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Desmentindo imagens antirreligiosas preconceituosas: “Religioff” 2

Mais uma imagem de Facebook maniqueíza ateísmo contra as religiões em geral e fantasia uma realidade “livre” de crenças religiosas:

Ela comete os seguintes erros e falácias:

a) Como toda imagem antirreligiosa que vem passando por aqui, essa também generaliza a todos os sistemas religiosos existentes – o que inclui desde as religiões abraâmicas até os sincretismos, neopaganismos, xamanismos, crenças indígenas, religiões dhármicas etc. – os abusos de uma denominação cristã (Igreja Católica medieval);

b) Falácia do espantalho: Diz que as religiões e a espiritualidade impedem o desenvolvimento das tecnologias, que religião (antropologicamente falando) teria algo intrínseco contra a tecnologia, quando isso nunca chegou a ser verdade, nem mesmo com a perseguição de cientistas questionadores de dogmas na Europa católica e no Oriente Médio depois do fim da Era de Ouro do Islamismo, e hoje em dia não há qualquer tentativa religiosa de impedimento do desenvolvimento das Engenharias e suas tecnologias;

c) Insiste no erro da imagem do falso “buraco científico” da “Idade das Trevas cristã”, ao supor uma realidade que seria impossível de qualquer jeito de acontecer no segundo milênio da era cristã;

d) Supõe, de forma totalmente infactual e improvável, que o futuro “jetsoniano” da imagem não terá qualquer forma de espiritualidade, mesmo minoritariamente;

e)Non sequitur com conclusão irrelevante: Estabelece uma relação, que na verdade não existe, entre a Inquisição e o futuro tecnológico das civilizações ocidentais. Cria a seguinte linha de raciocínio desconexa: “A Igreja Católica promoveu a Inquisição no passado, logo um mundo sem religião terá um futuro de tecnologias apreciavelmente avançadas.”

f) Cria uma falsa relação de oposição entre dois fatos que na realidade não possuem qualquer relação entre si – a Inquisição das idades Média e Moderna e o desenvolvimento tecnológico ocidental do século 21;

g) Também cria uma falsa oposição entre espiritualidade e a tecnologia, afirmando inveridicamente que uma sociedade com religiões não pode desfrutar de um desenvolvimento científico-tecnológico apreciável e assim negando partes valiosas da História humana – como o desenvolvimento das civilizações engenheiras da Antiguidade e da Idade Média (egípcios, maias, astecas, incas, nazcas, gregos, romanos, fenícios, chineses, sumérios etc.), a Era de Ouro do Islamismo, o fato de muitos nomes clássicos da Ciência terem sido religiosos e até mesmo tentado inserir crenças cristãs no meio científico (como Isaac Newton, René Descartes e o monge Gregor Mendel), entre tantos outros acontecimentos;

h) Ignora que, sem religiões para inspirar a tecnologia arquitetônica nas mais diversas civilizações – incluindo a Europa católica -, a Engenharia Civil de hoje provavelmente estaria séculos atrás do seu estado atual. Ou seja, se tivermos cidades “jetsonianas” até o final do século 21, iremos dever isso, em parte, aos avanços desse ramo da Engenharia empreendidos graças à demanda religiosa por templos;

i) Ignora as relações, destrinchadas por Max Weber, entre a ética protestante euro-americana e o desenvolvimento do paradigma industrial-capitalista do progresso material e tecnológico.

Novamente, fica um conselho: os antiteístas precisam ter conhecimento mínimo sobre a História humana, incluindo a própria História da Ciência, antes de saírem esmurrando espantalhos vestidos de padre e induzindo outros ateus a erros históricos e filosóficos.

imagrs

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