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ago12

Reiterando a importância e necessidade do ciberativismo veg(etari)ano-abolicionista

Talvez algumas pessoas ainda subestimem isso, mas é inegável que devemos agradecer, acima de tudo, à internet pelo atual crescimento acentuado da população veg(etari)ana e simpatizante ou divulgadora do abolicionismo animal nos últimos dez anos. Sem ela, mesmo as grandes iniciativas offline, como os documentários A carne é fraca e Terráqueos, não teriam nem metade do poder que têm desde seu lançamento até hoje. Por isso, é mais que necessário fazer reconhecimentos e incentivos ao ciberativismo veg-abolicionista, tal como este artigo faz.

Na internet brasileira, seis grandes formas de ativismo, cada uma dotada de seu grande valor diferente e todas agindo em conjunto, vêm promovendo esse crescimento sem precedentes do veg(etari)anismo abolicionista. Listo e descrevo cada uma abaixo:

1. Ativismo panfletário que divulga imagens e links para conteúdos maiores

Desde sua origem, vem sendo o método ativista mais comum, aquele que mais pessoas podem praticar. É o que alguns poderiam chamar de “slacktivismo”, que não requer muito a fazer fora usar as redes sociais para compartilhar imagens, receitas e abaixo-assinados e divulgar links e títulos de livros, documentários, sites e blogs relacionados a veg(etari)anismo e Direitos Animais. E é basicamente nisso em que consiste.

Alguns tentam rebaixar os “slacktivistas”, como se seu trabalho, por envolver esforço de menos, fosse de baixo valor em comparação a, por exemplo, escrever livros e fazer ativismo de rua. Mas esquecem que esse tipo de divulgação trabalha em conjunto com os demais.

Ignoram esses críticos também que, se não fosse o “slacktivismo”, os documentários, livros, blogs, sites e abaixo-assinados teriam pouca ou quase nenhuma divulgação, tampouco a causa veg-abolicionista teria a visibilidade que tem hoje. Além do mais, provavelmente a grande maioria dos ativistas em ascensão hoje com menos de 30 anos começou sua vida de apoio à causa animal por esse tipo de ação. E é graças a este meio que a população de pessoas simpatizantes ou participantes da causa animal vem crescendo e ascendendo como nunca havia experienciado antes.

O trabalho deve continuar. Por mais que os carnistas reclamem das alegadas “tentativas de impor o vegetarianismo” ou que somos “chatos” ou parecemos “fanáticos religiosos”, o ativismo panfletário vem funcionando juntamente às outras cinco formas.

2. Diálogos com pessoas de mente aberta na internet

Essa é uma das mais apreciáveis formas de ciberativismo vegano-abolicionista. Sincronizada com as outras quatro, vem atraindo cada vez mais pessoas para a causa e formando cada vez mais vegetarianos e veganos. Por ela, pessoas de mente aberta, que já repudiam determinadas formas de crueldade contra os animais e consideram o vegetarianismo uma boa forma de pelo menos expressar respeito aos mesmos, livram-se da crença nos velhos mitos carnistas e descobrem de uma vez por todas que sua alimentação precisa mudar por consideração ética aos animais não humanos e humanos e ao meio ambiente.

São indivíduos que se compadecem cada vez mais com as imagens que os tão injustamente criticados “ativistas de Facebook” reproduzem – sejam elas denúncias explícitas sobre as atrocidades da pecuária ou figuras que não recorrem à violência gráfica e priorizam palavras e dados. E que, em seguida, ou depois de assistirem a documentários ou lerem sites e blogs especializados, perguntam aos seus divulgadores por mais detalhes sobre a saúde vegetariana, como seria uma alimentação saudável sem animais, os impactos ambientais da pecuária, os problemas éticos intrínsecos à pesca, as riquezas da culinária vegetariana estrita etc.

Essa vertente do ciberativismo, combinada com a primeira, vem sendo talvez a maneira mais eficaz de trazer mais pessoas para o veg(etari)anismo ético.

3. Debates com carnistas

Embora pouco eficaz em esclarecer pessoas que se apegaram com convicção à ideologia-mitologia carnista e têm mente fechada, o debate é uma forma válida de atrair pessoas para a causa por lhes dar a oportunidade até então inédita de comparar os argumentos veg(etari)anos com os carnistas e ver qual dos dois lados é argumentativamente mais válido e coerente. Acontece muito no Facebook e em blogs, e outrora era muito comum no Orkut e em fóruns particulares de discussão. E é muitas vezes iniciado graças à reação carnista ao compartilhamento de conteúdo por parte dos “slacktivistas”.

Quando o lado veg(etari)ano tem boa experiência, conteúdo argumentativo consistente e bem embasado e habilidades de detectar falácias, tem uma ótima condição de debater por horas ou dias. Mas dificilmente se chega a um desfecho em que o lado carnista admite que estava errado em suas crenças. O mais provável é que este dê um encerramento irracional do tipo “Por mais argumentos que você tenha, nunca vou deixar de comer carne!” ou simplesmente pare de responder e abandone a discussão. Em poucos casos é que o lado veg, quando desprovido de experiência suficiente, se rende por cansaço.

O argumentador carnista, por causa de sua resistência visceral em abandonar crenças que foram racionalmente provadas inválidas, pode não ser convencido, mas a fraqueza de seus argumentos e a prevalência do outro lado quase sempre estarão patentes para quem tiver acompanhado o debate. Isso leva à ação do meio de ciberativismo anteriormente descrito – o diálogo com pessoas de mente aberta interessadas em conhecer melhor o assunto.

4. Artigos e vídeos de formação de opinião

Hoje ainda é visto como um instrumento para poucos, mas felizmente cada vez mais pessoas vêm recorrendo a ele usando bons argumentos. Produzidos desde por pessoas que entraram há apenas algumas semanas no vegetarianismo até por nomes nacionalmente reconhecidos dos Direitos Animais, os artigos e vídeos formadores de opinião vêm complementando o compartilhamento de imagens e links no que tange a prover educação informal conscientizadora para os onívoros que não são carnistas convictos.

Há inúmeros artigos, que destrincham detalhadamente cada aspecto dos Direitos Animais e do veg(etari)anismo, seja introduzindo, seja ensinando aos onívoros sobre questões em que eles nunca haviam parado para pensar, seja estabelecendo questionamentos internos às práticas e crenças de muitos veg(etari)anos. Blogs e sites que os disponibilizam podem ser contabilizados no mínimo às dezenas pela internet brasileira.

Os vídeos de vlogs também exercem esse papel, embora de uma forma mais acessível para pessoas que não têm o costume de ler textos de muitos parágrafos na internet, e ainda têm a propriedade de responder a vloggers que defendam o carnismo e/ou tentem questionam o veg(etari)anismo. Porém, atualmente há no Brasil muito poucos vloggers empenhados na temática veg(etari)ano-abolicionista.

Considerando esse problema, este artigo faz um apelo para que mais pessoas com alguma experiência em Direitos Animais e veg(etari)anismo e que possuam uma webcam ou câmera digital de qualidade criem seus vlogs para divulgar a causa e responder aos carnistas.

5. Divulgação de receitas

Para quem está se interessando e/ou entrando no vegetarianismo, as receitas culinárias são mais que essenciais para que o indivíduo saiba que irá encontrar nele uma grande guarida não só de saúde, mas também gustativo-gastronômica. É aí que entra a grande importância da divulgação dessas receitas.

Pode acontecer através dos meios 1, 2 e 4 de ciberativismo, e mostram a alimentação vegetariana como um porto seguro para quem ainda tem medo de abdicar dos prazeres do paladar – por acreditar que a alimentação sem animais não estaria à altura das carnes e dos demais pratos com ingredientes de origem animal. É tão necessário quanto a divulgação dos demais conteúdos pró-animais.

6. Ativismo contrarreacionário; resposta a textos, imagens e vídeos carnistas

Hoje ainda é bastante raro no Brasil, restrito a poucos nomes do ativismo veg-abolicionista. Apenas alguns blogs e vlogs brasileiros, talvez contados nas mãos, se empenham ativa e regularmente na resposta a materiais carnistas conservadores. No país há nomes de peso que poderiam complementar o trabalho dos poucos ativistas que atualmente se ocupam nessa frente, mas muito poucos são aqueles que assumem esse compromisso.

Esse trabalho consiste em divulgar respostas, seja em formato de printscreens internamente comentados, ou de artigos, ou de vídeo-discursos, a opiniões carnistas, muitas delas de viés claramente reacionário e adverso ao veg(etari)anismo e aos veg(etari)anos. Também pode(ria) vir através de livros e palestras que aborda(sse)m o tema do carnismo. Aponta as falácias, incoerências, preconceitos e visceralidades de cada obra conservadora, mostrando no final das contas que as tentativas de se responder conservadoramente ao movimento veg-abolicionista nunca dão certo no seu objetivo de abalar suas bases ideo-filosóficas.

Tem também a notável serventia de evitar que vegetarianos novatos ou mesmo alguns veteranos sejam persuadidos por obras carnistas a pôr em xeque sua alimentação, que comecem a achar que tomaram um caminho errado, incoerente e/ou desligado da realidade. Assim como nega aos onívoros interessados no veg(etari)anismo os efeitos das investidas do lado reacionário de atraí-los de volta à alimentação com animais.

É o caso de dois dos meus três sites – o blog/tumblr Vegetariano da Depressão e o vlog Consciencia.VLOG.br –, e infelizmente ainda não conheço outro blog/site/vlog que também realize regularmente essa função. Por isso, longe de querer me vangloriar como “o único nome vegano contrarreacionário no Brasil”, peço a ajuda de quem puder criar vlogs e/ou blogs para comporem essa linha de frente.

Ela demanda a participação de muitas pessoas, e será cada vez mais importante se considerarmos que as contraofensivas conservadoras irão se tornar cada vez mais numerosas e fortes ao longo dos próximos anos, à medida em que o veg(etari)anismo e o abolicionismo forem crescendo. O empresariado lacto-frigo-pecuarista não vai aceitar facilmente que ameacemos seus lucros, nem os carnistas fãs de churrasco que temem a possibilidade futura de assimilação jurídica dos Direitos animais – que poderia tornar crime a produção e consumo de carne animal não sintética – pretendem deixar que o movimento veg-abolicionista triunfe sobre seu prazer gustativo. Por isso, é de esperar que haverá um forte backlash a que os vegano-abolicionistas deverão estar preparados e a postos para responder à altura.

***

Sincronizadas, as seis formas de ciberativismo pró-veg(etari)ano-abolicionista são o grande trunfo do nosso movimento, e não deve mais ser subestimado. Pelo contrário, o máximo possível de pessoas, quali e quantitativamente falando, deve contribuir no crescimento do ativismo virtual. E, como dito, o setor contrarreacionário é o que mais precisa de pessoal para agir. Afinal, é à internet que devemos o crescimento e o processo de amadurecimento do veg-abolicionismo brasileiro.

imagrs

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vinícius h

agosto 27 2012 Responder

O quarto, quinto e sexto foram os mais eficazes na minha conscientização, e provavelmente vou usá-lo para divulgar veganismo também!

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