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Empresa lança cadernos com adesivos machistas, revoltando consumidoras(es)
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Algumas empresas acham que machismo é atrativo para cadernos escolares e universitários, que vale acostumar os rapazes a terem (pre)concepções machistas sobre as mulheres para ganhá-los como compradores de seus produtos. Vem sendo o caso da Jandaia, fabricante de cadernos, que lançou cadernos com adesivos ou até mesmo uma capa machistas, pela linha “Caderno Universitário Jandaia Placas 2013”, conforme denuncia a fanpage feminista Nós Denunciamos.

Entre os adesivos, estão:
– uma figura que mostra uma mulher encarando o casamento como a apoteose do amor ao mesmo tempo em que seu marido encara o acontecimento como o fim de sua vida;
– cartão de crédito como “antistress” para mulheres, reforçando o estereótipo da mulher (hétero) consumidora compulsiva que vive às custas da renda do companheiro;
– uma “comparação” de onde está o “amor” para mulheres e homens – para elas, o amor seria sentimento genuíno, enquanto para eles seria apenas tesão e sexo;
– um adesivo que naturaliza a violação sexual de mulheres embriagadas, colocando uma fórmula segundo a qual um homem mais uma mulher bêbada podem ter uma relação sexual – sem que ela tenha no momento o poder racional de aceitar ou negar o sexo. A saber, o Artigo 215 do atual Código Penal caracteriza o crime de violação sexual mediante fraude como “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima”.

Uma capa igualmente machista também ilustra a série 2013 de cadernos juvenis da empresa: uma mulher, no meio de dois carros, representam “perigo de animais na pista” – o que também caracteriza uma forma de especismo, ao negativar ao mesmo tempo a representação social de mulheres e animais não humanos.

A descrição da coleção de imagens machistas da Jandaia afirma: “Com um estilo gráfico, colorido e irreverente, esta coleção traz muito humor inteligente (sic). Pequenas frases e sacadas (sic) do universo jovem, pra lá de reais (sic), deixarão os dias dos estudantes ainda mais divertidos (sic).” A frase figura como a demonstração de que a empresa só vê rapazes machistas ou suscetíveis a se tornarem machistas como público-alvo dos cadernos dessa linha.

Vêm sendo exortados protestos na fanpage da Jandaia no Facebook e nas imagens dela hospedadas no Pinterest (capa “Cuidado: animais na pista” e adesivos). O Consciencia.blog.br apoia esses protestos e exorta seus leitoræs a protestarem também, até que a empresa retire de circulação os cadernos abusivos e se retrate, comprometendo-se a nunca mais lançar atrativos machistas em seus cadernos.

Atualização (25/02/13, 16h27): A Jandaia se pronunciou via Facebook:

resposta-da-jandaia

A alegação do racha é pouco convincente. Parece não ter havido a mínima prudência em perceber que a imagem podia ter interpretações diversas, não sendo óbvia a associação ao racha – que, a saber, é infração gravíssima segundo o Código Brasileiro de Trânsito. Em relação à promessa de cancelar as vendas dos cadernos com os adesivos machistas, o movimento feminista está de olho.

imagrs

10 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Juliana

outubro 11 2013 Responder

Eu me deparei com essa discussão recentemente, pois sou dona de uma papelaria e já está na época de renovar meus cadernos. Me lembro de quando essa coleção foi lançada e me lembro da polêmica que gerou. Bom, vou deixar meu ponto de vista pra quem quiser ler. Eu penso que está ocorrendo no Brasil um excesso de preciosismo e uma paranóia politicamente correta que tá ficando difícil de agüentar. Eu sou uma mulher de 29 anos, empresária, independente e achei essa linha da Jandaia de mau gosto – somente. Achei que não passou de um bando de piadinhas velhas e ridículas, que não merece esse alvoroço todo. Acho que o mundo atual mudou, as mulheres mudaram e é hipócrita quem fica com discurso feminista nesta questão. Na “vida real” nos deparamos sim com várias dessas situações retratadas de forma grosseira pela Jandaia. Eu acho que, nos dias de hoje, quem se ofendeu com estes adesivos é um pessoa bem mal resolvida. Tanto emocionalmente, sexualmente (e até, quem sabe) ainda mora com os pais). No meu caso, eu simplesmente não coloquei o produto na minha prateleira. Chama-se “liberdade de escolha”. E acho que é tão válida quanto a “liberdade de expressão”.

