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Machismo onde menos se espera: charge difere julgamento de homens e mulheres pelos óculos

Este post vai fazer me chamarem de “radical”, de “policial do politicamente correto”, de “moralista” ou sabe-se lá mais que adjetivos ou substantivos podem achar no momento. Mas isso não me intimida de fazer a reflexão deste post. Trata-se aqui de uma imagem que achei no Facebook, sobre como o óculos, segundo interpretei, planta ou derruba impressões preconceituosas sobre a aparência das pessoas:

Curiosamente a figura mostra três homens em quem o óculos faz parecer terem profissões diferentes, mas a mulher em específico, a única que aparece, não é mostrada com o contraste de profissões, mas sim em como ela, de acordo com o que é julgado de sua aparência, imaginariamente lidaria com homens que a paqueram – sem óculos, “fácil”; com óculos, “difícil”. E, claro, sendo um exemplo de mulher paquerável, é branca e loira, sendo impensável que fosse retratada como uma negra ou parda.

E não há nenhuma outra mulher na imagem. Fica então patente o contraste de caráter machista.  Em outras palavras, a presença ou ausênciad do óculos suscita prejulgamentos sobre com que o homem trabalha ou como a mulher serve aos homens.

A imagem não é um caso isolado de como se vê o valor dos homens e das mulheres. É parte de um contexto sociocultural em que os homens, incluindo gays, são reconhecidos por seu talento profissional, por sua vocação e competência, enquanto as mulheres têm seu valor medido quase que somente por sua beleza e pela forma como lidam paquerativamente com os homens heterossexuais. Principalmente pelos rapazes de faixas etárias entre os 15 e os 30 anos, elas não costumam ser reconhecidas principalmente se são, por exemplo, professoras/estudantes/atrizes/empresárias/vendedoras/sociólogas/engenheiras/físicas/etc. de competência marcante, mas sim se são bonitas (“gatas”) ou feias (“barangas”) ou se são consideradas fáceis/”volúveis” – e por isso pejorativamente consideradas “putas” ou “vadias” – ou difíceis/”c* doce” – o que também atrai a repulsa de muitos rapazes.

Fica a amostra de como, mesmo quando não percebemos, como no caso do autor da imagem acima ao criá-la, acabamos incorrendo em vícios de comportamento machista, em manifestações de uma visão machista da realidade de papéis de gênero, em contrastar a valorização do interior do homem com o foco exclusivo no exterior da mulher em detrimento do seu interior.

imagrs

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Ligia

novembro 12 2012 Responder

“E, claro, sendo um exemplo de mulher paquerável, é branca e loira, sendo impensável que fosse retratada como uma negra ou parda.”

Se fosse retratada como negra ou parda, você estaria forçando o estereótipo até o limite, dizendo que o autor do desenho foi “racista” ao associar a mulher negra ou parda a um objeto sexual. O cara foi inteligente e previu o problema. Pode ser chamado apenas de machista por gente como você…

Zeca

novembro 11 2012 Responder

Poderíamos analisar duas camadas dessa charge, uma seria o que o desenhista imagina das figuras com e sem óculos e outra do que um observador imagina. Infelizmente o chargista contaminou o desenho colocando uma legenda abaixo de cada figura e o observador ficou com sua interpretação prejudicada. O certo seria apresentar as figuras sem legenda e perguntar o que o observador pensa delas. Daí, provavelmente teremos uma ampla variedade de respostas refletindo a ampla variedade de pensamentos dos diversos observadores.

Vides

novembro 11 2012 Responder

Algém aí citou a palavra “patético”? Pois é… foi minha única impressão.

marcelo

outubro 31 2012 Responder

chamar de ‘policial do politicamente correto’, ‘radical’, moralista’ seria elogia. isso é coisa de ‘nego atoa’.

Danizita

outubro 28 2012 Responder

Realmente chega a ser patético.

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