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dez12

[OFF] Racismo no ensino privado: cadê os alunos negros nos anúncios?
Encontrar anúncios de escolas que incluam pelo menos um negro ou negra é um desafio. O anúncio acima mostra quatro crianças brancas e faz de conta que não existe diversidade racial no Brasil.

Encontrar anúncios de escolas que incluam pelo menos um negro ou negra é um desafio. O anúncio acima mostra quatro crianças brancas e faz de conta que não existe diversidade racial no Brasil.

Nessa época de matrículas para escolas da rede privada e faculdades, faço um desafio: conte quantos outdoors e outbus de instituições de ensino básico ou superior mostram pelo menos um aluno negro ou aluna negra – incluindo pardos(as). É quase certo que você verá que menos de 30% dos anúncios de estabelecimentos educacionais colocam pessoas não brancas – e, quando as incluem, geralmente só colocam um indivíduo no anúncio, mesmo quando haja dez alunos na foto publicitária.

Constatando-se isso, percebemos algo que soa eticamente absurdo mas é realidade: a educação privada brasileira favorece o racismo, ao usar uma publicidade excludente para alugar suas vagas nas salas de aula e, através dela, mostrar que não considera os negros potenciais alunos nem está disposta a fazer o possível para incluí-los entre seus matriculados. Ao invés disso, segue a tradição de sobrevalorizar a presença e beleza brancas, usar entre 75 e 100% de alunos brancos em seus anúncios e rarefazer ou anular a presença não branca.

E o agravante é que, no caso das escolas, tratam de crianças e adolescentes, promovem a distinção de tratamento entre as diferentes raças. E isso, somado ao restante da racista publicidade brasileira, pode ter um efeito nefasto sobre a autoestima dos jovens negros. Isso porque ajuda a conservar na mentalidade dos brasileiros crenças racistas, como que a raça branca seria a raça padrão e dominante enquanto a negra seria a secundária, e que negros não têm condições de alcançar o status prestigioso que essas faculdades promovem no mercado de trabalho.

E isso corre o risco de realimentar a cultura da exclusão racial entre aqueles que estudam nas cada vez mais caras escolas privadas, leia-se brancos vendo negros como “os diferentes ameaçadores”, “os estranhos”, “os intrusos (num mundo de brancos)”, como pessoas que não se encaixam numa realidade que a publicidade sempre pintou como eurocêntrica e caucasiana – e, por tabela, os negros se vendo como “os estranhos no ninho”, “os secundários”, “os intrusos” num meio institucional que não faz questão de vê-los participando. Não que se tornem racistas agressores, mas acontece de perpetuar que brancos nessas situações vejam negros com olhares tortos, o que inclui acreditar que negros são sempre pobres e incapazes de ascensão social e inclusão em ambientes de poder aquisitivo maior.

Parecem prevalecer entre os publicitários responsáveis pelos anúncios de escolas privadas as crenças de que lugar de negro menor de idade é na escola pública e negros, sendo “potencialmente pobres”, geralmente não têm condições de estudar em instituições pagas. Não parece haver um esforço para mudar essas crenças.

Fica então a dica para as diretorias dessas escolas e as agências de publicidade por elas contratadas: procurem ler sobre violência simbólica – que é resumidamente o ato de, por via de uma linguagem verbal ou imagética, promover desigualdades e estados de dominação e submissão – e entender como estão perpetuando algo que não deveria ser admitido na educação – o racismo, em forma de exclusão e estranhamento.

Deve-se entender que uma política tanto pública como privada de combate ao racismo passa por trabalhar as formas mais sub-reptícias desse tipo de preconceito, as quais, no final das contas, acabam denunciando aquilo que poucos querem admitir – que até as escolas usam de expedientes racistas em seu funcionamento e divulgação.

 

imagrs

6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

marco aurelio cabral

julho 29 2013 Responder

ainda vou pra chicago!

Hudson

janeiro 9 2013 Responder

Não deveriam existir escolas particulares de ensino regular.

    Allan Kardec

    janeiro 9 2013 Responder

    Tem algum exemplo disso que tenha dado certo no planeta Terra?

Diego

janeiro 4 2013 Responder

Se não colocam negros nas fotos, é racismo; Se colocam UM negro nas fotos, é racismo pois pensam que só foi incluído para dar uma certa “cota”; Se colocam mais de um negro, reclamam pelo mesmo motivo anterior…Aí fica difícil!

    Allan Kardec

    janeiro 9 2013 Responder

    Comentário troll apagado. Saiba que me chamar de racista é crime de calúnia e injúria, mas considere-se com sorte que eu não esteja afim de processar trolls. RFS

Danizita L.

dezembro 25 2012 Responder

Publicidade e mídia brasileira, na visão desses e de outros setores somos um país ariano…

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