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Carnistas se alvoroçam com projeto de lei federal da Segunda Sem Carne

mimimi-carnista

No seu livro O mundo assombrado pelos demônios, Carl Sagan reservou um capítulo, intitulado “A Cidade das Aflições”, para os protestos de pessoas que acreditavam em ufologia, que haviam sido dirigidas a ele quando ele havia publicado pela primeira vez suas refutações à Ufologia. Temos no site VoteNaWeb uma nova Cidade das Aflições, dessa vez com carnistas (defensores do consumo de alimentos de origem animal) irados contra o Projeto de Lei 4.624/2012, do deputado federal Ricardo Izar, que institui a Segunda Sem Carne em estabelecimentos alimentícios localizados em órgãos públicos de todo o Brasil.

Neste momento, o PL foi rejeitado por 87% dos cidadãos que votaram opinativamente e cosniderado “irrelevante” ou “sem noção” por 76% dos leitores, e as justificativas vão do mero mimimi puro e não justificado até a alegação carnista de que a lei estaria violando a “liberdade alimentar” (assista a vídeo do Consciencia.VLOG.br refutando esse argumento) dos brasileiros. É perceptível que grande parte, senão a maioria, dos rejeitadores sequer se deu ao trabalho de ler o resumo do PL exibido na página do VoteNaWeb, visto que acreditam erroneamente que a referida lei, se sancionada, vai proibir generalizadamente, também fora de repartições públicas, o consumo de carnes nas segundas-feiras.

Abaixo, alguns prints com exemplos do protesto reacionário que vem marcando a página (os nomes e avatares dos revoltosos foram apagados na edição dos prints), com participação minha respondendo a argumentos furados:

Reaças protestam contra projeto de lei da Segunda Sem Carne, sem apresentar qualquer motivo para seu descontentamento

Reaças protestam contra projeto de lei da Segunda Sem Carne, sem apresentar qualquer motivo para seu descontentamento

Mais protestos reacionários contra a Segunda Sem Carne proposta pelo deputado Ricardo Izar. Dessa vez apareço eu respondendo a alguns argumentos carnistas

Mais protestos reacionários contra a Segunda Sem Carne proposta pelo deputado Ricardo Izar. Dessa vez apareço eu respondendo a alguns argumentos carnistas

Mais protesto carnista e mais respostas minhas

Mais protesto carnista e mais respostas minhas

É enorme o desconhecimento, por parte da população, sobre os porquês de pelo menos começar a diminuir o consumo de carnes. Vai dar trabalho para os veg(etari)anos esclarecer a validade da Segunda Sem Carne, mesmo para simplesmente dizer que ninguém estará proibido de comer carne em casa e em restaurantes e lanchontes distantes de prédios públicos nas segundas e a vedação da venda de alimentos com carne só valerá para repartições públicas (escolas públicas incluídas) e estabelecimentos alimentícios anexados a elas.

Pode ser complicado também, aliás, atachar à justificativa pautada exclusivamente na saúde as razões éticas e ambientais de comer menos carne, visto que a justificativa do PL (leia aqui a ficha de tramitação e clique em “Inteiro teor”) só falou de motivos de saúde. A Segunda Sem Carne precisa ser embasada, em primeiro lugar, na Ética, na conscientização da população onívora sobre o problema ético de se comer alimentos que implicam escravidão e abate de animais. Talvez (eu disse talvez) a reação carnista de antipatia à lei possa ser, em parte, explicada pelo foco exclusivo na saúde na justificativa do projeto.

Mas nada justifica a cegueira vista na maioria dos comentários, que eram postos sem nenhum motivo de ser contra o PL. Se tivessem mostrado que o PL, do jeito que foi justificado, se equipararia a proibir parcialmente o cigarro ou o consumo moderado de cerveja um dia por semana, seria plausível, embora muito discutível. Mas os únicos argumentos aparentemente plausíveis que apareceram foram a “violação da liberdade alimentar” – algo que na prática não existe em nenhuma sociedade humana, menos ainda num meio social que coage as pessoas a se agarrarem ao consumo de carne e derivados do leite sob pena de estigmatização, ameaças de falsos problemas de saúde e exclusão da grande maioria dos restaurantes e lanchonetes – e o suposto foro íntimo do consumo de carne – o que também é falso, visto que comer carne tem consequências morais negativas diretas contra animais, contra ecossistemas e também contra trabalhadores do setor frigorífico e peões submetidos a trabalho escravo em fazendas de gado.

De fato, pareceu que o motivo do protesto não é a alegável vigilância da parte do governo sobre a saúde das pessoas, mas sim simplesmente não querer parar de comer carne, algo parecido com dependência psíquica. E tudo indica que a Segunda Sem Carne de Ricardo Izar acabará rejeitada, visto que a população ainda não tem a maturidade necessária sequer para discordar justificadamente da iniciativa e o Congresso é parcialmente dominado por uma bancada latifundiária que, enquanto permanecer forte, fará de tudo para impedir o progresso de qualquer lei que fomente a alimentação veg(etari)ana.

imagrs

5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

jose

maio 23 2014 Responder

todos os animais carnívoros também entram nessa segunda sem carne?

Elton LOPES

abril 10 2013 Responder

Cercear direitos de escolha.
Uma boa maneira de fazer uma escolha consciente. Pelos outros.

    Robson Fernando de Souza

    abril 10 2013 Responder

    Afinal, quem come alimentos de origem animal está necessariamente cerceando o direito dos animais de preferir a liberdade à servidão – aliás, se aproveita da incapacidade deles de escolher, agindo como se todos gostassem de ser confinados, mutilados, roubados de suas famílias e assassinados.

Vinícius

março 28 2013 Responder

Acho que também sou meio contra essa lei. De que adianta obrigar as pessoas a parar de comer carne se a mente delas não mudou e elas não sabem nem 1% das centenas de argumentos pró-veganismo?

    Ligia

    março 31 2013 Responder

    Vinícius, como o Robson disse, ninguém será forçado a não comer carne. Apenas as repartições públicas não servirão nos seus cardápios carne durante as segundas.
    Concordo que deve haver uma conscientização maior em torno da campanha e de seu significado, mas o não consumo de carne por um dia na semana acarreta benefícios ambientais que são mostrados na página http://www.segundasemcarne.com.br
    Acho a Lei totalmente válida e viável, porém como ja foi dito, deve haver maior conscientização.

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