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set12

Diario de Pernambuco também divulgou (outro) anúncio de entidade fundamentalista cristã

A irresponsabilidade ética e publicitária ao autorizar um anúncio de entidade religiosa fundamentalista não foi exclusiva da Folha de Pernambuco. O Diario de Pernambuco também cometeu a presepada, divulgando anúncio da mesma entidade fundamentalista “Pró-Vida PE”, “mas” com outro tema: a criminalização do direito da mulher de decidir sobre seu próprio corpo – em outras palavras, a tradicional oposição ao aborto.

Foto retirada da notícia do site da Exame, mas em circulação no Facebook

A propaganda, divulgada no último domingo dia 2, foi “diferente”, mas a falta de senso de responsabilidade publicitária foi a mesma. Não só se divulga a defesa dos fundamentalistas de criminalizar o direito da mulher de abortar em casos em que a criação do bebê não encontra condições psicológicas e socioeconômicas de se prover, mas também dá-se espaço de mídia – portanto, uma forte voz – ao fanatismo religioso e à intromissão do mesmo em questões concernentes ao Estado e aos direitos alheios.

Em outras palavras, o Diario de Pernambuco, ao autorizar e divulgar esse tipo de publicidade, apoia que as piores vertentes da religião cristã metam seu bedelho no Estado e nos direitos das mulheres, violando-se assim a qualidade constitucional de Estado Laico e também forçando-se tanto a mulher a uma gravidez que a fará infeliz como o feto a se tornar uma criança condenada à rejeição familiar e ao sofrimento psicológico perpétuo – isso sem falar nos casos de gravidez de alto risco, causada por estupro ou com bebê anencéfalo.

Atualização (04/09/12, 22:20): O Diario de Pernambuco, via Facebook, deu essa pequena nota, respondendo às acusações de que também teria divulgado o anúncio homofóbico:

Mas errou o alvo, já que o problema do DP foi ter reproduzido a propaganda antiaborto de uma entidade fundamentalista, sem procurar saber do caráter odiento dela. Foi na lógica do “Desde que pague bem, tudo bem, por mais lunática que seja a ideia defendida na divulgação”.

E como se fala bastante, é curioso que entidades religiosas assim não se ocupem em se opor à corrupção política, à miséria de milhões de pessoas e ao vendilhonismo de muitas igrejas pentecostais, mas sim apenas a combater direitos de minorias sociopolíticas (nos casos em questão, mulheres e LGBTs). Não é difícil de imaginar que a mesma entidade “Pró-Vida PE”, caso passasse despercebida entre @s LGBTs e as mulheres, poderia passar a divulgar também mensagens de supremacismo religioso e ódio contra (des)crenças não cristãs – o que, no contexto das duas propagandas, poderia ser um clamor para que, por exemplo, não se votasse em espíritas, afrorreligiosos e ateus.

Infelizmente os jornais pernambucanos, que deveriam exercer a função social de formação e conscientização política, estão não só violando essa função e conservando uma ordem sociopolítica injusta e opressiva, como também auxiliando as igrejas mais fanáticas a obscurantizar a sociedade brasileira, nos aproximando de uma realidade em que se pôr contrário aos dogmas católicos e evangélicos – o que incluiria mesmo não ser cristão ou heterossexual – será motivo de sofrer violência psicológica e também física sob a batuta da lei.

Ao contrário do caso da homofobia veiculada na Folha de Pernambuco, divulgar opiniões contrárias ao aborto não é considerado crime – embora, em certos contextos e pretextos, merecesse caracterizar um crime de misoginia -, mas é possível fazer valer a pressão social via redes sociais. O Diario de Pernambuco merece ser repreendido pela população e também boicotado enquanto não assumir que foi irresponsável e também coautor de uma ação de opressão contra mulheres. Aliás, suas iniciativas de oposição difamatória aos movimentos sociais também deve(ria)m ser um grande motivo para fazê-lo ser boicotado.

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