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fev13

SBT quer dar voz a Silas Malafaia pela segunda vez, agora para falar sobre (ou contra) o direito ao aborto

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Sem qualquer compromisso com a ética e a responsabilidade do usufruto da liberdade de imprensa e expressão, o SBT, segundo afirmou o site da Veja São Paulo, anunciou que quer dar voz de novo ao sacerdote do ódio Silas Malafaia, líder da Assembleia de “Deus” Vitória em “Cristo” (novamente, aspas nas duas palavras porque elas, sagradas para centenas de milhões de pessoas, são profanadas a cada vez que se repete o nome dessa igreja). Dessa vez ele deverá falar sobre aborto – aliás, o direito das mulheres de escolher abortar ou manter a gravidez – numa nova entrevista com Marília Gabriela.

Na madrugada do domingo para a segunda passados, ele foi entrevistado por Gabriela, depois da decisão antiética da emissora de dar vazão à exibição do preconceito homofóbico do pastor em rede nacional. O SBT obviamente sabia que ele é o mais conhecido opositor dos Direitos Humanos d@s LGBTs do Brasil, o mais alardeado formador de opiniões homofóbicas do país, mas pelo visto quis chamar atenção ao convidá-lo para uma entrevista com Gabi. E agora repete a dose, afrontando dessa vez as mulheres em idade reprodutiva, que, por causa da violação da laicidade constitucional do Estado brasileiro por cristãos fundamentalistas, continuam tendo negado, por uma das legislações mais atrasadas do planeta, o direito de escolher abortar em situações que não sejam estupro, risco de vida materna ou anencefalia fetal.

Se não houver desistência por parte do SBT, veremos Malafaia mais uma vez disparar petardos verbais contra um direito humano, proferindo alegações pseudocientíficas que condenem as mulheres a continuar tendo seus úteros vigiados por um Estado que não pratica o laicismo defendido por sua própria Constituição e sendo obrigadas a dar à luz crianças que não encontrarão condições afetivas, familiares-psicológicas e/ou econômicas para viver dignamente.

Com a falta de critério ético para a emissora escolher os indivíduos a serem entrevistados, é possível que algum dia vejamos na mesa de programas como o de Gabi, chamados pelo SBT, outros perseguidores dos Direitos Humanos, como outros homofóbicos (como Jair Bolsonaro), defensores de outros preconceitos que ainda não sejam tipificados como crimes pela lei penal brasileira, políticos-coronéis e militares saudosos da ditadura de 1964-85.

A hora é agora para os movimentos feministas, @s feministas que ainda não sejam associad@s a movimentos e @s simpatizantes do feminismo começarem a protestar contra a decisão do SBT de dar voz pela segunda vez ao sacerdote do ódio e do fundamentalismo religioso. Que os protestos comecem, até que a emissora, sob risco de ver sua imagem institucional desmoralizada como cúmplice da negação e violação dos Direitos Humanos, desista disso.

Obs.: Este post pode parecer estar defendendo uma censura, opinião essa que me foi emitida algumas vezes e respeito. Mas, ao meu ver, e não sei se estou sendo coerente, o protesto seria não necessariamente com o objetivo de calar Malafaia, mas sim de denunciar ao Brasil que o SBT, ao chamar um religioso fundamentalista para emitir opiniões que fomentam o ódio na população, não tem qualquer compromisso com os Direitos Humanos.

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8 comentário(s). Venha deixar o seu também.

ALESSANDRA

junho 1 2013 Responder

Comentário agressivo, ofensivo e homofóbico apagado. Não permito esse tipo de baixaria por aqui. Aqui não é lugar pra cagar ódio. RFS

ALESSANDRA

maio 31 2013 Responder

Acho muito louvável a atitude do SBT, em dar direito de resposta a opinião contrária a da sua, pois REDE GLOBO, é bem diferente só coloca o que os ativistas pensam !

    Robson Fernando de Souza

    junho 1 2013 Responder

    Massa. Milite pra que deem lugar a neonazistas, supremacistas brancos e masculinistas (grupo de ódio misógino) se expressarem também, pra representarem o lado opositor dos movimentos negros e feministas.

Vinícius

fevereiro 7 2013 Responder

Penso que liberdade de expressão deve ser infinita MESMO. Se alguém defender algo indefensável, devemos retrucar e prová-lo como errado não usar uma censura boba.

Vacilo isso. Com esse argumento qualquer pessoa que considera “bananas” algo anti-ético e quebrador de direitos poderá censurar se tiver o poder para fazê-lo.

O que deve haver são discussões organizadas e concisas.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 7 2013 Responder

    Tô ligado. Ao meu ver, o protesto seria mais contra o descompromisso do SBT pelos Direitos Humanos.

    Porém, a analogia com bananas é falsa, porque nesse caso seria imoral, e não antiético. Moral é subjetiva, e a ética tende a ser objetiva.

Carlos

fevereiro 6 2013 Responder

se o SBT tivesse compromisso com o telespectador, promoveria um debate entre o Malafaia e outra pessoa com opinições diferentes da dele. Mas o que o SBT quer é gerar polêmica para conseguir mais audiência. Já vi o Malafia em um debate com outros religiosos e cientistas e o que mais sabe fazer é esbravejar.

Raphael Almeida

fevereiro 6 2013 Responder

É de se impressionar que a revolta do altor do texto não se encontra na disparidade de opinião com o referido pastor sobre o que quer que seja , mas sim devido a uma emissora de televisão abrir espaço para o mesmo emitir opinião. Robson tu que se diz defensor da democracia das liberdades individuais não passas de mais um ditadorzinho esquerdista que não tolera nem o confronto de idéias.Se o SBT abriu espaço pra ele colocar suas opiniões, o máximo que tu poderias reivindicar era que colocassem um indivíduo na outra semana a fim de rebater os argumentos levantados por ele, mas não , o absurdo é ele emitir opinião contrária ao que você pensa.Sabe qual é o problema Robson vocês tem medo do debate !!!!! ,pelo menos é o que vocÊ Demonstra com um texto desse .ABRAÇO

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 6 2013 Responder

    Tá certo. Me conte depois o que você achou quando o SBT chamar Gabi pra entrevistar um white-power ou um defensor da ditadura militar com tortura de subversivos. Me conte também como a liberdade de expressão permite a defesa da violação e negação dos Direitos Humanos.

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