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[OFF político] Edilson Silva vai fazer valer os votos dos seus eleitores e será vereador ‘de facto’ do Recife

Edilson Silva, o 40º vereador do Recife entre 2013 e 2016

Depois de um dia que provou que a democracia brasileira é um mito, o candidato a vereador do Recife Edilson Silva resolveu chutar o pau da barraca e decidiu: será vereador de facto da cidade, representando seus eleitores e as camadas populares da cidade. Num ato de desobediência civil que desde já tem os aplausos da população – incluindo de muitos que não votaram nele -, ele anunciou em seu blog que será, mesmo sem ser de jure (legalmente reconhecido), mas sendo respaldado pela vontade do povo, o quadragésimo vereador do Recife (a Câmara Municipal da cidade tem 39 cadeiras de vereador).

A atitude de Edilson é um lampejo da resistência democrática num país cuja lei eleitoral dá vazão a acontecimentos bizarros que ferem o princípio central da democracia estatista, que é a submissão do Estado à vontade popular.

Abaixo, um trecho da declaração dele e o link para o texto completo:

 

13.661 vezes muito obrigado! Vamos assumir nosso mandato! Somos o 40º vereador do Recife!
por Edilson Silva, vereador eleito de facto

[…] o momento não é para lamentações – muito pelo contrário, mas para muita comemoração. O povo do Recife elegeu Edilson Silva vereador da cidade. Vamos assumir este mandato e encaminhar todas as demandas e reivindicações que trabalhamos durante a campanha. Recife, a partir de hoje, por vontade popular, já tem um 40º vereador. Nosso mandato não terá o diploma do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), mas o diploma da legitimação da população. Trata-se da obediência cidadã contra a desobediência antidemocrática da formalidade das regras eleitorais. [Nota do Consciencia.blog.br: Creio que ele quis dizer “Trata-se da desobediência cidadã contra a obediência antidemocrática da formalidade das regras eleitorais.”]

Vamos alugar uma sala ao lado da Câmara que funcionará como nosso gabinete. Teremos assessorias colaborativas, voluntárias, qualificadas, acompanharemos e fiscalizaremos, com rigor, todos os atos do Executivo e do Legislativo. Cumpriremos o mandato que o Recife nos delegou.

Vamos estabelecer com a Câmara, em audiência com seu futuro presidente, uma relação política altiva e de colaboração na defesa dos interesses da cidade, começando por buscar reverter o aumento salarial de 62% que os vereadores se concederam e a redução de alguns benefícios que podem ser interpretados como privilégios, como 14º e 15º salários.

Vamos marcar audiência com o presidente do TRE, na condição de Presidente do PSOL-PE e vereador de fato da cidade, e estabelecer com a instituição uma relação de colaboração e respeito no intuito de qualificar nossa democracia e seu funcionamento cotidiano.

Vamos marcar audiência com o prefeito eleito Geraldo Julio é colocarmo-nos totalmente à sua disposição para colaborar com sua gestão na reversão do projeto Novo Recife no Cais José Estelita; na ampliação das ciclovias e ciclofaixas na cidade; na recuperação do Programa Saúde da Família e do SUS; para pagar o piso nacional do magistério aos professores; para cuidar de nossos rios, mangues, lagoas e açudes; para garantir estrutura e políticas públicas que combatam as opressões em nossa cidade; para colocar no ar a Rádio Frei Caneca; para regularizar a situação das creches públicas e profissionais que nela trabalham; para democratizar a gestão administrativa e financeira dos mercados públicos; para reorganizar e modernizar a legislação que trata da ocupação e uso do solo em nossa cidade; para garantir finalmente que tenhamos licitação pública na concessão da exploração dos transportes coletivos na cidade; para garantir Passe Livre aos estudantes e desempregados no transporte público de nossa cidade; para garantir banda larga de internet a toda a cidade; etc. O prefeito poderá contar, portanto, com mais um vereador para apoiá-lo na defesa de nossa cidade e do povo que nela vive.

[…]

 

Desde já o Consciencia.blog.br, inclusive em nome de muitos de seus leitores, parabeniza Edilson Silva pela decisão e exalta a postura do nosso vereador eleito de facto. Essa atitude, além de corajosa e munida da força popular de 13.661 pessoas, é enfaticamente necessária num país cuja lei eleitoral dá margem a injustiças crônicas, como deputados federais de caráter duvidoso serem eleitos com menos de mil votos por causa de outros que arrebanharam uma quantidade enorme de votos (vide casos de Enéas e Tiririca) e vereadores populares que, pelo “pecado” de terem sido os únicos de suas coligações com chances reais de serem eleitos, acabam sendo excluídos do direito de empossar.

Deve-se inclusive enfatizar aqui que a postura de Edilson durante sua campanha foi de uma retidão impressionante, com o compromisso ambiental de evitar os poluentes santinhos, os cavaletes e os incômodos carros de som e partir para o verdadeiro contato popular, para o boca-a-boca – seja por telefone, tendo eu inclusive recebido uma ligação dele, a quem eu tinha dado meu número meses antes, seja presencialmente – e sem prometer aos eleitores nada além do compromisso de representá-los dignamente na Câmara de Vereadores. Ele inclusive se firmou em princípios éticos que provavelmente nenhum outro candidato seguiu, como o compromisso sincero de reger seu mandato com uma ética inédita na Câmara recifense. Deixá-lo de fora foi um autêntico crime de lesa-povo.

Nosso desejo é que Edilson se firme como um exemplo de praticante da desobediência civil, contra a legislação injusta que favorece a eleição de corruptos em quem menos de mil pessoas confiam, fomenta a pluto-aristocracia partidária eleitoral – na qual as coligações mais endinheiradas e apadrinhadas por poderosos têm uma vantagem enorme sobre as menos orçadas e respaldadas por gente interesseira – e torna imperativa a montagem de coligações frankensteinianas que, se não convergem implicitamente em princípios conservadores, são desprovidas de qualquer razão ideológica. E que o exemplo dele inspire a população recifense e de tantas outras cidades a pressionar o Poder Legislativo federal por uma reforma política – muito embora eu seja descrente de que a maioria dos deputados federais e senadores estejam interessados nessa reforma, que contraria os interesses plutocráticos e corporativistas dessa gente.

Parabéns e obrigado, Edilson Silva. E, com força, nos represente na Câmara (ou ao lado dela), à revelia da legislação eleitoral bizarra que tentou excluir você do direito de representar o povo que o elegeu!

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Jesiel

outubro 9 2012 Responder

Na prática, ele vai ser apenas um cidadão comum cobrando de perto o poder público (o que todo mundo deveria fazer), não? Não vi nenhuma abertura pra “desobediência civil”, já que pela burocracia ele não terá, de fato, nenhuma participação na câmara.

    Robson Fernando de Souza

    outubro 9 2012 Responder

    Na verdade não sei se vai ser simplesmente isso ou se ele vai se munir de alguma prerrogativa maior.

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