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Nova página estática: Resposta ao texto “The Naive Vegetarian”

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Está no ar a mais nova página estática em resposta a um texto carnista. O artigo respondido é “The Naive Vegetarian” (O vegetariano ingênuo), de autoria de Barry Groves, associado à entidade pró-pecuária Weston A. Price Foundation.

Antes que carnistas brasileiros traduzissem o texto e tentassem usá-lo como arma contra o crescimento do vegetarianismo e do veganismo, pude chegar primeiro e refutá-lo. O texto está em inglês, mas minha refutação foi em português mesmo.

Acesse já a reposta ao texto carnista e previna-se de ficar em xeque diante de carnistas.

Resposta ao texto “The Naive Vegetarian”

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Felipe

março 18 2013 Responder

Putz, tava até achando a parte do uso da terra interessante, mas o cara não falou NADA sobre a moralidade vegetariana. Ele pode até discordar 100%, mas acho que seria NO MÍNIMO justo explicar por que pensam assim. Quando eu li Bíblia então, quase me caguei de rir. O cara REALMENTE quer usar BÍBLIA e dizer que vegetarianos são bobinhos ? Só tem uma falha, que nem é argumentativa, porque a sua argumentação é muito boa. A falha é que você cita linhaça como sendo uma boa fonte de ácidos graxos (imagino eu que esteja se referindo ao Omega 3), quando ela não é. Tampouco é a chia. Além disso, o homem é capaz sim de caçar, mas tem uma estratégia diferente. O ser humano não é bom em corridas de curta distância, mas devido a forma como ele transpira e respira, ele consegue ganhar de quase qualquer animal em corridas longas. Mas isso é irrelevante, visto que o carnista em questão não seria capaz disso como ele quer que creiam (utilizando tanta falácia naturalista, ele dá impressão de até ser capaz de ganhar de um elefante numa briga hahaha). Mas agora vou explicar porque a linhaça não é uma boa fonte de gorduras, apesar de ainda ser um alimento bom. Há dois tipos de ácidos graxos poli-insaturados essenciais ao ser humano : omega 3 e omega 6. O segundo não gera qualquer problema por ser encontrado em praticamente qualquer óleo vegetal (soja, milho, canola, etc). Já o primeiro, é mais complicado. Você vê, a linhaça e chia até possuem quantidades consideráveis destes ácidos, mas são da forma (vou usar este nome para não formalizar demais) ALA. Esse pode ser convertido nos Omega 3 que queremos, EPA e DHA. Só que a taxa de conversão É MUITO BAIXA (em torno dos 3%), ou seja, mesmo que você consuma MUITA linhaça, você não terá a quantidade desejável diária, infelizmente. Então o carnista tem razão ao dizer que vegetais são deficientes em ácidos graxos (pelo menos omega 3). Mas isso não significa que ele seja uma B12 da vida. Na verdade, é muito simples obtê-lo, na forma que desejamos (EPA e DHA). Da fonte (de tudo). Isto é, das microalgas unicelulares conhecidas como fitoplancton. Estes, além de não estarem contaminados com metais pesados (no caso, até estão, mas um fenômeno que ocorre na cadeia alimentar faz que a contaminação aumente progressivamente, ou seja, um peixe está 10000 vezes mais contaminado) são fontes 100% veganas. Ou seja, são 100% naturais, saudáveis, e não estão tão contaminados com metais pesados. Além disso, o cultivo é fácil e o rendimento é MUITO (MUITO mesmo) superior a qualquer outra cultura que você possa imaginar, E PODE SER CULTIVADA EM REGIÕES QUE NEM MESMO A PECUÁRIA PODE ACONTECER. Vou passar uns links para estudo e assimilação ao seu trabalho, que está muito bom. Com vegetais e algas, a causa vegetariana está mais forte do que nunca. Vale ressaltar que a proteína tanto das micro quanto macroalgas é de alta qualidade e representa grande parte do peso seco, ferro idem, e vários outros elementos que geram preocupação. Chega a render TRINTA E SEIS vezes mais proteína que SOJA.

http://en.wikipedia.org/wiki/Docosahexaenoic_acid
http://en.wikipedia.org/wiki/Eicosapentaenoic_acid
http://en.wikipedia.org/wiki/Alpha-Linolenic_acid
http://www.fao.org/docrep/006/y4765e/y4765e04.htm
http://www.forbes.com/sites/amywestervelt/2012/05/04/forget-fuel-algae-could-help-feed-the-world/
http://en.wikipedia.org/wiki/Algaculture#Growing_algae

    Robson Fernando de Souza

    março 19 2013 Responder

    Só tem um problema, Felipe: essas algas já estão comercialmente disponíveis com facilidade? E sua versão de ômega-3 já fortifica alimentos?

      Felipe

      março 19 2013 Responder

      Em países asiáticos, sim. No Brasil, não sei dizer. Eu já comprei da nori (usada em sushi) pra fazer um sushi vegano, e spirulina, mas não sei se uma alimentação variada de algas é viável no Brasil. Há uma enorme variedade de algas, igual vegetais, com propriedades variadas. Mas eu só encontrei essas duas (3 se você contar gelatinas de agar agar, mas não cheguei a procurar mercados especializados).

      “E sua versão de ômega-3 já fortifica alimentos?”

      Não entendi a pergunta.

        Felipe

        março 19 2013 Responder

        Você quer dizer se é usada em alimentos sem esse nutriente como forma de suplemento ? Se for isso, não sei dizer precisamente, mas duvido. É mais fácil que seja a versão “fraca” ALA, porque se for DHA ou EPA, provavelmente é de óleo de peixe. Esses óleos de microalga, infelizmente, estão sendo usados mais para sustentar a piscicultura do que para alimentar seres humanos diretamente.

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