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Bispo de Aracaju difama moralidade do “Ocidente ateu” e do paganismo

Repare-se que a maioria das denúncias de artigos carregados de preconceito contra ateus no Consciencia.blog.br é motivada pela intolerância de clérigos católicos ultraconservadores – e também pelo próprio papa Bento XVI. Dessa vez o autor do preconceito é o bispo auxiliar de Aracaju Dom Henrique Soares da Costa, que, em artigo cheio de exclamações, moralismo e revolta reacionária publicado no último domingo no site da Gazeta de Alagoas, também discrimina o paganismo como um conjunto religioso “imoral”.

Os trechos abaixo inspiram atenção especial por apontar contra o ateísmo e o paganismo uma falsa tendência à “imoralidade”, inspirados na mesquinhez de tentar controlar a vida sexual alheia e apontar uma falsa ameaça coletiva em ações de foro puramente íntimo:

Eis a sociedade ocidental: perdeu sua matriz, a fé cristã. Foi o cristianismo a principal seiva a alimentar a consciência do Ocidente, foi a fé cristã a raiz que sustentou nossa civilização, agora moribunda e irremediavelmente condenada à morte. Assim, tudo se pode esperar de deriva, de confusão moral, de leviandade, de inversão de valores!

Pode alguém não concordar, mas afirmo: não se mantém a longo a moralidade de um povo se se elimina sua matriz religiosa. Ocidente ateu, Ocidente em franca decadência moral!
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Nada justifica que pessoas brinquem assim com sua sexualidade e, pior ainda, num tremendo mau exemplo, difunda sua imoralidade como algo louvável. E mais um detalhe: os familiares apoiam ou, no mínimo, respeitam! Eis aonde chegamos. Nem Roma no seu período de degradação moral pagã chegou a estes requintes!

Basta! Não me alongarei mais. Não merece. Somente chamo atenção para a triste situação moral em que nos encontramos e da qual coisas desse tipo são sintomas. Mas, se olharmos bem, em maior ou menor escala, a mentalidade pagã e imoral (e não somente no aspecto sexual) está por toda a parte, aplaudida, endossada, defendida e difundida.

Para o bispo, ateísmo e paganismo significam “imoralidade”, já que subvertem a “moral cristã”. Percebe-se, aliás, que o bispo ignora que jamais existiu uma moral cristã unitária e singular. Desconhece que a moral do Brasil católico das épocas colonial e imperial permitia a escravidão de negros africanos e afrodescendentes, tornava imperativa a submissão da mulher e o tratamento da mesma como propriedade do pai ou do marido, criminalizava o judaísmo, perseguia cristãos protestantes, se omitia na destruição progressiva da Mata Atlântica e no genocídio dos indígenas e legitimava a ordem social baseada na oligarquia dos latifundiários.

E também, em sua patente ignorância histórica, omite da memória da História que cada denominação cristã tem sua própria interpretação moral da Bíblia – algumas denominações toleram o convívio com pessoas de outras (des)crenças religiosas e outras o condenam; algumas defendem a convicção moral do Jesus Cristo que andava com prostitutas, ladrões e pecadores, enquanto outras exaltam a moral dos fariseus que os jogavam no ostracismo; algumas defendem o respeito à orientação afetiva alheia, enquanto outras militam abertamente pela homofobia; algumas praticamente tratam o dinheiro como o segundo deus ao lado do Deus bíblico, enquanto outras condenam a usura, o comércio em nome de Deus e o acúmulo desnecessário de riquezas materiais; algumas liberalizam a indumentária dos seus fiéis, enquanto outras, por exemplo, obrigam as mulheres a andar de saias no mínimo na altura dos joelhos e as proíbem de usar calças.

E curiosamente fala, no último parágrafo, que “um discípulo de Cristo não deve se amargurar, não deve ser soberbo, não deve se julgar melhor que ninguém, não deve condenar em bloco o mundo, não se arvora em juiz mesquinho”, depois de ter feito um discurso completamente amargurado, cometido a soberba de considerar a moral dos católicos conservadores como a única moral certa, julgado os cristãos como moralmente “melhores” que os ateus e pagãos, condenado em bloco os últimos por supostamente estarem “imoralizando” o Ocidente e sido o próprio juiz mesquinho da sexualidade alheia.

Provavelmente ele seria processado e preso se difamasse a “moral judaica”, a “moral afrorreligiosa” ou o “Ocidente judeu”, mas, já que ofendeu minorias aparentemente menos expressivas – os ateus e pagãos -, nada se faz contra ele.

A página do artigo não tem espaço para comentários, mas é possível ateus e pagãos exigirem da Gazeta de Alagoas um direito de resposta contra o ódio moralista do bispo auxiliar de Aracaju descendo a barra de rolagem até a base da página, clicando em “Sugira a pauta” e escrevendo uma mensagem de protesto no formulário que aparece ao clicar lá.

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@ntiteísta Netto

outubro 13 2012 Responder

“Eis a sociedade ocidental: perdeu sua matriz, a fé cristã.”
Se tivesse mesmo “perdido” tal “matriz” este Criminoso estaria na Cadeia por Pedofilia, como a maioria de seus Parceiros de Crime.
Está provado: Ateofobia é uma Doença mas ao contrário da Esquizofrenia se “cura” com a Separação Total do Estado das igrejas.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo