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[OFF] Os índios Guaranis-Kaiowás prometem morrer em sua terra por causa de opressão pública e privada

Embora não seja diretamente um dos temas do Consciencia.blog.br, a opressão contra indígenas é algo que não pode passar em branco nos blogs que lutam pela emancipação humana, não humana e da Terra. E está em andamento um processo genocida no Mato Grosso do Sul, em que a Justiça Federal, em favor de latifundiários envolvidos com exploração animal humana e não humana, ordenou criminosamente a expulsão dos indígenas do povo Guarani-Kaiowá da terra onde vivem há séculos ou milênios. E estes estão prometendo para muito em breve lutar até a morte em suas terras, o que vai manchar de sangue e rechear de vergonha a história contemporânea do Brasil.

O jornalista Bob Fernandes explica em vídeo a dramática situação, que pode colocar o governo Dilma e o famigerado agronegócio brasileiro na lista sombria de entidades envolvidas com genocídios indígenas ao redor do mundo nos últimos 600 anos:

E abaixo, a carta divulgada pelo desesperançoso povo aos brasileiros:

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil

Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.

Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.
Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.

Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.

Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

***

Isso está acontecendo à revelia de qualquer atenção solidária do governo federal comandado por Dilma “Thatcher” Rousseff. É notável, aliás, que a política indigenista desse governo, tanto no seu poder executivo como no legislativo, é justamente oprimir indígenas, com direito ao confisco de seus territórios natais, como no caso de Belo Monte e da mineração em grande escala.

Não bastasse estarmos às vésperas de um conflito em grande escala entre indígenas e militares na Volta Grande do Xingu por causa de Belo Monte, também estamos às vésperas de outro conflito militar com um povo que, dominado pelo desespero e pela desesperança, não vê mais como salvar suas terras e tradições do criminoso e extremamente opressor modelo econômico vigente na ruralidade brasileira.

E isso, aliás, como afirmou Fabio Chaves do ViSta-se no link dado mais acima, tem bastante a ver com a alimentação do brasileiro médio, já que muitos dos latifundiários interessados no massacre dos guarani-kaiowás são pecuaristas ou produtores de grãos destinados majoritariamente à forragem animal. Por mais que se resista em admitir, a carne que se come no almoço derramou não só sangue bovino, suíno ou galináceo, mas também sangue humano, indígena.

Os indígenas da Volta Grande do Xingu e de Pyelito Kue/Mbarakay (no Mato Grosso do Sul) estão prestes a adicionar um capítulo sangrento à História do Brasil, graças ao governo Dilma, à Justiça Federal e aos latifundiários cujo dinheiro que ganham é manchado de sangue inocente humano e não humano.

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6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Luciano Ramalho

novembro 5 2012 Responder

É uma pena que um blog que se chama “consciencia” se dedica a espalhar esta distorção da mídia sobre o suposto plano de suicício coletivo. Os Guarani-Kaiowá em nenhum momento anunciaram a intenção de se matarem. Leia com atenção a carta que você mesmo publicou: “Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui.”. Não existe menção de suicídio.

É uma atitude bem diferente daquela que a imprensa desatenta ou mal-intencionadas está divulgando e você reproduziu até no título do post. Porque quando acontece um suicídio, a responsabilidade é apenas de quem se matou. Mas não é o que os Guarani-Kaiowá escreveram: eles escreveram que vão ficar lá para serem mortos. A responsabilidade é de quem planeja matá-los.

    Robson Fernando de Souza

    novembro 5 2012 Responder

    As informações que circularam na ocasião eram em torno de um “suicídio coletivo”, mas foi refutado depois. Vou ajeitar o post.

Ivo

outubro 28 2012 Responder

Bom , o Brasil deveria apoiar os indios, suicidio coletivo jah, pena que nao fazem campanha para isso.

    Robson Fernando de Souza

    outubro 28 2012 Responder

    Você percebeu que ao falar “Suicídio coletivo já”, parece que está defendendo que os índios realmente se matem?

Vanessa D

outubro 25 2012 Responder

Isso é um absurdo, como eles mesmos dissem, como vão procurar a justiça se a própria justiça federal está fazendo isso? Nesse país só há opressão aos direitos,injustiça,corrupção,pobreza e assim vai…

rafael oliveira monteiro pinto

outubro 24 2012 Responder

as coisas estão invertidas nesse mundo…tem algo errado, o dinheiro nos deixa cautelosos e o amor verdadeiro é raro.

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