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set12

“Saia da p… da zona de conforto”: conscientização usando palavrão e grosseria?

Uma imagem vista (e muito compartilhada pelas pessoas) essa semana novamente me fez pensar como a conscientização veg(etari)ana, mesmo por parte de pessoas responsáveis por grandes sites de veg(etari)anismo, ainda tem muito o que amadurecer:

Clique na imagem para vê-la em tamanho completo.

O post manda (sic) a pessoa que o visualiza sair da “porra” da zona de conforto, como se alguém fosse de bom grado acatar a uma ordem grosseira como essa. Aliás, é como se ordens grosseiras fossem algo adequado para convencer as pessoas a reverem sua visão ética de mundo.

O erro de usar grosseria e imposição como recurso para tentar transformar onívoros em vegetarianos já foi criticada por aqui, e, ao invés de atrair mais pessoas para a causa veg(etari)ano-abolicionista, afasta-as e “forma” novos carnistas reacionários, que, dada sua mágoa e antipatia pelas formas inadequadas pelas quais foram abordados algum dia, sempre que puderem demonstrarão aversão a uma causa que supostamente torna as pessoas grosseiras, impositoras e arrogantes.

E da mesma forma, mandar onívoros saírem “da porra da zona de conforto” não difere muito de dizer a um vegano que “sua vida é uma ilusão, vegan chato do c…!”. Embora a motivação seja diametralmente oposta, a baixaria, rudeza e espírito de “superioridade” sobre quem pensa diferente são os mesmos.

Educação (em todos os sentidos, incluindo em muitos caso a escolar), diplomacia, tolerância, respeito, paciência, incitação ao (auto)questionamento, todas essas são virtudes imprescindíveis para que haja uma conscientização saudável de onívoros de modo que comecem a refletir e considerar se tornarem vegetarianos em breve. Mas parece que desde muitos “slacktivistas” de Facebook até donos de sites aclamados de veg(etari)anismo estão se esquecendo disso e provocando, ao invés, o crescimento do reacionarismo e da antipatia contra vegetarianos e veganos.

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Daniel

setembro 20 2012 Responder

Embora eu concorde que seja “melhor” o ativismo “educado”, também vejo pontos positivos em ações um pouco mais indelicadas também, até um certo limite. Nesse caso acho que está dentro do limite. Não está agredindo ninguém diretamente. A crítica é à tal ‘zona de conforto’.

Acho que cada um reage de um jeito. Alguns precisam de uma sacodida. Falo por experiência própria. As vezes preciso de algo que me choque ou incomode, pra que eu ligue o [modo auto-crítica].

    Robson Fernando de Souza

    setembro 20 2012 Responder

    Isso inclui ser submetido a uma ordem grosseira que lhe tenta impor determinada mudança?

      Daniel

      setembro 20 2012 Responder

      Bom, talvez pode fazer a pessoa se questionar o que seria a tal “zona de conforto”, pra merecer tanto repúdio. Não significa que a pessoa vai obedecer a ordem, se é que isso é possível.

    Susana

    novembro 15 2013 Responder

    Concordo com Daniel :)

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