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Libertação animal sem libertação humana: o estranho caso dos veg(etari)anos reacionários

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Postado originalmente em 27/03/13

Nada é mais esquisito e constrangedor do que pessoas defenderem uma ou mais causas de minorias políticas mas ao mesmo tempo negligenciarem, ou mesmo se oporem ativamente a, outras também referentes a categorias oprimidas, como é o caso de negros homofóbicos ou LGBTs classistas. Nesse contrassenso lógico, estão incluídos os vegetarianos e veganos reacionários, assumidamente conservadores ou mesmo regressistas para causas humanas.

Vários comportamentos reacionários de veg(etari)anos conservadores foram flagrados por mim ao longo dos últimos dois anos no meu mural do Facebook. Uns defendem que o golpe militar de 1964 foi “necessário” para “evitar uma ditadura de esquerda”. Outros curtem e compartilham conteúdo de páginas homofóbicas, misóginas e/ou de extrema-direita. Alguns outros dizem com todas as palavras que são contra o feminismo.

Outros defendem leis para proteger os animais ao mesmo tempo em que pregam o anarcocapitalismo e são contra qualquer cultura de solidariedade e cooperação humana. Há também aqueles que querem o reconhecimento dos Direitos Animais mas defendem “Direitos Humanos só para ‘humanos direitos’” – negando a possibilidade de criminosos, mesmo não hediondos, se arrependerem e mudarem – e o uso da pura força bruta policial para tratar problemas de cunho social e de saúde pública.

E já tive também o desprazer de conversar, antes da popularização do Facebook no Brasil, com um vegetariano homofóbico que odiava a esquerda, negava o Holocausto nazista e dizia que o nazi-fascismo tinha pontos positivos.

São pessoas que dizem defender a libertação animal mas, ao mesmo tempo, negam qualquer interesse em promover a libertação humana. Para eles, explorar animais é um absurdo, mas submeter seres humanos à exploração, negar-lhes direitos e tratá-los como seres degenerados é alright.

É da mesma linha daqueles que querem a abolição da escravidão animal mas não se importam em comprar camisas de marcas que exploram trabalho infantil e/ou semiescravo em países asiáticos. E daqueles homens que vendem lanches veganos e falam de vegetarianismo ao seu próximo mas tratam com violência e autoritarismo, do alto de seu machismo, suas namoradas e esposas. E das ONGs que “defendem animais” reforçando relações de opressão sexista ao tratarem mulheres como objetos sexuais. E dos misantropos que juram que a “solução” para libertar os animais é extinguir a espécie humana.

Me pergunto: que coerência existe em defender os animais mas alienar-se da defesa dos seres humanos, que também são animais – e às vezes ir ainda mais baixo, opondo-se explicitamente àquelas(es) que lutam todos os dias pela libertação humana? Que sentido há na expressão “Libertação Animal” quando ela é usada por quem exclui moralmente os seres humanos e comete um especismo reverso, uma hierarquização de sujeitos de direito que, de qualquer forma, é errada e atenta contra os próprios princípios igualitários dos Direitos Animais?

Veg(etari)anos reaças me tentam a acreditar que o que os faz declarar respeito aos animais não é a Ética, a consideração moral legítima, a alteridade, a  empatia, mas sim a efêmera pena dos animais, a sensibilidade emocional pessoal que é mais forte ao ver animais sendo maltratados do que ao flagrar humanos sendo torturados e/ou postos em situação de miséria.

Ao mesmo tempo que criticam quem defende os Direitos Humanos mas desdenha dos Direitos Animais, colocam os DA como se fossem superiores aos DH, ao negligenciarem estes últimos através de posições contrárias, por exemplo, ao feminismo e à emancipação dos trabalhadores e de outras minorias através da militância política de esquerda.

É necessário, depois de descrever a posição contraditória dos veg(etari)anos conservadores, reiterar uma verdade que lhes é inconveniente: os Direitos Animais são uma causa de esquerda. Têm muitos elementos pertinentes à esquerda política libertária, seja ela liberal social, comunista (não confundir o comunismo, que nunca existiu de verdade nas sociedades modernas, com o socialismo autoritário do século 20!) ou anarquista, como a defesa de direitos fundamentais, o questionamento e luta pela mudança do status quo, o combate a hierarquias de consideração moral e de poder, o ideal da igualdade entre sujeitos de direito, a alteridade e empatia como princípios éticos e a regência da sociedade pelos princípios, dentre eles a Ética e a solidariedade, em detrimento dos meros interesses.

