05

set12

[OFF] Professores desistem da greve na UFPE. Paralisação acaba sem nenhuma conquista de verdade

Foto kibada do blog Acerto de Contas

Uma notícia de poucos minutos atrás me deixou muito desanimado com o futuro da UFPE e da educação superior brasileira, além também de meu próprio futuro enquanto aspirante a professor universitário. A greve dos professores da minha universidade acabou por maioria de votos na assembleia da Adufepe (Associação de Docentes da UFPE), sem que qualquer conquista sólida tivesse sido obtida pelos professores em mobilização.

Eu, como aluno, de fato gostaria voltar às aulas, mas não me anima nem um pouco voltar depois que uma greve foi derrotada por cansaço – e por outros motivos que talvez sejam revelados nas próximas horas e dias – e com o mesmo estado de coisas de antes – professores sendo maltratados e desvalorizados com uma política salarial e de carreira ridícula e setor de ciências humanas da universidade com condições infraestruturais nada confortáveis.

Paralelamente, já desde algumas semanas atrás, várias universidades e Institutos Federais (IFs) vêm voltando às aulas uma instituição atrás da outra. Considero isso uma derrota da classe trabalhadora, de que os professores desses estabelecimentos fazem parte. E uma vitória de tudo o que há de pior no governo Dilma – o antitrabalhismo, a repressão a greves, a manobra política envolvendo aparelhamento de sindicatos docentes paralelos (ligados ao Proifes, associado ao PCdoB e PT) e negociatas com reitorias aliadas, a política tipicamente neoliberal de sucatear as instituições públicas antes de cogitar privatizá-las, a antidemocracia de agir de forma autoritária contra a vontade do povo. Como ouvi dizerem, nem na época da ditadura militar os professores haviam sido tratados como foram por Dilma Rousseff, a Margaret Thatcher brasileira.

As aulas voltam no próximo dia 17, e a situação será exatamente a mesma de antes, com professores e centros de ciências humanas tratados de forma parecida como o gado é tratado pela pecuária. Nada terá melhorado, e no máximo uma proposta fraquíssima apoiada pelo sindicato pelego Proifes vai reduzir as perdas salariais que nossos professores sofrerão nos próximos três anos – ao invés de lhes dar um aumento real de vencimentos à altura da nobreza da profissão docente.

Voltaremos às aulas, alunos e professores, com cabeça baixa – em sentido figurado ou, às vezes, literal -, continuando a ser desvalorizados e indignificados pelo governo de direita do PT, temendo pelo futuro do ensino superior e da profissão/vocação de professor de universidade pública. Se uma greve de 112 dias não resultou em praticamente nada, isso pode significar que as futuras greves terão que ser ainda mais compridas e deformadoras do calendário acadêmico para terem chances mínimas de sequer dar parcialmente certo. E isso servirá como um “exemplo” para os futuros professores e os professores não veteranos de que, diante de um governo de direita, nada resta a não ser se conformar em ser tratado como gado, mal pago e sob ameaça de perder direitos, já que, por mais longa que seja, uma greve não vai intimidar tal governo.

Desde já, como aluno da UFPE e aspirante a professor universitário, deixo meu lamento e minha vergonha. Voltarei às aulas com minha cabeça olhando para a frente, mas com a minha psique cabisbaixa e envergonhada, rumo a um futuro em que terei que trabalhar mais de dez anos para passar a ganhar o que um policial rodoviário federal recém-empossado ganha no seu primeiro mês de remuneração.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Déborah Regina Silveira

setembro 6 2012 Responder

E a greve no CEFET-MG continua!
Resultado da reunião de hoje:

61 votos a favor da continuidade da Greve;
36 votos contrários à continuidade da Greve;
2 Abstenções.

vinícius h

setembro 5 2012 Responder

Aqui em Uberlândia – MG também tivemos uma imensa greve que acabou. Achei estúpido. Deveriam ter continuado.
E tem gente que teima em defender o governo, chamar professores de vagabundos… um amigo meu disse que a greve era contraprodutiva por pedir aumentos de 30%, inadimissíveis para ele. Disse também que, se houvessem greves menores que pedissem 5% de aumento e acontessessem, digamos, anualmente, seria melhor para todos.
O que acha disso, Robson?

    Robson Fernando de Souza

    setembro 5 2012 Responder

    Achei essa opinião uma baita “opinião de Quico”. Como se aumentos de 5% tornassem digna a profissão de docente e não fossem ainda menores que a obrigação do governo.

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