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Os veterinários que não zelam pelos animais (nem pelos seres humanos)

Foi divulgada recentemente no Facebook a imagem abaixo, em virtude do Dia do Veterinário, que foi no último dia 9. Eu inicialmente duvidei de sua sinceridade, achando que era uma trollagem contra os veg(etari)anos e os próprios veterinários, mas várias pessoas me disseram que não era trollagem, nem provocação, nem brincadeira.

Na imagem, em sentido anti-horário: um potencial símbolo do especismo (todos os animais não humanos a servir o ser humano), queijo, um onívoro tomando leite, salsicha, carne vermelha, presunto e ovos.

Como conhecedor da causa vegano-abolicionista, posso dizer que a pessoa que criou essa imagem não sabia o que estava dizendo. Porque, de fato, os veterinários que trabalham a serviço da pecuária não cuidam nem dos animais não humanos nem das pessoas quando viabilizam a produção de alimentos de origem animal.

Quando servem aos pecuaristas, esses veterinários, ao invés de cuidar dos animais, estão na verdade proporcionando que sejam explorados e mortos das formas mais otimizadas possíveis. Porque eles não cuidam para que os escravos da pecuária vivam bem o máximo de tempo possível e em integridade física. Não estão fazendo o bem para os animais de que dizem “cuidar”. Não proporcionam as condições para que eles vivam o mais felizes e íntegros possível. Não intencionam isso. Mas sim nada mais são do que técnicos encarregados da manutenção de máquinas de produzir carne, leite e ovos. Que veem aqueles seres como meros objetos a serviço de um negócio lucrativo e que precisam ser mantidos com saúde – isto é, em bom funcionamento – para que os alimentos de origem animal “façam bem aos humanos”.

Aliás, a imagem mostra de forma muito clara o que são os animais não humanos para essas pessoas: ora meros pedaços de carne, ora máquinas de fazer leite e ovos, ora escravos que existem para servir aos seus senhores humanos autoarrogados o centro da biosfera. Não seres dotados de vida, consciência, capacidade de sentir dor e sofrer, sentimentos, emoções, desejos, interesses próprios, enfim, de uma dignidade própria a ser respeitada.

Se dizem que é seu trabalho que permite que os animais explorados pela pecuária vivam com “bem estar” e não sucumbam a doenças sérias, não é para que estes vivam bem, com integridade e longevidade. Mas sim apenas para que “funcionem” da maneira que os pecuaristas desejam e esperam.

Na parte humana, por sua vez, a imagem diz, em referência aos veterinários que trabalham contra os animais, que eles “também cuida[m] de gente”. Se nos relembrarmos de que os alimentos de origem animal são um dos maiores potencializadores de doenças ao ser humano, concluímos que essa afirmação não é verdade. Duas das imagens mostram carnes processadas, alimentos tão perigosos à saúde humana que seu consumo mesmo moderado vem sendo desaconselhado – algo talvez comparável às recomendações de parar de fumar.

Outra mostra uma carne vermelha, cujo consumo vem sendo criticado por estudos de saúde humana de modo que vem sendo recomendado um consumo o menor possível, em torno de 70 gramas por dia, o mesmo peso de dois pacotinhos pequenos de amendoim descascado. Os ovos, por sua vez, precisam ser rigorosamente tratados para que não corram risco de transmitir salmonelose. Já o leite não humano foi recentemente bombardeado por Lair Ribeiro como um potencializador de variadas doenças.

E outra prova de que os veterinários a serviço da pecuária não cuidam das pessoas é o fato de contribuírem com uma atividade que é o maior vetor de degradação ambiental em todo o planeta e, por isso, destrói a qualidade de vida de milhões de seres humanos e ameaça destruir a de outros tantos milhões a longo prazo. Isso sem falar na exploração humana que anda de mãos dadas com a exploração animal com fins de consumo.

Ou seja, essas pessoas não cuidam de ninguém. Nem dos animais não humanos, nem dos humanos. Só cuidam mesmo do lucro dos pecuaristas e dos empresários da indústria lacto-frigorífica. Cuidam sim de uma economia movida a escravidão, violência, opressão de animais humanos e não humanos, injustiça, destruição ambiental, degradação da qualidade de vida de milhões de pessoas, concentração de renda e de terras… Enfim, movida a tudo o que não presta. Uma economia cuja abolição e substituição fará deste planeta um lugar muito melhor de se viver.

