18

ago12

[OFF político] Petistas requentam argumentos do PSDB e usam contra Marcelo Freixo no Rio de Janeiro

O Consciencia.blog.br não tem causas partidárias entre seus temas, mas, assim como em 2010, não se furta de abordar casos urgentes de injustiça de cunho eleitoral. E como este blog tem muitos leitores do Rio de Janeiro capital, acredito valer a pena postar aqui sobre a baixaria que está acontecendo na cidade contra o candidato a prefeito Marcelo Freixo, do PSOL.

O site apócrifo “Freixo Não”, de autoria anônima mas com diversas evidências de ser obra de pessoas ligadas ao PT, está promovendo uma política muito parecida com aquela tradicionalmente usada pela militância de candidatos de partidos da direita clássica brasileira (PSDB e DEM): o apelo ao medo, a calúnia, a difamação.

Na página inicial do site, consta a seguinte lista de argumentos manipuladores:

Fonte: site “Freixo não”

O tumblr Governismo, a doença infantil destrincha cada um dos argumentos, ou pelo menos mostra como essa estratégia suja e desonesta é similar ao que o PSDB tanto já usou:

Argumentos (sic) petistas = argumentos (sic) tucanos:

1. “Argumento” usado pelo PSDB, pro Serra e Alckmin contra o PT em diversas eleições.

2. “Falta de experiência”, argumento tucano usado contra Lula, Dilma…

3. Outro argumento tucano repetidamente usado

4. Programas de extermínio dos pobres? E desde quando o governo mudar os programas são interrompidos? Mais um argumento (sic) tucano usado contra o Pt por anos

5. Argumento tucano usado contra o PT de que o partido odiava o mercado, as empresas privadas, a bolsa chegou a ter perdas históricas em 2009…

6. Qual esquerda? A miliciana do PMDB ex-PSDB? E que direita se posicionaria? A do PP, do PMDB, do PR e cia, todos aliados do PT?

7. Por isso que O globo, Veja e cia fizeram matérias altamente elogiosas à Dilma? Pro isso o Eike está com o Freixo? Opa, não, está com a Dilma

8. Qual esquerda? Já concordamos que PT não é esquerda, inclusive a parcela resistente, de esquerda do PT está com Freixo e não com a milícia

9. Porque a população pobre do Rio está sendo altamente beneficiada com as remoções forçadas patrocinadas por Dudu Milícia e Bittar (PT). E o papo da “experiência” foi usado contra o PT por décadas pelos… TUCANOS!

10. Verdade, o protesto dos neonazistas em defesa do aliado do PT – Bolsonaro/PP (http://is.gd/Kggynn) – é ilusão. O genocídio indígena por ruralistas de extrema direita – aliados da dilma – também são ilusão. E quanto à “elite zona sul” pergunto: Quem fundou o PT mesmo?

E como eu pessoalmente já vi esse tipo de calúnia acontecer por aqui em Recife em eleições passadas, também dou minhas respostas:

1. O mesmo argumento foi usado pelo então PFL na campanha para prefeito recifense em 2000, quando Roberto Magalhães tentava derrotar João Paulo (PT). Na época, Brasil, Pernambuco e Recife eram governados respectivamente por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jarbas Vasconcelos (PMDB, então aliado do PSDB e DEM) e Roberto Magalhães (PFL, hoje DEM), e o espectro da “inexistência de parceria” foi montado na época para tentar desqualificar João Paulo. A tática suja não deu certo, João Paulo foi eleito no segundo turno e, à parte obras de infraestrutura muito questionáveis, Recife não foi à bancarrota, nem em termos econômicos, nem em se falando de gestão urbana – JP ainda foi reeleito em 2004.

2. Afirma-se isso sem qualquer prova, além de usar outro velho trunfo difamatório que o PSDB/DEM usou muito: o mito de que “sem experiência, não se pode ser um bom governante”. O próprio José Serra usou esse argumento contra a hoje neodireitista Dilma para tentar convencer os brasileiros de que, por isso, ela seria uma presidente incompetente. E deve-se lembrar que Collor usou esses mesmos argumentos – inexperiência, “radicalismo”, isolacionismo socialista etc. – contra Lula em 1989.

3. O argumento se baseia nas premissas “videntes” de que Freixo será indubitalmente um desastre para o Rio – argumento ad metum que a direita sempre usou – e que o Rio de Janeiro não conseguirá se sustentar financeiramente sozinho. E não tem qualquer embasamento ou comprovação.

4. Outra previsão sem qualquer fundamento ou evidência.

5. Idem. Até onde se sabe, não há qualquer proposição do PSOL de interromper as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

6. Deve-se perguntar a quem a afirmação se refere quando fala da “esquerda”: à neodireita ex-esquerdista (PT/PSB/PCdoB) ou à esquerda remanescente representada pelo PSOL? E o curioso é que a afirmação diz que “a direita” vai usar o “desastre Freixo” para se reposicionar nacionalmente e maliciosamente ignora que o PT/PSB/PCdoB já são partidos de direita, com direito a elogios do PSDB, d’O Globo e da Veja à política econômica de Dilma. Nos perguntamos qual das duas direitas vai usar o “desastre Freixo” para retomar o poder no Rio de Janeiro – e isso se ainda houver duas direitas daqui para 2016, considerando-se a possibilidade de uma futura coalizão federal entre PT/PSB/PCdoB e PSDB/DEM, pelas semelhanças de práticas político-ideológicas.

7. Ideologicamente O Globo não é mais um jornal de oposição ao PT – ou ao menos está deixando de ser -, vide editorial recente de elogio à política antitrabalhista e repressora de greves de Dilma. E um pouco de coerência nos vai perceber que a ideia de uma aliança entre a esquerda convicta psolista e a direita clássica da mídia é absurda, visto que esta tem a mesma aversão ferrenha que o PT hoje tem às políticas de esquerda. O mais verossímil é que a mídia invista pesado para tentar desmoralizar Freixo e o PSOL, este que, caso consiga a prefeitura do Rio, estará dando um enorme salto rumo à consolidação nacional – e aí sim começando a ameaçar a hegemonia política das duas direitas.

8. O argumento de que “a mídia usaria os problemas de seu governo para fazer um ataque ideológico de grandes proporções à esquerda” se aplicaria na realidade apenas a um ataque ao próprio PSOL, que estaria em ascensão depois de conquistar a prefeitura carioca. E a palavra “esquerda” nesse caso está sendo maliciosamente usada para se referir à neodireita petista, que, como todo bom esquerdista fiel à sua ideologia sabe, abandonou a esquerda há anos. PT/PSB/PCdoB não são mais partidos de esquerda. São os porcos orwellianos que se aliaram e igualaram aos fazendeiros (vide livro A revolução dos bichos).

9. A mesma ladainha foi usada contra o PT no passado, e ainda tem a pachorra de falar que a população pobre sofreria com as políticas do representante de um partido que visa justamente a beneficiação radical (no sentido de ir à raiz) da população humilde. E nada mais falacioso do que induzir a crença de que a “inexperiência” seria uma limitação permanente – como se o PT tivesse obtido sua experiência no Poder Executivo municipal, estadual e federal por osmose ou encantamento.

10. Como afirmou o Governismo, a doença infantil, já existe uma extrema-direita em ação no Brasil. E complemento que ela vem sendo incrementada por evangélicos fundamentalistas e católicos idem (incluindo a União Conservadora Cristã da USP), Jair Bolsonaro e seus seguidores, membros do futuro Partido Militar Brasileiro (que vem buscando sua oficialização), células neonazistas e neofascistas concentradas principalmente em São Paulo e na Região Sul e, fundamentalmente, os ruralistas, que vêm tentando dominar o Congresso e lutando pelo desmantelo de direitos humanos, ambientais, animais, trabalhistas etc. Além do mais, o PSOL nem chega perto de uma proposta de extrema-esquerda, visto que ainda se sustenta no sistema político de “democracia” eleitoral e representativa e não tem incluído a revolução popular e a redistribuição radical dos meios de produção entre suas propostas para o Brasil.

Uma verdade que se conclui disso é que o PT definitivamente virou um partido de direita e vem copiando todas as políticas dos partidos da direita clássica, desde as privatizações e a repressão trabalhista até as táticas sujas de terrorismo psicológico contra adversários à esquerda. E o mais importante: o PT se mostra um partido conservador, no sentido mais profundo da palavra. Afinal, é o conservadorismo que defende a sacralidade da ordem social como se encontra; dá às pessoas a sensação de segurança contra o incerto; instiga o medo da mudança; pretende conservar o estado de coisas vigente, pondo-se a “proteger” a sociedade de mudanças que podem pôr abaixo todo um sistema de crenças, valores e relações sociais-políticas-econômicas-ambientais, por mais prejudiciais e desigualitárias que sejam, e gerar nas pessoas despolitizadas a incerteza temerosa sobre seu futuro.

Tanto em solidariedade a Marcelo Freixo como por minha simpatia ao PSOL, que, pelo menos até o momento, vem sendo o único partido brasileiro de esquerda com representação no Congresso e o único que traz propostas que questionam com coerência o modelo de sociedade, economia e “política ambiental” que temos hoje, recomendo desde já que você carioca vote em Freixo (50). Procure saber melhor do que ele tem a propor pelo Rio e pense bem se você irá gastar seu voto naqueles que só têm a oferecer a conservação do status quo ou realmente fazê-lo prestar para (ao menos tentar) mudar ou pelo menos melhorar o Rio de Janeiro.

imagrs

1 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo