a denúncia ao CONAR, mas eu pessoalmente não tenho qualquer fé de que o órgão vá tomar alguma providência, uma vez que denúncias recentes de propagandas machistas (como a da Operação Skol Folia) foram arquivadas e a única providência que a entidade poderia tomar seria mandar a empresa Prudence remover o post de sua fanpage e dar à mesma uma advertência – nada que pudesse realmente punir penalmente a empresa pela apologia ao estupro.

Seria razoável, ao invés, denunciar ao Safernet e à Polícia Federal por apologia (Artigo 287 do Código Penal) e incitação ao crime (Art. 286 do CP). Estupro, sexo forçado, violar a vontade da mulher em prol de um prazer sexual unilateral, isso não é brincadeira, tampouco mote publicitário. É crime e deve ser tratado como tal.

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8 comentário(s). Venha deixar o seu também.

A.N.

julho 29 2012 Responder

O pessoal tá fazendo uma tempestade em copo d’água terrível. É óbvio que eles estavam se referindo a brincadeiras amorosa na qual a mulher finge uma manha pra não tirar mas ela quer que tire a roupa. É muito comum esse tipo de coisa e já aconteceu em todos relacionamentos que tive. :3

    Robson Fernando de Souza

    julho 29 2012 Responder

    Óbvio? Então prove, com base em Análise do Discurso.

      A.N.

      julho 30 2012 Responder

      Entre escolher por acreditar na inocência e ignorância do autor da imagem, você escolhe acreditar que ele, de maldade, resolveu se inspirar no pior de seu espírito machista e fazer apologia ao estupro no Facebook de uma empresa. Eu apresentei uma possibilidade alternativa e totalmente plausível, muito mais plausível que a sua polêmica, por se tratar de uma página de uma empresa que nunca iria querer que um escândalo desse se associasse à marca. Bem, fique aí acreditando na terrível maldade do criador da página, então.

        Robson Fernando de Souza

        julho 30 2012 Responder

        Não acho que você apresentou uma alternativa. Você disse que “é óbvio” que aquilo foi uma mera brincadeira amorosa.

        E agora é tarde porque a empresa já está associada ao escândalo de apologia ao estupro.

    Walter

    agosto 22 2012 Responder

    Concordo com você A.N., acho que nesse caso foi só uma brincadeira e não deve ser levada como incentivo ao estupro. Acho muito interessante as reportagens desse blog, mas nesse caso acho que exagerou um pouco ao analizar a propaganda.

    Daiane

    julho 29 2012 Responder

    Bem “política sexual da carne” essa idéia dele.

Rond

julho 29 2012 Responder

O pior é ver os comentários positivos disso no facebook. Ironicamente, foi no mesmo dia do lançamento de um flyer ensinando como não estuprar, do Feministas do Cariri (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=263837050393857&set=a.260269057417323.53080.236036689840560&type=1&theater). A quantidade de apologistas que dão as caras pra dizer que eles vão ser presos rapidamente, dizendo que, se for seguir essas regras, não se pode transar – é MUITO grande e é muito nojenta. O pior é ver esse tipo de mensagem apologista sendo veiculada, com o total desconhecimento do que isso gera, e do contexto que torna isso possível. É curioso que as pessoas que apoiam esse tipo de coisa também digam que não existe a tal cultura de estupro.

De toda forma, fiz uma denúncia à Safernet. Pra acompanhar é: http://rs.safernet.org.br/external/feedback/follow_up?report_key=1ae40fa7e053616a3d2c246ab6697990

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