    Robson Fernando de Souza

    outubro 11 2013 Responder

    Então deixemos os fabricantes de cadernos influenciarem crianças e adolescentes a naturalizarem crenças machistas, só pra não sermos “paranoicos do politicamente correto”. É isso?

      Juliana

      outubro 12 2013 Responder

      Comentário homofóbico apagado. Aqui não é tolerado discriminar e depreciar famílias de pais ou mães homossexuais. Primeiro aviso. RFS

Elton LOPES

abril 10 2013 Responder

1 – Bêbado não pode fazer sexo. Nem homem, nem mulher.
http://www.tanatela.org/2013/03/07/estupro-chinesa-encontra-homem-bebado-em-calcada-e-faz-sexo-com-ele/
Nem pode amar, pelo jeito. Amor deve ser um tipo de estupro.

2 – Mulheres são mais consumistas que os homens. Boa parte da publicidade é direcionada a ela.
http://www.marisapsicologa.com.br/compulsao-por-compras.html

3 – Em nenhum momento e sugerido que o cartão não é dela. Isso é maxismo seu.
http://noticias.primeiramao.com.br/mulheres_compram_mais_com_cartao_de_credito__content_ct_9554_2306_.aspx

4 – As mulheres lutam tanto para ganhar mais, nos dias de hoje, porque elas de fato necessitam mais de dinheiro.
http://gnt.globo.com/carreira-e-financas/noticias/Autora-afirma-que-mulheres-precisam-de-mais-dinheiro-do-que-os-homens.shtml

5 – O homem deseja sexo com mais frequencia que as mulheres.
http://blog.sbnec.org.br/2009/05/leitura-neurobiologica-da-frequencia-da-vontade-de-fazer-sexo-do-estudo-da-vida-sexual-do-brasileiro-evsb/
A pesquisa indica que a maioria dos homens (54,1%) experimenta a vontade de fazer sexo frequentemente, enquanto que a maioria das mulheres (71,3%) experimenta a vontade de fazer sexo numa frequência menor.

6 – Mas, ainda assim, homens preferem video game a sexo.
http://www.jb.com.br/heloisa-tolipan/noticias/2011/11/30/homens-preferem-jogar-videogame-a-fazer-sexo-verdade-ou-mentira/

Boa tarde.

Flavio

fevereiro 27 2013 Responder

– uma figura que mostra uma mulher encarando o casamento como a apoteose do amor ao mesmo tempo em que seu marido encara o acontecimento como o fim de sua vida; (vai dizer que os homens valorizam o casamento tanto quanto a mulher?? Não no sentido de trair e tal, mas “emocionalmente” falando. Tanto que a grande atração de um casamento sempre é a noiva.)

– cartão de crédito como “antistress” para mulheres, reforçando o estereótipo da mulher (hétero) consumidora compulsiva que vive às custas da renda do companheiro;(ou simplesmente quer dizer que mulheres gostam de comprar. Isso por acaso é mentira?)

– uma “comparação” de onde está o “amor” para mulheres e homens – para elas, o amor seria sentimento genuíno, enquanto para eles seria apenas tesão e sexo;(olha a nóia..As mulheres estão sendo representadas como puras e que acreditam no amor, e que os homens só gostam de sexo..Isso é machismo?)

– um adesivo que naturaliza a violação sexual de mulheres embriagadas, colocando uma fórmula segundo a qual um homem mais uma mulher bêbada podem ter uma relação sexual – sem que ela tenha no momento o poder racional de aceitar ou negar o sexo.(bom, eu vejo no final da “equação” vários corações, e pra mim corações significam “amor”. Ironicamente, eu e minha namorada nos apaixonamos no boteco, onde ela estava bêbada e eu não. E, olha só, não teve abuso nem sexo.)