Ser libertário(?) para com os animais não humanos e ao mesmo tempo conservador para com os humanos é um contrassenso sob vários motivos. Primeiro, os Direitos Animais defendem a igualdade moral entre animais humanos e não humanos, e não a superiorização dos últimos em termos de consideração moral e merecimento de compaixão como os veg(etari)anos reacionários parecem pregar na prática.

Segundo, os seres humanos também são animais, compartilham com outras espécies os mesmos interesses inerentes à sua condição de animais, como pela vida, pela integridade física e psicológica e pela liberdade, portanto sua libertação de sistemas de exploração, de hierarquia moral e de relações opressoras de poder também é intrínseca à causa da Libertação Animal.

E terceiro, o discurso que tenta justificar o conservadorismo dessa categoria de veg(etari)anos é o mesmo que, mudando apenas alguns elementos, é usado para legitimar a exploração animal – as hierarquias morais, a naturalização de relações desiguais de poder, o tratamento das diferenças como justificadoras de desigualdades, a negação da possibilidade de mudar radicalmente o status quo, o preconceito contra o diferente, entre tantos outros. Assim sendo, a (falta de) lógica de um veg(etari)ano conservador é a mesma de um especista que se diz de esquerda.

Por isso, convém aos veg(etari)anos conservadores refletir: será que realmente desejam a libertação animal? Ou simplesmente têm pena dos animais explorados pelos humanos? Seu respeito aos animais tem mesmo fundamentação racional, baseada na Ética, na Filosofia e na Biologia, ou é simplesmente emocional, questão de não querer mais ver animais sofrendo? Qual é a lógica de ser ao mesmo tempo a favor dos Direitos Animais e contra a luta, por exemplo, pelos direitos dos LGBT e pela libertação feminina? Por que é coerente pensar igual aos especistas, defendendo exploração e agressão para uns e liberdade e integridade para outros? O que é mais coerente, estender seu anseio de libertação aos seres humanos ou seu conservadorismo para os outros animais?

Enfim, por que ser um veg(etari)ano conservador? Por que defender libertação para uns e opressão para outros? – esta última pergunta, aliás, também deve ser tema de reflexão para aqueles que se dizem de esquerda para causas humanas mas não dão a mínima para a escravidão animal.

imagrs

34 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Luiz

setembro 29 2016 Responder

Defesa da ditadura militar não é algo tolerado por aqui. Quem pede censura, censura receberá. RFS

Myron

julho 31 2015 Responder

Por que chamar vegan de reacionário desde q ele quer primeiro, ajudar os animais? A luta de direitos humanos tem uma infinidade de ajudas desde governos, ongs instituições privadas entre outros com recursos financeiros muito boas. O q a maioria dos Vegans q ajudam os animaia tem? Apenas nos mesmos com os próprios recursos na grande maioria. Não imagino, os direitos das mulheres, dos homossexuais e dos negros como exemplo, tenham em suas pautas de lutas, o direitos dos outros. Então, por que raios, vcs nos chamam de radicais se os humanos fazem entre si? Tente levar o assunto veganismo nesses locais de diretos humanos e sabem o que ouvira:”está tirando o meu direito de comer carne”, está atrapalhando o nosso churrasco de confraternização”. Vegan é livre pra defender os humanos como também os humanos também tem o direito de mandar os veganas a merda qdo falamos sobre a crueldade dos animais que vão parar no prato deles

Machado

julho 31 2015 Responder

O q posso dizer sobre esse texto e chamarem os Vegas de reacionários por não compartilhar com causas humanas? Uma mentira deslavada é preconceituosa até entre quem são Vegs.
Quem quiser apoiar causas humanas, estão livre para fazerem juntamente com grupos ativistas de apoio às mulheres, negros e homossexuais por exemplo. Ninguém é contra. Dizem q somos reacionários se queremos dar primeiro, o valor pra vida dos animais e não humanos. Mas, existe uma questão: Por acaso, no ativismo de grupos de mulheres colocam em pauta, a luta pelo homossexualismo ou dos negros? Dos negros colocando em pauta a luta pelos direitos das mulheres e homossexuais? Homossexuais colocam em pauta o direto das mulheres e dos negros? Nenhum deles fazem isso. Muitos ali inclusive, existe preconceitos entre eles. Então, porque raios, querem massacrar quem luta em primeiro lugar pela vida dos animais que nós somos suas únicas vozes, ao passo que humanos tem o governo, ongs einstituições privadas com muito recurso financeiro? A grande maioria dos veganos e vegetarianos q dão preferência pra ajudar os animais fazem muito com s próprios recursos e não tem instituições que nos ajudem na tarefa. Vão lá nesses grupos de direitos humanos, pedir pra falarem sobre o veganismo e verá o que vão receber de volta: “estão tirando o meu direito de comer carne”, estão atrapalhando o nosso churrasco de comemoração pelos nossos atos”. Afinal, quem é reacionário agora?

    Robson Fernando de Souza

    julho 31 2015 Responder

    E onde o texto diz que “todos” os vegans são reacionários, e que são mais errados do que especistas de esquerda?

Cida

janeiro 17 2015 Responder

CONCORDO plenamente com o seu texto, mas como a natureza nao dá saltos, acho preferível vegetarianos assim do q não vegetarianos… Um dia despertarão a consciência para a verdadeira essência espiritual do ser integrado no amor incondicional!!!

Andrezza

abril 10 2013 Responder

Prezado Robson:

Cheguei por aqui por meio de um link no facebook. Pelo nome do blog ser consciência, confesso que não esperava está agressivida com os veganos vegetarianos.. e creio que em tudo em nossa vida deva ter equilíbrio.

Sou vegana e não me encaixo em nenhum perfil traçado por você. Até porque defender uma causa não quer dizer excluir as outras.

Acredito que você utilizou algo que vemos muito em nossa sociedade, que é a falácia moral de tentar diminuir ou generalizar as pessoas.

Acredito que o texto abaixo explique muito bem o que quero dizer.

Abraços,

http://devir.wordpress.com/2011/12/18/o-cao-o-garoto-gay-o-politico-corrupto/

    Robson Fernando de Souza

    abril 10 2013 Responder

    Andrezza, você realmente leu e entendeu o texto, a ponto de acreditar que ataquei a “todos” os vegetarianos e veganos?

Alberto

abril 10 2013 Responder

Muito bom o texto. Somente uma sugestão: quando você fala “animais” pense em usar no lugar desta palavra, expressões como “animais não humanos” ou ainda “os outros animais”. Isso também ajuda a quebrar esta separação entre homens e outros animais, que é inclusive levantada no texto. O rigor com a palavra retira da linguagem alguns erros que muitas vezes não percebemos, mas também pode servir para desfazer algo aceito como correto e que traria benefícios se fosse revisto. Neste sentido, posso citar o exemplo de uma frase de Makota Valdina que tem circulado por aí ultimamente: “Não sou descendente de escravos. Eu descendo de seres humanos que foram escravizados.” Está subentendido que “escravos” são seres humanos neste contexto, mas quando ela coloca categoricamente a direta: “seres humanos que foram escravizados”, a expressão “seres humanos” deixa clara a intenção de lembrar este detalhe importante que antes estava apenas subentendido. E aí é onde está talvez a maior força da linguagem na cultura: nos detalhes. Abraço.

    Robson Fernando de Souza

    abril 10 2013 Responder

    Alberto, agradeço. Sobre a expressão “animais não humanos”, eu já a uso quase sempre. Só raramente eu uso “animais” sem incluir “não humanos”, com o fim de não fazer uma repetição excessiva do termo.

roberta Muller

abril 2 2013 Responder

hehe.. ‘reacionário’ é aquele que defende princípios ultraconservadores, contrários à evolução política e social.

