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nov12

[Urgentes] Americanos anunciam e comemoram vitória de Obama. Reflexão de brasileiro sobre o caso

Os cidadãos dos Estados Unidos estão anunciando e comemorando no Twitter a reeleição de Barack Obama para presidente de lá. No Twitter há muita comemoração, algumas redes de notícias dos EUA (como a CNN) anunciaram Obama como vencedor das eleições 2012, a BBC Brasil também confirma Obama como presidente por mais quatro anos.

O momento é de alívio para o mundo, já que o perigo de um republicano reacionário voltar a assumir a presidência, ameaçar os direitos das minorias internas, desmontar a já precária política ambiental interna e externa americana e piorar a já deplorável situação de opressão sofrida por povos como o palestino foi afastado por mais quatro anos. Ao contrário de 2008, não há mais esperança, ao redor do mundo, de Obama realmente fazer a diferença positivamente e peitar a máfia corporativa, os milicos de seu país e os reaças perseguidores de mulheres, de LGBTs, de imigrantes, de ateus e de outras minorias, mas os EUA e o restante do mundo consideram que é mais aceitável um presidente que não faça nada do que um que invista em políticas opressoras inter e intranacionais.

Já que Obama não fez tanta besteira assim em comparação a um Bush ou Reagan da vida nos últimos quatro anos, é pouco provável que ele dê uma guinada à direita e comece a fazer essas besteiras nos próximos quatro. O mundo agradece aos americanos que votaram pela reeleição dele, mas continua e continuará sempre alerta para os possíveis abusos militares, geopolíticos, (anti)ambientais e capitalistas que ele possa eventualmente ser induzido pela elite militar e corporativa e pelos parlamentares conservadores de seu país a fazer.

Já podemos dormir sossegados, já que a ameaça republicana foi novamente vencida por enquanto. Mas isso não é uma deixa para aceitarmos inquestionavelmente que continuemos para sempre inquietos de medo de um eventual presidente republicano americano, conforme coloco na reflexão a seguir.

 

Reflexão de um brasileiro sobre a necessidade de o mundo temer as eleições dos EUA

Quando o mundo olha apreensivo para que uma singular pessoa, que sequer traz uma proposta de mudar uma ordem injusta, seja eleita e outra perca a eleição, é porque algo está errado no mundo. Esse algo errado é a existência de impérios, sejam eles militares-territoriais ou culturais-econômicos-geopolíticos. Os EUA, queiramos nós ou não, ainda é um império de envergadura global, constituiu-se assim desde o século 20. Continua tendo uma notória autoridade sobre o mundo – leia-se sobre outros Estados -, a ponto de que o destino de uma única pessoa  signifique uma série de preocupações globais.

Se os EUA espirram, o mundo pega uma gripe suína. Se um republicano vence, a atmosfera do planeta se torna mais quente do que já é e milhares de seres humanos perdem a vida. O planeta continua sob jugo geopolítico dos EUA, e isso idealmente não deveria acontecer.

Sonho com o dia em que, graças a uma revolução interna que desetilize, desimperialize e desmilitarize o Estado federativo daquele que jura ter o mesmo nome do continente inteiro, os terráqueos em geral não precisem mais roer as unhas por causa do destino de uma única pessoa. Aliás, meu sonho verdadeiro é ainda mais avançado. Nele, ninguém mais vai precisar dos desígnios de um único indivíduo (o presidente, primeiro-ministro ou rei) para ser uma pessoa digna, com direitos, respeitada pela sociedade e possuidora de uma vida que vale a pena viver.

Nesse sonho, a globalização como conhecemos hoje será substituída pela globalidade de nossa cidadania. Seremos cidadãos do mundo e soberanos de nós mesmos. Na globalização com que sonho, toda a humanidade será soberana de um único “país” global, mas um “país” sem Estado, sem governantes. Nossa sorte e dignidade não dependerão mais de uns poucos indivíduos, que podem ser ou pessoas bem intencionadas mas inibidas pelo sistema econômico e político vigente, ou autênticos “vilões” que trabalham por interesses privados, elitistas e excludentes, oprimem os detentores dos interesses públicos e discriminam pessoas das categorias sociais dominadas.

No mais, o ideal seria lutarmos pela chegada de um dia em que não precisaremos mais ficar com medo de que um direitista ganhe as eleições do Poder Executivo a milhares de quilômetros daqui. Nesse dia, vamos poder olhar para o passado e ver como éramos fracos e submissos ao comemorar a vitória de uma única pessoa que, no final das contas, nem iria mesmo fazer a diferença para as minorias oprimidas do mundo.

Americans, you can make the world stop worrying about your nation’s election. You must break the political tradition and struggle for a reality in which your candidates stop worrying the whole Earth. Or better, you must open the doors to a reality in which there’s no more politicians acting like “evil” people on supressing rights, oppressing human and nonhuman beings and governing for injustice. After the “American Revolution”, do the “American People Revolution”.

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