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set12

Toneladas de carne clandestina são apreendidas em frigorífico do Recife e contrariam crenças carnistas

Para quem acredita que toda carne vem hoje de animais abatidos de forma “humanitária”, uma notícia que contraria essa crença. Hoje a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) apreendeu 21 toneladas de carne bovina obtida de forma (incluindo abate) clandestina e parcialmente podre, num frigorífico da Imbiribeira, bairro da zona sul daqui do Recife.

A operação de apreensão começou sexta passada, depois de denúncias de moradores da vizinhança sobre fedor de carne podre vindo desse frigorífico. Quando a Adagro e a Vigilância Sanitária chegaram lá, encontraram parte da realidade da carne consumida em Pernambuco. O estabelecimento recebia bovinos vítimas da pecuária, matava-os de forma clandestina – presumivelmente às marretadas no crânio – e cortava a carne de forma também irregular, para depois embalar e vender o produto.

A carne clandestina e podre foi levada a um aterro privado na Muribeca, bairro do município vizinho Jaboatão dos Guararapes. Amanhã os fiscais vão retornar para abrir outra câmara frigorífica no mesmo estabelecimento da Imbiribeira.

“Encontramos carne sem registro e cerca de 40% dela estava estragada, com cheiro ruim, uma cor esverdeada”, disse Ednaldo Siqueira, chefe da Unidade Estadual de Inspeção Animal da Adagro, à Rede Globo (G1 Pernambuco), acrescentando acreditar “que, pelo tamanho, o frigorífico devia vender carne para grandes supermercados e restaurantes da Região Metropolitana do Recife”.

Essa apreensão é apenas uma pequena parte da realidade da carne que é comprada e comida em Pernambuco. Longe de corresponder às crenças carnistas de que a pecuária trataria e mataria majoritariamente os animais com “bem-estar”, há uma criação provavelmente recheada de maus tratos explícitos e baseada em abate obviamente cruel, à base de marretadas.

De forma alguma a pecuária com tratamentos bem-estaristas passa a ser ética e aceitável, mas na realidade muitas pessoas comem carne acreditando ingenuamente que ela vem das melhores e mais “humanitárias” fazendas de gado. Considerando-se que grande parte da carne (pelo menos bovina) pernambucana contradiz essa imaginação, a conclusão é que milhares de pessoas comem carne em estado de pré-deterioração, higienicamente nojenta e originada do mais cru sofrimento animal.

imagrs

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rumem

setembro 26 2012 Responder

O FRIGORÍFICO É O (COMÉRCIO DE CARNES PADRE CÍCERO)
QUE INCLUSIVE FORNECE CARNES PARA GRANDES REDES DE SUPERMECADOS E GRANDES RESTAURANTES DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE E INTERIOR DO ESTADO…

rumem

setembro 26 2012 Responder

e se for fiscalizar na loja que eles mantem aberto na av estradas dos remédios em afogados…. vai ter mais trabalho para os fiscais da adagro..

Sergio Henrique

setembro 25 2012 Responder

Mais importante do que as exigências legais, a população deve estar atento às exigências de ordem ética. Produtos de origem animal não são éticos sob diferentes perspectivas, em especial ante a constatação de que esses animais, embora sencientes e autoconscientes, são explorados e mortos contra sua vontade, atualmente para satisfazer vontades fúteis de humanos. Ainda que o abate seja feito de forma “humanitária”, o indivíduo abatido está sendo privado de suas experiências futuras, o que inaceitável sob o ponto de vista moral (para evitar o viés especista, imagine se seria moralmente aceitável fazer isso com uma animal humano de posse das mesmas características cognitivas).

Carlos

setembro 25 2012 Responder

A obtenção de carnes saudáveis dependem de abatedouros adequados e contratação de médicos veterinários para inspecionarem sanitariamente os animais e garantir um abate dentro das exigências tecnológicas e legais. Ações como esta da Vigilancia Sanitária e a ADAGRO são de suma importancia para esta garantia à população. É importante tabém que o consumidor esteja ligado e exija carne inspecionada.

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