    Kreator

    abril 3 2013 Responder

    Roberta, eu entendo a questão, mas esta palavra também é praticamente um jargão de certas correntes de pensamento, um monopólio. Normalmente quem a usa, faz de maneira pejorativa, mesmo que sutilmente. Usei a definição do dicionário, pois acredito que seja a mais democrática.

Kreator

abril 2 2013 Responder

Então pelo teu ponto de vista, veganos ou vegetarianos para serem “coerentes” precisariam ser de esquerda? seriam “estranhos” os que não sejam?

Este é o grande defeito de todos os partidos ou defensores da esquerda política, o “monopólio da bondade”. Todas as outras correntes políticas são “más”, “incoerentes”, “reacionários” ou “com pouco conhecimento”. A prática passa longe disto.

Não sou anarcocapitalista, acho isto uma utopia tão distante quanto qualquer anarquia em si, mas me considero um liberal, minarquista que defende a liberdades econômicas totais e a quase extinção do Estado, pelo menos como ele é hoje. “Reacionário”? segundo o dicionário, é a alcunha de quem se opõe a alguma revolução, como não há revolução alguma ocorrendo, não me sentiria confortável com esta alcunha. Mas sim, me sinto confortável em ser vegano, e ser chamado por ela, pois realmente me representa, e nem de longe acho-me incoerente a este respeito.

Defendo os animais, há mais de uma década não consumo produtos animais, defendo a ideia, esclareço as pessoas que têm dúvidas faço tudo o que está ao meu alcance.

Mas o que acho sobre o “capitalismo selvagem”? empresas só oferecem o que as pessoas desejam consumir, como impedir isto? não acho que as empresas sejam “más” ou tampouco “boas”, só há o abuso contra os animais porque as pessoas, os consumidores querem ignorar isto, as empresas simplesmente atendem a demanda de prover produtos baratos.

É isto que defensores do estatismo não entendem, o problema não é o “capitalismo”, se rompermos a questão financeira criando empecilhos legais, a demanda continuará a existir, mesmo que reprimida.

roberta Muller

abril 1 2013 Responder

Só mais uma colocação: defender transgressores em detrimento de outros(no caso, a vítima) não seria também um prconceito? Uma discriminação? Por que os direitos inerentes ao ser humano só precisam ser respeitados quando a pessoa transgride e viola? A vítima, por acaso, não tem direito intrínsico ao ser humano? Porque quando tu vês o agressor ser protegido a impressão que fica é de que somente o transgressor tem direito.

    Robson Fernando de Souza

    abril 1 2013 Responder

    Não falei isso em momento nenhum. Creio que seria sim preconceituoso e abusivo defender apenas criminosos e deixar as vítimas desamparadas.

      roberta Muller

      abril 1 2013 Responder

      Então chegamos ao ponto ! Você também defende que as pessoas não transgressoras devem receber apoio e as transgressoras punição(ter sua liberdade restringida, por exemplo, por não saber conviver socialmente). Assim é que entendo direitos humanos para humanos direitos. Cada um arcando com as consequências do que faz. Abraço. Ressalto o meu respeito pelo blog, justamente pelo respeito com que interagem. São raros os espaços abertos à discussão, como este. Parabéns, novamente.

        Robson Fernando de Souza

        abril 1 2013 Responder

        Pronto, Roberta, aí não é necessário aplicar o “Direitos humanos pra humanos direitos”, porque os DH nunca descartaram a prisão de criminosos. Ausência de DH só seria mesmo em caso de tortura, trabalhos forçados, talvez pena de morte etc.

        E obrigado pela admiração ao blog =)

        Fernanda

        abril 8 2013 Responder

        Olá (: Só pra deixar exemplificado, não só pra ti mas mais pra quem passar por aqui e ficar com dúvida, “direitos humanos para ~humanos direitos~” seria: num caso de violência doméstica em que o marido agrediu a esposa, o marido é preso e vai para uma prisão em estado deplorável, com 40 presos em uma cela, nenhuma medida de higiene e é agredido por outros presos para ele “aprender a lição”. Quando ele sair de lá, ele provavelmente vai ser um criminoso qualificado e vai continuar agredindo mulheres; Direitos Humanos seria: ele vai preso para um presídio com condições normais (alimentação, higiene, saneamento básico), cumpre sua pena e também é obrigatoriamente encaminhado a um programa para reabilitação de agressores, onde ele aprende os motivos que levaram ele a agredir a esposa e como combatê-los, para quando ele for reintegrado à sociedade.
        Já existem programas assim no Brasil e com certeza eles dão mais resultados positivos do que tratar o preso de maneira desumana e degradante (que na teoria, nem poderia acontecer).

