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Desmentindo imagens antirreligiosas preconceituosas: “Evolução humana” compara religiões a lixo

Uma mania de muitos antiteístas é comparar religiões, mesmo em sua essência espiritual e filosófica, a lixo e afirmar que elas precisam ser erradicadas para que a humanidade vivencie uma evolução moral e racionalista. É o caso da imagem abaixo:

Como está claro, a figura em questão é preconceituosa e ofensiva, ao tratar fé e espiritualidade como lixo. Longe de perceber que culturas e também religiões vivenciam mudanças internas, trata o cristianismo, islamismo e judaísmo como coisas completamente malignas, descartáveis e incapazes de serem reformadas.

É de se acreditar que se critica aí a imutabilidade moral dos livros sagrados das três religiões, mas, se for isso mesmo, cai-se em erro. Isso porque religiões podem sim mudar, a exemplo de muitas igrejas cristãs espalhadas pelas Américas, em especial no Brasil e nos EUA. Nesses dois países, muitas igrejas defendiam o racismo, inferiorizavam negros, mas isso virtualmente acabou – ou pelo menos as igrejas racistas tornaram-se uma minoria quase imperceptível. O Conclílio Vaticano Segundo é outro exemplo de mudança religiosa, já que liberalizou diversos aspectos da doutrina católica.

Outros exemplos de mudanças religiosas foram a decisão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmon) de aceitar negros, o aparecimento de igrejas cristãs que respeitam a homossexualidade e a diversidade de crenças e descrenças, o fim do Tribunal do Santo Ofício, a abolição do antissemitismo enquanto dogma da Igreja Católica e a realização contemporânea de eventos ecumênicos – que seriam repudiados dois séculos atrás.

Religiões podem mudar, mesmo que isso seja lento e implique o abandono de parte da doutrina original dos livros sagrados – como o escravismo e o supremacismo religioso. É possível sim que o cristianismo, islamismo e judaísmo se tornem no futuro religiões libertárias, sem que isso prejudique o caráter espiritual dessas crenças.

Por outro lado, negar essa colocação é um direito, mas comparar fé e espiritualidade a lixo é uma ofensa enorme que inviabiliza o diálogo entre ateus e teístas. Não só perpetua uma situação de intolerância mútua, como também proporciona que os ateus continuem sendo vítimas de ódio religioso por “motivos” cada vez mais numerosos.

Se o indivíduo quer criticar as religiões, que o faça. Mas lançar ofensas infantis, como a difamação de personagens como Maomé e Jesus e a profanação de comparar símbolos sagrados com um lixo a ser eliminado, não é nem de longe uma maneira racional e sábia de convencer os religiosos à reflexão sobre a possibilidade de suas crenças morais estarem erradas. Não é nem um pouco produtivo e inteligente tentar ateificar a sociedade colocando na mesa posições intolerantes e fechadas a debate que, passando longe de esclarecer e dialogar dialeticamente, têm como única consequência lógica a incitação da revolta e ódio reativo dos religiosos contra os ateus.

imagrs

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Gabriela

fevereiro 22 2013 Responder

Eu entendo o sentido do seu post, mas tenho que discordar de grande parte dele.Você começa falando que a imagem trata a fé e a espiritualidade como lixo. No entanto ela está tratando as RELIGIÕES como lixo, porque fé e espiritualidade não é sinônimo de religião.

Depois você diz que a critica “deve ser” com relação a imutabilidade das religiões. E de fato você está certo em falar que as religiões não são imutáveis, mas o grande problema é que elas estão sempre atrasadas. o Concilio do Vaticano que você citou foi convocado em 1961 para aceitar ou não princípios humanistas do ILUMINISMO, que é de seculos antes diga-se de passagem. Os Mórmons aceitaram os negros na religião deles em 1978, ou seja somente em 1978 eles acreditaram que os negros fossem dignos da salvação, poque nessa religião se você não for mórmon você não será salvo. E até hoje se discute na igreja católica o uso da camisinha. Ou seja as religiões estão sempre muito atrás em relação as evoluções morais e éticas que passamos, elas não nos acompanham. Enquanto, ao meu ver, se elas fossem representantes do amor de Deus pelos homens, deveriam ser elas as PRIMEIRAS a nos abrir os olhos contra injustiças que cometemos com o próximo.

Na minha opinião as religiões deveriam sim ser jogados no lixo, não precisamos delas. Elas disseminam desrespeitos, preconceitos e é uma das principais fontes de discórdia entre os povos. A humanidade estaria melhor sem elas.

Não quero converter ninguém ao ateísmo, até porque eu não sou. Tenho minha fé que não depende de nenhum livro de fábulas descabidas para me guiar. Somos todos parte da criação de Deus a verdade está dentro de cada um de nós, ou seja Deus está dentro de cada um de nós.

Paulo F.

dezembro 24 2012 Responder

Sinto-lhe dizer amigo, mas um ateu nunca respeitará uma religião monoteísta.

Ernesto von Rückert

outubro 7 2012 Responder

Sou ateu e concordo plenamente com o que se diz aí. Não é com ofensas que se vai mostrar a improcedência da fé. Crentes não são burros por isso, nem ateus inteligentes por não ter fé. Respeito mútuo sempre se requer. Exceto em relação aos que exploram a fé dos outros em benefício próprio. E mesmo em relação a ateus que possam se valer do ateísmo para promoção pessoal.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo