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set12

Carnismo na publicidade: propaganda de esfiha do Habib’s fantasia pecuária e produção de carne

O carnismo, enquanto ideologia que tenta justificar o consumo de alimentos de origem animal, calca-se na fantasia e na “mentira artística” para convencer os onívoros a continuarem comendo carne por toda a vida. Propagandas acobertam aquilo que realmente acontece na produção de carne – desde o sofrimento de animais submetidos a separações de famílias, mutilações e confinamento até o intrinsecamente violento abate, passando pela privação de direitos básicos. Mostram, ao invés, uma pecuária em que os animais são tratados como nobres e cuja carne, na ausência da exibição de abates, parece surgir de fontes etéreas.

É o caso da propaganda da Bibsfiha de carne do Habib’s:

No comercial, é evocado o mítico cenário bucólico das fazendas bovinocultoras, como recantos verdes cobertos de montanhas onde bovinos desfrutam de uma vida de paz e prazeres. E o boi do cenário é sugestivamente “rotulado” de “Carne Fresquinha”, como se sua vida nada mais valesse do que bifes para deleite humano.

E, como é regra na publicidade carnista, os processos bizarros, incluindo a desmama, as mutilações, as injeções de antibióticos, o transporte do gado em caminhões de carga viva, o próprio abate e também a fase de processamento da carne (serragem, esquartejamento, desossa etc.), são convenientemente omitidos e a cena pula direto para uma fábrica onde operários, agindo como se fossem robôs de uma linha de montagem automobilística, cortam verduras e legumes a movimentos mecânicos. Dali segue para a preparação e acabamento da esfiha.

E tudo se passa em cenários inspirados no filme A Fantástica Fábrica de Chocolate. A produção de um alimento de origem animal é dissociada de seus intrínsecos aspectos cruéis e bizarros e apenas as partes “bacanas” da sequência de processos fabris são mostradas.

Assim o carnismo age alienando as pessoas, lhes ocultando a verdadeira cadeia de produção de carnes e lhes dando a impressão de que ela é tão inocente e inofensiva quanto a produção de vegetais orgânicos.

Faz-se necessário que os defensores dos Direitos Animais ajam de alguma forma, para desmascarar a mitologia carnista de propagandas como essa. Mensagens de repúdio podem ser mandadas aos comentários do vídeo no YouTube.

imagrs

7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Luc

junho 20 2013 Responder

Caro Robson;

Eu concordo que as propagandas podem ser falaciosas. Eu sei que por [muitas] vezes os animais são mortos em condições horríveis. Porém, eu como carne. E não como por que preciso de proteínas, não como porque duvido do potencial das plantas. Não, eu sei que plantas podem suprimir bem a carne animal.

Eu como carne animal porque gosto dela. E me comprometo a procurar sempre frigoríficos que respeitem os animais. Mas como é que fica o prazer do alimento?

Isso você deveria pensar um pouco mais nos seus [bons] artigos: comer carne não é apenas repor energias. É (também¹) sentir um prazer sensorial. É vivenciar um momento pra além do simples ato de comer. E não é um prazer substituível.

Isso, caríssimo, você precisa relacionar um pouco mais. Nem todos os onívoros são famintos ansiosos por proteínas – são alguns, pessoas em busca de um prazer.

Porque comer verduras também dá prazer (eu como rabanetes). Se não houvesse o prazer, bastariam suplementos em capsulas ou pastas.

(que poderiam ser vendidos por um preço similar ao dos alimentos, dessa forma, inviabilizando algum argumento sobre um cartel de pecuaristas)

Assim, por favor considere estes aspectos nos seus próximos textos. Considere que lutar contra um prazer é uma tarefa árdua, que poucos conseguem realizar. E então, seja menos radical ao falar sobre o consumo de animais, ok?

Estamos na luta por um mundo mais justo;
Abraços.

¹”Também” é uma palavra-chave aqui, porque ela serve para indicar que não dá pra dividirmos tudo em dicotomias, como você [por descuido, tenho certeza], faz às vezes. O mundo não é mais dicotômico.

    Robson Fernando de Souza

    junho 20 2013 Responder

    Aonde você quer chegar? Que preciso considerar o prazer como mais relevante que a ética?

    Sobre essa parte:

    E me comprometo a procurar sempre frigoríficos que respeitem os animais.

    Você concordaria com um assassino que diz respeitar suas vítimas? (não tô chamando você de assassino, e sim os frigoríficos)

      Decio Pedroso

      setembro 25 2014 Responder

      Que comentário genial! Tão genial que caracterizava um ataque pessoal e foi apagado. RFS

Ramirez

janeiro 28 2013 Responder

olha eu realmente compreendo o fato de alguns lugares não respeitarem a existência dos animais causando sofrimento a eles, mas se vc não é uma arvore e não faz fotossíntese você vai absorver energia de um outro ser vivo para sobreviver independente de credo ou filosofia de vida.toda forma de vida biológica possui sua individualidade o que vc precisa é respeita-lá mesmo ao se alimentar dela.

    Robson Fernando de Souza

    janeiro 28 2013 Responder

    E vegetais não são uma fonte de energia?

Juliano Franson

setembro 3 2012 Responder

Robson, acredito que a maioria das pessoas gostam de ser enganadas, preferem o mais fácil ao invés de pensar um pouco mais, e se sentem bem com essa ignorância, ignoram toda a crueldade porque a maioria ignora, preferem fazer parte desse grupo por puro comodismo, sem importa com a imensa dor e sofrimento, e esse tipo de propaganda faz apologia a isso. Também “…é mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las que foram enganadas.”

    vinícius h

    setembro 3 2012 Responder

    Concordo! Ótima frase essa “…é mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las que foram enganadas.” Sabe a fonte?

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