          roberta Muller

          abril 9 2013

          Obrigada Fernanda. :) Quando me referia a isso, preocupava-me justamente com a questão de responsabilizar o transgressor. Somente isso. Acho de suma importância que as pessoas arquem com as consequências de seus atos. Com relação ao tratamento que recebem em uma ou outra penitenciária, creio que é outra questão.O Estado devia garantir o mínimo de condições nesses locais. Assim como devia garantir que pessoas que trabalham e vivem honestamente também tivessem condições mínimas de vida. Sabemos que há um grande número de trabalhadores que vivem em condições desumanas.

Iago

março 30 2013 Responder

Cara, eu até entendo o que -ou pelo menos o que eu acho que- você quis dizer, mas não gosto de demonizar a “direita” para supervalorizar a “esquerda”; na verdade eu detesto essa divisão!Em muitos trechos do seu texto você repetiu a dicotomia preconceituosa de “esquerda boazinha” e “direita má”. Na boa, não sou nem de esquerda nem de direita, sou a favor da Verdade; não quero enquadrar minhas ideias numa forma ideológica.
Creio que devemos tomar muito cuidado com “movimentos revolucionários” e “conservadores”, devemos ter liberdade para pensar para além deles. Afinal, Mussolini era de direita e Mao Tse Tung, que foi o ditador que mais matou e torturou na história (nas aulas medíocres de história não costumam falar disso) era de esquerda.
Além disso acho que devemos tomar mais cuidado ainda para não transformar o vegetarianismo num clubinho fechado..

    Vinícius

    março 30 2013 Responder

    Concordo também. Não gosto de política partidária. Sou a favor de vários movimentos de esquerda e praticamente nenhum de direita, mas essa divisão não me influencia em nenhum momento quando vou opinar sobre algum assunto.

    Robson Fernando de Souza

    março 30 2013 Responder

    Iago, perceba que eu evitei citar a direita. Até porque nem todo direitista é um reaça bitolado – não sei se conheço algum, mas há direitistas civilizados, que sabem teorizar sem partir pro reacionarismo escroto e/ou pro simples antiesquerdismo.

    Sobre Mao Tse Tung, repare que falei dos Direitos Animais como uma causa da esquerda libertária, e não do socialismo autoritário.

Marcel Fiorelli

março 29 2013 Responder

Robson,

Como em outros textos seus que eu já li, eu queria saber porque você fala em vegetarianismo e veganismo ao invés de falar apenas em veganismo.

Você acha que ser ovolacto-vegetariano é moralmente diferente de ser onívoro?

    Robson Fernando de Souza

    março 29 2013 Responder

    Marcel, eu trato vegetarianismo como uma transição, geralmente inevitável, ao veganismo.

jorge luiz samuel

março 28 2013 Responder

Robson, seu texto traduz tudo aquilo que penso e já tentei passar para outros veganos. No próprio grupo do face, já vi colegas tratarem os demais com muita agressividade, e sempre questionei: cadê o discurso da não-violência contra os animais? Por acaso gente não é bicho? Você também foi muito feliz quando expôs que o veganismo é, por natureza, uma causa de esquerda, restando contradição a quem se considera vegano e ao mesmo tempo conservador em outros temas.

jorge luiz samuel

março 28 2013 Responder

Onde eu assino, Vinícius?

Roberta Muller

março 27 2013 Responder

Então sou uma vergonha à causa, pois sou defensora dos direitos humanos para humanos direitos. Não posso aceitar que alguém ateie fogo em uma pessoa dormindo e seja protegido, enquanto a família da vítima sofre, por exemplo. Não posso aceitar que uma mãe perca o filho em um assalto e que o assassino seja protegido. Qual é a lógica de proteger o criminoso e desamparar a vítima? Defendo a causa animal justamente por entender que(os animais) são as vítimas.A mim parece bastante lógico e racional.

    Vinícius

    março 28 2013 Responder

    A justiça que você e muitos outros pregam não passa de uma “vingança bonitinha”. Não faz o menor sentido matar alguém que matou outro alguém. Além disso, brutalidade policial, leis rígidas, quantidades insanas de leis, prisão perpétua e até pena de morte nunca solucionaram diversos problemas sociais nem libertaram ninguém da opressão.
    Direitos humanos não são privilégios. São coisas intrínsecas a um ser humano, daí o nome. A única violência justificável é a auto-defesa, o contrato de não-agressão. Depois de um crime cometido, as providências tomadas deveriam ser abrangentes. Por exemplo, mesmo se 100% dos criminosos fossem presos e punidos “corretamente” (aspas gigantes nisso), crimes posteriores não seriam resolvidos. Só algumas atividades criminosas seriam impedidas por medo, mas outros crimes insanamente mais hediondos seriam cometidos à mercer das leis, pois esses criminosos já ultrapassaram a barreira do “medo da lei e do estado”. Esse é o problema. Todas as atividades criminosas (exceto provenientes de doenças mentais, que são outros casos) surgem do sistema sócio-econômico podre no qual somos obrigados a viver. Muito diferente do que somos levados a acreditar: que o sistema sócio-econômico tenta curar os problemas, que são, supostamente, desconexos do sistema em si.

      Robson Fernando de Souza

      março 28 2013 Responder

      Falou tudo, Vinícius =)

      roberta Muller

      abril 1 2013 Responder

      Acho ótima a tua postura defendendo os direitos humanos das pessoas que cometem crimes. Quero saber onde estão os direitos das pessoas direitas. Vingança? O que você pensa a respeito dos humanos que saem da penitenciária e matam mais meia dúzia? Que apoio recebem as famílias das vítimas? Conta-me o que tu pensarias se a vítima de uma atrocidade dessas que os humanos cometem fosse contra a tua família? Se o filho asfixiado fosse o teu? É questão de colocar-se no lugar do outro. Por essa exata razão sou vegana. Coloco-me no lugar do outro. Vingança querer que o outro seja privado de liberdade porque matou ou fez qualquer outra atrocidade? Certo. Deixe-o solto, mas não erga a voz contra ele quando a vítima for você. Se as mazelas dos criminosos são produto do sistema econômico, como tu explicas os filhinhos de papai rico que matam homens de rua? Não venha me dizer que os filhinhos de papai rico sofrem de problemas psicológicos e os pobres que matam, matam porque são vítimas do sistema econômico, porque então eu serei levada a crer, racionalmente, que o preconceituoso é você. Sou favorável à responsabilidade.Acho que todos têm o direito de fazer o que bem entendem, DESDE QUE assumam as consequências pelos seus atos. Conheço inúmeras vítimas do sistema econômico que não saem por aí cometendo crimes violentos. Acho muito fácil assumir a postura de coitadinho para não ser responsabilizado por seus atos. Isso, para mim, é falta de responsabilidade.

        Vinícius

        abril 1 2013 Responder

        Obviamente falta apoio às vítimas também. O problema é que a maioria das vítimas estão vendadas pela visão de que as patologias da sociedade são geradas apenas pelas pessoas e que nada influencia elas a nada. Isso não é fazê-las de coitadinhas, pois, nos exemplos que você usou, as pessoas realmente merecem algum tipo de punição (o que deve ser discutido separadamente) pois apresentam perigo posterior; enquanto que a esmagadora maioria dos crimes cometidos em praticamente todos países do mundo provem exatamente da desigualdade social imensa gerada intrinsecamente pelo capitalismo (ou qualquer outro sistema sócio econômio anti-igualdade). Aí uma fonte básica a respeito da porcentagem dos crimes (cometidos por homens): http://goo.gl/hsKA0
        O problema da ideologia “direitos humanos para humanos direitos” é sua volatilidade, como Robson falou. O que é “direito” para uns, não é para outros.
        Muitos indvíduos tem sua parcela de culpa nos crimes, mas tentar “tratá-los” sem tratar a sociedade o mais rápido possível é inviável e opressor. Ainda mais se considerarmos que os “tratadores” dos criminosos não querem que o sistema mude nunca; eles se beneficiam com ele.
        Esperar que o estado trate dos problemas provindos dos indivíduos E os do sistema econômico é como esperar que Marco Feliciano ajude causas LGBT, Feministas e Laicas.
        Sobre colocar-se no lugar do outro, também concordo com isso e por isso uma das minhas metas de vida é ser vegano também, mas deve haver abolição dos problemas sociais ao mesmo tempo em que há punição para os casos realmente doentios (desde que não haja tortura ou pena de morte), para evitar vingança pura e sem sentido e, também, mortes posteriores.
        Espero que tenha entendido :P

          roberta Muller

          abril 2 2013

          Sim, agora sim. :) É evidente que as mazelas sociais influenciam o indivíduo. Acredito que modificando o indivíduo, também se modifique o meio social, que por sua vez modificará os outros indivíduos… Mas tenho a impressão de que modificando o indivíduo é mais fácil diminuir o problema social, do que tentar modificar o social para minimizar os problemas individuais. Há que se começar de um por um. Meio? Educação e responsabilidade. Obrigada pela atenção e paciência. Repito o que disse ao Robson, esse blog me surpreende pela atenção e cordialidade dos participantes. Aqui, ao entrar temos informações corretas, pessoas educadas e que não se utilizam de apelações e argumentos não racionais nas discussões. Obrigada.

    Robson Fernando de Souza

    março 31 2013 Responder

    Roberta, Vinícius já respondeu em grande parte o que eu iria falar. E reitero que a visão de “direitos humanos só pra humanos direitos” parece ser mais um desejo popular de vingança do que uma forma de realmente melhorar a segurança pública. Não é algo que vá mudar a sociedade e impedir novos crimes. Além disso, a própria expressão “humanos direitos” é de uma volatilidade tremenda. Pra alguns, pessoas que fazem protestos violentos não são “humanos direitos”. Sem falar que, por exemplo, casos socialmente recuperáveis de traficantes de drogas acabam sendo excluídos dos “humanos direitos”.

    Eu pessoalmente considero que a única função de uma eventual pena de morte seria impedir que os mesmos criminosos executados cometessem mais crimes hediondos no futuro. Mas isso só nos casos em que o contexto socioeconômico (como pobreza, falta de oportunidades e contexto sociocultural) não tem uma contribuição decisiva.

    Sobre ser “uma vergonha à causa”, não falei de “pessoas que são uma vergonha à causa”, mas sim de pensamentos ideológicos que se contradizem com o discurso de libertação animal. Não condenei nem tenho por que condenar a pessoa das pessoas que pensam assim, mas tenho objeções ideológicas e também lógicas em relação a isso.

      roberta Muller

      abril 1 2013 Responder

      Mas não falei em pena de morte. Estou falando de pessoas que cometem crimes violentos, e que, na minha opinião, devem sim ser retiradas do convívio social. Ou precisam matar mais oito pra alguma atitude ser tomada? Que o sistema carcerário não recupera ninguém, isso não é novidade, mas que os criminosos violentos recebem mais apoio que as famílias das vítimas, isso é verdade, também. Não acho que essa minha postura viole o discurso da libertação animal. Quero muito que os animais não humanos deixem de ser dizimados, explorados e massacrados. Quero também que os humanos não sejam dizimados, explorados, violentados, agredidos por outros animais humanos de má índole. Caso contrário, estaremos a cada dia mais acuados, amedrontados, trancafiados para que os humanos de má indole circulem livremente comentendo suas atrocidades.

        Robson Fernando de Souza

        abril 1 2013 Responder

        Entendo você, Roberta. Mas creio que não é preciso violar os DH pra prender e manter fora de circulação criminosos perigosos – e nisso eu entendo como violação dos DH ações violentas como a tortura e o trabalho forçado.

        Em relação aos humanos de má índole, também sou a favor de que sejam punidos pela lei, mas também que a sociedade mude de modo a não formar mais criminosos. E nisso ações violentas da polícia (não incluí a prisão e condenação de criminosos) não são solução de nada, nem sequer paliativa.

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