16

nov12

Mídia omite desmatamento que será causado pela construção do Porto Sul de Ilhéus (BA)

Distrito de Aritaguá, em Ilhéus (BA), com destaque para a grande área de mata atlântica ameaçada pela construção do Porto Sul

De ontem para hoje, a mídia online vem publicando que o Ibama concedeu licença prévia para a construção do Porto Sul, no distrito de Aritaguá, em Ilhéus, na Bahia, e vem focando exclusivamente no lado econômico do empreendimento. Porém, de cinco notícias publicadas sobre o tema até este momento (G1, Portos e Navios 1 e 2, A Região e Tribuna da Bahia), nenhuma cita o desmatamento de mata atlântica que será causado por tal obra.

A mídia vem ignorando totalmente o que o SOS Mata Atlântica avisou há seis dias. Abaixo, um trecho do que a página do manifesto contra o licenciamento ambiental do porto alerta:

Diversas Organizações Não Governamentais que atuam na proteção do Meio Ambiente e do patrimônio SocioAmbiental, incluindo a Fundação SOS Mata Atlântica, publicaram na última quinta-feira (8/11) um manifesto contra o Licenciamento Ambiental do Complexo Portuário de Serviços Porto Sul que será instalado em Ilhéus, no sul do Bahia.

A área onde se pretende instalar o Complexo Intermodal Porto Sul está inteiramente incluída na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e foi alvo da criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Encantada devido à sua importância para proteção dos valiosos ecossistemas remanescentes da Mata Atlântica na bacia do Rio Almada, sua nascente, os manguezais e áreas úmidas associadas a seu estuário, além da riqueza que possui como abrigo de espécies raras da fauna e flora locais, e da sua grande beleza cênica. Além disso, o Sul da Bahia abriga uma reconhecida biodiversidade marinha, e seu mar e costa possuem relevante valor ecológico, de proteção do litoral, sendo também importante fonte para a produção pesqueira.

A instalação do Complexo Porto Sul na região (que prevê terminal ferroviário, porto, retroporto, rodovia e um aeroporto internacional) terá fortes impactos sobre o ecossistema, com prejuízo às populações que dele dependem para atividades como pesca e turismo.

Com isso a imprensa demonstra como, além de não ser nada imparcial, é nota zero em responsabilidade ética, já que favorece os interesses daqueles que buscam aumento do lucro a todo custo e anula causas populares, como a ambiental. Se depender dessa mídia, a maioria da população continuará desconhecendo as autênticas atrocidades ambientais envolvidas em cada obra do predatório e antissustentável PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Nisso tiramos a conclusão de que a luta socioambiental passa essencialmente tanto pela democratização da mídia como pelo questionamento do sistema político-econômico inteiro vigente (capitalismo com ideal de crescimento econômico infinito, alojado em sistema político representativo partidário).

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

jorge eduardo macedo

novembro 22 2013 Responder

Será uma verdadeira devastação ambiental a obra do porto sul tanto ao bioma como as comunidades que vivem da agricultura e pesca, projeto que favorece somente à Bamin e ao grupo político que governa a Bahia que são uns verdadeiros farsantes que só olham o interesse próprio, ou seja dinheiros para eles e miséria para o povo. Isto é um crime à natureza humana e ambiental.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo