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[Urgentes] “Justiça” Federal ordena expulsão dos Guaranis-Kaiowás da terra de Nhu-Verá em Dourados (MS)

Denúncia quente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) mostra que a luta do povo Guarani-Kaiowá não terminou com a suspensão hoje da liminar que oprimia os indígenas assentados na terra de Pyelito-Kue, Iguatemi (MS). Depois da vitória, mesmo se for provisória, dos nativos daquela terra, outra tribo Guarani-Kaiowá está sendo ameaçada de expulsão de seu território ancestral por uma “Justiça” que favorece os opressores.

O Cimi denunciou hoje que outra terra natal indígena, agora a de Nhu-Verá, em Dourados, também no Mato Grosso do Sul, está sob ameaça por parte do Poder Judiciário brasileiro. Segundo o Cimi, “uma decisão da Justiça (sic) Federal em Dourados autoriza a desocupação e reintegração de posse de 26 hectares de terra ocupados pelos indígenas”, e há autorização para que a polícia local use violência contra os indígenas quando estes começarem a resistir.

Diz a notícia que, “segundo a decisão, os Kaiowá deverão desocupar a área no prazo de trinta dias, a partir da data da intimação dos indígenas, e receberão multa diária no valor de 100 reais no caso de nova ocupação”, num contrassenso absurdo do Estado brasileiro de impor aos Guaranis-Kaiowás o uso de dinheiro e, portanto, a submissão daquele povo à cultura econômica mercantil da “civilização” brasileira.

Não bastasse, aliás, impor aos Guaranis-Kaiowás o pagamento de dinheiro para os “civilizados”, há também a etnocêntrica e arbitrária exigência de provas escritas ratificadas pela burocracia do Estado de outra civilização, leia-se documentos reconhecidos em cartórios, que comprovem que a terra de Nhu-Verá é uma terra tradicional daqueles indígenas, conforme afirma o juiz José Luiz Paludetto, que “deferiu o pedido de liminar dos dois fazendeiros [Achilles e Lenita Decian, proprietários da Fazenda Curral de Arame, instalada sobre o território indígena] e expediu mandado de desocupação e reintegração de posse da área [contra os nativos]”.

Contam os Guaranis-Kaiowás sobre a vida em seu tekoha (terra natal sagrada), segundo o Cimi:

No tekoha Nhu Verá, as famílias plantam mandioca, abacaxi, banana, milho, manga, pokã. “Sem veneno. Tudo bonito. Gosto de deixar herança. Todo ano dá muita pokã. A gente não dá nem conta de comer”, diz Shatalim [Graito, liderança guarani-kaiowá]. “Nós precisamos de espaço. Hoje já não é assim e por isso os índios brigam demais”, referindo-se à vida de confinamento nas reservas indígenas.

“Índio gosta do mato. Quando eu tenho que ir na cidade resolver alguma coisa, eu chego lá, me incomodo. Fico dez minutos e quero ir embora. Eu gosto é do mato. Fico o maior alegre quando tô no mato. Eu chamo tudo bicharada. Por isso quero ficar aqui”, aponta.

Os indígenas de Nhu-Verá, assim como os de Pyelito-Kue, prometem resistir contra a força policial-militar que o Estado pretende usar a mando dos latifundiários. E por isso novamente precisa da nossa solidariedade. Desde já o Consciencia.blog.br fica no aguardo de abaixo-assinados a serem preenchidos por quem reconhece os direitos dos indígenas à sua própria humanidade, ao seu próprio modo de vida, à sua própria cultura e às suas terras que os brancos lhes tomaram com violência ao longo de séculos. Por enquanto, é possível assinar a petição do Cimi pela causa indígena brasileira (contra a PEC215, pela demarcação de todas as terras indígenas no território brasileiro e pela urgência nos julgamentos fundiários que interessam aos indígenas).

Lembremo-nos que, se não fosse a repercussão na internet da decisão opressora inicial da “Justiça Federal” de expulsar os Guaranis-Kaiowás de suas terras em Pyelito-Kue/Iguatemi, a esta altura estaríamos a poucos dias de um genocídio que comprovaria que indígenas aqui não têm direitos perante o rolo compressor assassino do agronegócio e sujaria ainda mais de sangue a história do Brasil.

A luta Guarani-Kaiowá continua. Somos tod@s Guaranis-Kaiowás (inclusive em nosso nome no Facebook).

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Vinícius

outubro 31 2012 Responder

LOL ri de mais das aspas em “Justiça”. Simplesmente genial :D

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