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Em postura esquizofrênica, Folha de S. Paulo critica e exalta o foie gras na mesma página

O site da Folha de S. Paulo demonstrou confusão de não saber de que lado está em termos de apoiar ou criticar/endossar críticas sobre a produção e consumo de foie gras. Numa mesma página na seção Comida, publicou um artigo da colunista Alexandra Forbes, que critica tanto a indústria e os consumidores da “iguaria” como a “hipocrisia” daqueles que criticam sua produção mas comem carne, e um infográfico que ensina como escolher e consumir o patê feito do fígado inflamado e doente de patos e gansos cruelmente explorados, superalimentados e mortos.

O artigo diz, entre outras coisas, que “os defensores da medida têm razão quando dizem que a engorda do fígado deteriora a saúde das aves”, “as aves estão entre os muitos animais que o homem maltrata para transformar em comida, como lagostas e tubarões – que são jogados de volta ao mar depois de extraídas suas barbatanas” e “é hipocrisia focar apenas no bem-estar de aves que são gota no oceano: para cada pato destinado à produção de foie gras, há milhões de galinhas apertadas em jaulas de grandes granjas.  Não morrem porque tomam antibióticos. Isso para não falar em vacas e porcos, criados em escala industrial, para os quais não há lei de proteção em vista”. Não tem caráter abolicionista mas torna-se relevante por ter sido publicado por uma empresa membro da grande mídia, num contexto em que esta costuma apoiar atividades de exploração animal e difamar o veg(etari)anismo.

O infográfico, por outro lado, ensina, por exemplo, que o foie gras a ser comprado pelos interessados precisa ter entre 350 e 700 gramas de peso, não pode ter hematomas, deve ser conservado na geladeira logo após a compra e pode ser acompanhado por geleias e chutneys.

Isso soa muito mais como esquizofrenia moral e jornalística do que como imparcialidade. Aliás, não é possível dizer que a página foi imparcial, já que o peso do apoio ao foie gras foi bem maior do que a crítica ao mesmo, visto que:

a) o artigo pode ser interpretado como uma crítica mais aos opositores onívoros do foie gras do que à produção e consumo do “prato” em si;

b) o mesmo, de acordo com a mesma intepretação, parece passar a mensagem de que, já que esses críticos comem carne, seus protestos seriam incoerentes, hipócritas e “por isso” inválidos, numa falácia mista de ad hominem e tu quoque difícil, mas possível, de se detectar;

c) o infográfico em si é um enorme incentivo ao consumo de “bons” patês de fígados de gansos e patos e à degustação “melhor possível” da “iguaria”.

Críticas e protestos devem ser enviados à seção de comentários da mesma página.

imagrs

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vinícius h

agosto 16 2012 Responder

Mais uma vez o velho argumento falacioso da pseudo-hipocrisia! O que a mídia diz tem o mesmo principio de dizer: se você não consegue parar de fumar completamente hoje, diminuir em 50% o consumo de cigarro é desnecessário e não deveria ser feito.
Só por que não existe veganismo 100% na nossa sociedade ocidental, não significa que devemos ser 0% veganos.

Juliano Franson

agosto 16 2012 Responder

O termo hipocrisia é mal empregado, pois a lei que proíbe o foie gras não insinua fingir ignorar o maltrato animal de outras espécies, isso é uma conclusão pessoal sem fundamento, todo movimento em defesa dos direitos animal não é hipócrita, quem afirma isso desconhece a construção de uma mudança na sociedade, ou seja, sem perfil jornalístico.

Juliano Franson

agosto 16 2012 Responder

Completamente ridícula essa reportagem, deveriam colocar um tubo até o estomago dele, colocar a força 3 kg de comida, e depois ele deveria voltar a escrever o artigo.

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