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Reflexão sobre o antropocentrismo do meme “Somos todos iguais”

O meme abaixo me fez pensar sobre a questão dos limites da ética antropocêntrica:

A imagem serve muito bem ao propósito de mostrar que não existe nada, pelo menos fisicamente falando, que torne os seres humanos desiguais em direitos, dignidade e consideração moral. Mas, de forma pouco perceptível, esbarra no limite de que apenas seres humanos são iguais em merecimento de direitos básicos e respeito moral. Se colocássemos, ao lado dos esqueletos humanos, os esqueletos de cães, gatos, bovinos, porcos, cavalos, burros, salmões etc., haveria diferenças tremendas de anatomias, e isso passaria a invalidar a lógica da imagem de que, pela igualdade de esqueletos, todos seriam moralmente iguais. Por serem fisicamente diferentes, passariam a ser também desiguais.

Certamente a pessoa que criou essa imagem-meme não tinha qualquer intenção de considerar os animais não humanos seres inferiores, indignos de respeito, mas sim apenas de dizer que todos os seres humanos são iguais em direitos e dignidade. Mas, por uma observação não especista, mesmo essa imagem esbarra nos limites éticos do antropocentrismo.

De alguma forma, essa reflexão nos convida a enxergar que espécie (pelo menos animal), além de raça, (des)crença religiosa, gênero, sexo, faixa etária, etnia, nacionalidade, limitações físico-mentais etc., também é algo que deveria deixar de ser motivo para tratamentos moralmente desiguais.

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Gustavo

dezembro 28 2012 Responder

Esse tipo de especismo chega até a ser uma doutrina dentre os meios acadêmicos! É como se buscassem uma justificativa que seja a “divisora de águas” entre o ser humano e os “animais” (sem procurar diferenciar todas as múltiplas espécies). Ensinam desde cedo que o ser humano é o único ser cultural, técnico e racional. No fim, quando tais características são reveladas em outras espécies (presentes em vários artrópodes que vivem em colônias, vertebrados como golfinhos e etc.), a maior diferença é que o ser humano é irrefutavelmente o único ser que altera sua tecnologia “constantemente” – o que é relativo.
Até aí tudo bem. Mas e como ficam as tribos indígenas que tiveram contato com “o mundo ocidental” mais recentemente, isso sem considerar que ainda existam tribos não “contactadas”? Eles não são humanos por não se envolverem no sistema industrial? Toda essa ideia de “natureza humana” é algo impraticável e teórico, e serviu de desculpa para inúmeras investidas imperialistas (sobretudo romanas) desde os tempos de Platão.
Todo esse papo de “ser humano” começou de uma brincadeira tendenciosa. Negros só viraram seres humanos pois era bem melhor que estes fossem consumidores assalariados do que escravos que não comprariam produtos do mesmo sistema.
O problema nesse caso vem de longa data. É histórico, e tratando da filosofia relativamente recente (Moderna), vemos que o que as escolas ensinam até hoje é um pensamento cartesiano de que “Ser Humano” está entre Deus e os Animais. Não é diferente daquele famoso trecho bíblico do Gênesis.
A divisão de espécies em si serve apenas para propósitos científicos, mas sempre encontram um nicho para servir como fonte exclusiva de direito. Nesse caso, essa rotulação não é diferente dos outros “ismos” já citados.

Alex

outubro 9 2012 Responder

Verdade. Se fala tanto contra o racismo, sexismo, nacionalismo, e tantos outros “ismos” com tanta vontade, mas o especismo continua escondido por um silêncio aterrador…
Tudo devido a arrogância e pretensão humana de “ser superior”, e parece que isso chega até aos nossos irmãos evolutivos, como pude constatar a poucos dias em uma reportagem de uma influente revista que mostrava o seguinte título: “Estudos comprovam que humanos tiveram filhos com neandertais”. Então nem o Homo neandertalensis pode ser considerado como “humano”??

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