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mar13

Cristiano Ramos: Os gays não têm vez no futebol
Piadinha homofóbica contra o Náutico. A homofobia disfarçada de humor e zoação é corriqueira no meio futebolístico.

Piadinha homofóbica contra o Náutico. A homofobia disfarçada de humor e zoação é corriqueira no meio futebolístico.

Foi publicado ontem no Blog do Torcedor, blog de futebol do portal pernambucano NE10, o texto abaixo, de Cristiano Ramos, sobre a galopante homofobia no futebol brasileiro. Segundo ele nos lembra, é compreensível por que nenhum jogador, diretor de futebol, técnico ou cronista esportivo se declara homossexual nesse ambiente que trata como piada a orientação sexual dos homens que frequentemente têm culturalmente negado seu direito de amar.

Aqui em Pernambuco, as maiores vítimas dessa homofobia, na maioria das vezes vinda em forma de “piada”, são os torcedores homens do Náutico, chamados de “Barbies” e tachados de gays, como se a homossexualidade fosse algo que depreciasse o caráter e a dignidade de um homem.

Vale a pena ler o texto abaixo.

 

Futebol: onde os gays não têm vez
por Cristiano Ramos, jornalista e colaborador do Blog do Torcedor

Não existe meio mais escrachadamente homofóbico que o futebol. Nem mesmo o religioso. Porque, no universo boleiro, o preconceito não só é difundido, mas também maquiado. Sob a justificativa de apenas brincar com o tema, a espantosa maioria dos torcedores solta piadas das mais jocosas, comentários extremamente pejorativos, sejam dirigidos a torcedores rivais, a jogadores, árbitros, cartolas.

Esta será a última trincheira do machão brasileiro. Quando todas as outras áreas tolerarem a diversidade sexual (ainda que por força da lei, mesmo que sem concordarem), o futebol ainda estará aí para sujeito gozar à vontade (que sempre é muita) os homossexuais, fazendo de conta que isso incomoda ninguém, que é algo inofensivo.

Não se trata de gastar a coluna Na Diagonal com julgamentos morais, com apologia do politicamente correto levado à radicalidade. Interessa é refletir, fazer pensar sobre como o futebol – um dos inúmeros fenômenos-sociais-espelhos de nossa cultura – pode dizer bastante sobre como lidamos com o tema da homossexualidade.

Nas redes sociais, por exemplo, é possível encontrar inúmeros professores, advogados, jornalistas, até militantes de Direitos Humanos que, a pretexto de zoar o time e o torcedor adversários, investem tempo para criar ou repassar tiradas homofóbicas. São os mesmos que estão sempre malhando figuras como Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Marcos Feliciano, justamente por perseguirem homossexuais.

Essa gente muitas vezes se antecipa às possíveis críticas, adianta logo suas teorias: “Futebol não é coisa séria, não dá para considerar homofóbico nenhum comentário se o assunto em questão for jogo de bola*”. “Intenção é ofender ninguém, é só para desopilar, dar uma amenizada na discussão”.“Faço pra tirar sarro mesmo, mas não sou homofóbico, tenho até amigo gay” (sic).

Leia o texto completo aqui

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