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 27 2013 Responder

    1. E vale colocar isso em cadernos como sendo algo normal e natural?
    2. Isso valida estereotipar a mulher desse jeito?
    3. É um machismo que oprime mulheres e também homens.
    4. Quer dizer que você só está namorando porque ela estava bêbada na ocasião? Foi isso o que você deixou a entender.
    4a. Não entendeu que isso é relacionado a uma relação sexual?

    Vinícius

    fevereiro 27 2013 Responder

    – Não interessa quem valoriza ou é valorizado mais no casamento. Interessa que esteriotipar mulheres como seres desencorajados a pensar no libido e em homens como seres desencorajados a pensar no amor é extremamente excludente, exagerado e incorreto (visto que, embora minoria, casais “inversos” ou de qualquer outra “configuração” que queiram existem e não deveriam se sentir mal em momento nenhum por serem “anormais”)

    – “Quer dizer que mulheres gostam de comprar”. Isso significa que uma mulher não pode ser mulher e ao mesmo tempo ser prudente e anti-consumista? Ou elas podem, mas devem se sentir excluídas do “padrão” feminino imposto (obviamente) por grande parte dos homens de que mulheres são consumistas. Além disso a capa ainda esteriotipa o consumo de produtos de entretenimento eletrônico como sendo “produtos de homem”, menosprezando um imenso público feminino consumidor dos mesmos e homens que não curtem video-game.

    – É sexista e machista ao mesmo tempo, pois nega a existência e “validez” de homens poderem pensar mais no amor do que no libido e de mulheres pensarem mais no libido do que no amor, ou qualquer outra “dose” que os casais queiram.

    – A equação implica que quanto mais bebida, mais amor a mulher vai te dar no final. Parece racional para você? Acha que amor ou sexo é baseado em uma fórmula e que sua vida sexual é apenas uma corrida ao estrelado, indenpendente dos meios? Então devo dizer que você é bem infantil e desesperado por sexo.

      Flavio

      fevereiro 28 2013 Responder

      Ou seja, no mundo não pode haver humor. Todo conteúdo que não agradar necessariamente é OFENSIVO. Claro, a resposta de vocês vai ser mais ou menos: “não se pode encobrir tudo com a desculpa de ser humor”. Então, aí vai uma resposta bem infantil: Se matem. O simples fato de algumas pessoas respirarem chega a ofender alguns malucos, então assim vai ficar difícil a humanidade conviver. Vejam o exemplo da sátira Djesus Uncrossed. Gerou tanta polêmica?? Deu essa revolta toda?? Vejam bem, a sátira teve atores FAMOSOS, e nem por isso eles deixaram de ser respeitados ou de ganharem seus prêmios. Vivam um pouco, e deixem a humanidade seguir seu curso. Ou apenas desconsiderem tudo o que eu falei, já que provavelmente serei taxado de muitas coisas “bobas e feias” mesmo…

        Vinícius

        fevereiro 28 2013 Responder

        Muito precipitado você. Chamar algo descriminador de humor (e pior, negar que seja descriminador) não deixa esse algo menos preconceituoso e é um insulto gigantesco para humor bom de verdade, humor irônico, humor crítico.

        “Pequenas frases e sacadas do universo jovem, pra lá de reais”. Tsc, tsc…

        Simplesmente por que seu argumento para defender a descriminação e preconceito não bateu bem, não quer dizer que qualquer humor será visto como ofensivo. Conclusões precipitadas e ad hominem, já que não interessa se a pessoa discordante do “humor” é ou não bem humorada, seus argumentos não podem ser descartados só por que ela não riu.

        E a discussão nem sequer gira em torno de “é engraçado X não é engraçado”. Eu mesmo achei o estilo minimalista e “curto e grosso” muito bem bolado e efetivo. É uma pena que tenha sido usado para perpetuar conceitos pra lá de antigos e preconceituosos.

        Até!

Danizita L.

fevereiro 25 2013 Responder

Simplesmente patético,eles não sabem da existência de mensagens dignas e inteligentes pra passarem aos jovens não?

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