O Dia do Médico Veterinário, de fato, não é merecido por esse tipo de veterinário. Mas sim apenas por aqueles que de fato trabalham pelo bem dos animais, de modo que eles vivam o melhor e mais longo e feliz possível. Esses sim não cuidam apenas dos animais não humanos, mas também dos humanos, que têm um laço de amor com os bichos e sairão ganhando muito com o reconhecimento do direito dos animais não humanos à vida, à integridade física, à liberdade e ao não tratamento como propriedade humana.

No final das contas, teria sido muito melhor se a imagem acima realmente fosse apenas uma trollagem para irritar veg(etari)anos e veterinários em geral.

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7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Dayanne

setembro 9 2013 Responder

Ah sim, só pq uma porcentagem da população é vegana vão condenar um profissional que auxilia na produção de produtos de origem animal para o restante da população? ah por favor né… Se não fosse o veterinário, seria outro profissional, e continuaria a mesma coisa, a produção de carne brasileira continuará sendo a maior do mundo… enfim. parem de ser radicais cegos. isso é triste.

    Robson Fernando de Souza

    setembro 9 2013 Responder

    Você ao menos leu o post, pra entender a crítica aos “veterinários” a serviço da pecuária?

    E o que é não ser um “radical cego” pra você?

    Daniel yan

    novembro 8 2013 Responder

    Puts, triste mesmo é ver alguém rotulando os outros como sendo radicais cegos, quando nota-se um provável indício de que ela mesma é uma “radical cega”. Não fala nada com nada e acha que tem moral, hahaha
    É claro que quem é contra a exploração animal também vai ser contra o “profissional” que os explora, você sabe o que significa veganismo?

    E quando vc diz que “se não fosse o veterinário seria outro profissional, e continuaria a mesma coisa”, o que isso significa? Você acha o mundo gira ao seu redor e as coisas nunca mudarão somente porque vc é maioria? hahahhah

    Caetano Veloso deixou um recado pra vc depois dessa:

    – Não… Cê é burro cara, que loucura. Como você é burro, que coisa absurda. Isso ai que você disse é tudo burrice. Burrice. Eu não, não não consigo gravar muito bem o que você falou porque você fala de uma maneira burra, entendeu?

Soraya

fevereiro 1 2013 Responder

blá blá blá, é irônico é, mas o que muita gente não sabe é que os concursos para veterinário pagam uma merreca, em torno 1500 à 3000 reais, além de abrirem míseras vagas (1 ou 2), só quem paga melhor mesmo é o MAPA e o IBAMA. Além disso, não é todo mundo que tem dinheiro para abrir pet shop e mesmo quem abre um, é uma dificuldade estabelecer preços, porque as pessoas dizem que gostam de seus bichinhos mas não querem pagar pela saúde deles. Os frigoríficos e as áreas de alimentação são as que mais tem vagas e consequentemente empregam mais, porque ninguém entra na faculdade de veterinária pensando em trabalhar na área de abate, a não ser os filhos de fazendeiros, mas muitas vezes não sobram alternativas e os veterinários que precisam trabalhar, ganhar dinheiro, se vestir, se alimentar e pagar suas contas, vão parar nos frigoríficos.
A profissão de veterinária é infelizmente muito desvalorizada financeiramente, e é difícil conseguir emprego na área, muitas pessoas acabam até trocando de profissão, quando não tem um pai rico fazendeiro ou dono de agropecuária.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 3 2013 Responder

    Reconheço esse problema sim. Mas daí pra dizer que veterinários a serviço da exploração animal “cuidam dos animais (…) e da saúde da população”, é uma distância comprida, uma coisa acaba não tendo a ver com a outra.

vinícius h

setembro 15 2012 Responder

Realmente, muito paradoxal essa divulgação do dia do veterinário. Eles não cuidam de nada além do bolso dos pecuaristas ;)

Juliano Franson

setembro 12 2012 Responder

Ser veterinario e não ser vegano é viver literalmente uma ironia (uma ironia cruel e covarde).

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