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dez12

[OFF] Rafael Azzi: as razões de ser Guarani-Kaiowá
Explosão de novos nomes nas redes sociais expressa projeto civilizatório para século 21. Mas na mídia, prefere-se cultuar velhos fracassos… (Fonte: artigo original)

Explosão de novos nomes nas redes sociais expressa projeto civilizatório para século 21. Mas na mídia prefere-se cultuar velhos fracassos… (Fonte: artigo original)

Antes do post que vai selar as férias do Consciencia.blog.br, trago o trecho inicial de um texto que nocauteia as obra(da)s reacionárias que surgiram na época dos perfis “Guarani-Kaiowá” do Facebook. Vale relembrar que ainda existe pelo menos uma ameaça de expulsão de Guaranis-Kaiowás de uma de suas terras natais.

 

As razões de ser Guarani-Kaiowá
por Rafael Azzi

O conflito dos índios da etnia Guarani Kaiowá com fazendeiros do Mato Grosso do Sul, que segundo a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, pode converter-se na maior tragédia contemporânea relacionada à questão indígena em todo o mundo, tem sido praticamente ignorado pela grande mídia. Em contrapartida, a causa dos índios Guarani Kaiowá tem despertado bastante receptividade e difusão nas redes sociais.

Uma forma original de manifestação de apoio mostrou-se particularmente popular: a mudança do nome no perfil de cada usuário da rede. Acrescenta-se ao avatar o termo Guarani Kaiowá, como se o indivíduo também fosse parte da tribo em questão. De certa forma, forma-se uma nova “tribo”, composta pelos “Guarani Kaiowá” virtuais. Trata-se de um gesto simbólico, uma forma interessante e original de divulgar a causa, além de se mostrar uma maneira de empatia com uma comunidade indígena vítima de violência e de opressão.

Surpreendentemente, esse singelo ato inofensivo gerou uma onda de reações agressivas por parte de diversos articulistas da grande mídia. Em sua maioria, eles flertaram com argumentos do século XIX que, infelizmente, ainda fazem parte do senso comum. Apresentaram os índios como um povo atrasado, cuja cultura deve ser assimilada em nome do avanço do “progresso” da civilização ocidental. Alguns foram além na argumentação e, semelhantes aos primeiros jesuítas, há cinco séculos, compararam os índios a uma comunidade ainda em estado infantil. Colunista de um dos principais jornais do país chegou a defender a ideia de que as pessoas que acrescentam um nome índio ao seu devem ser classificadas como doentes mentais.

Toda essa ira desproporcional conduz à reflexão sobre o fato de nós, brasileiros, ainda termos vergonha da identidade indígena presente em nossa história social e individual, em maior ou menor escala. Parece que o processo colonizador causou danos permanentes na psique nacional, pois refutamos veementemente a ideia de sermos confundidos com os índios, o povo “primitivo”. Queremos nos assemelhar ao colonizador: europeu ou norte-americano, ocidental, branco e “civilizado”.

O fato interessante é que, se tivermos coragem e curiosidade, e perguntarmos para qualquer norte-americano ou europeu veremos que, por mais que isso atinja nosso orgulho, eles não nos consideram ocidentais. Em sua visão, não somos ocidentais (e nem brancos, não importa o quão alva sua pele seja ou o quanto você destaque o ramo europeu da sua ascendência). Tal fato parece chocante e difícil de aceitar. Seríamos uma ex-colônia que recebeu influência de pelo menos mais duas culturas em sua constituição: a negra e a índia. Pensamos e agimos diferente. Eles nunca nos aceitarão em seu clube deles, por mais que tentemos desesperadamente macaqueá-los.

Leia o texto completo aqui

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sami Guaraná Kuat

dezembro 26 2012 Responder

Ofensa fascista apagada e comentador bloqueado. Ele já estava advertido há algum tempo, mas veio com comentário grosseiro e agora está vedado de comentar. RFS

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