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abr13

Defender a família é necessariamente defender aS famíliaS

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Conservadores falam muito que estão promovendo a “defesa da família”, quando na verdade eles próprios são a ameaça à integridade da instituição familiar contemporânea. Dizem “defender a família” enquanto atacam e ameaçam diversos outros modelos de família possíveis.

Defendem um único modelo familial, heteronormativo e às vezes patriarcal, com um pai dotado de autoridade sobre a esposa e os filhos, a mãe como autoridade sobre as crianças – e às vezes submissa ao marido – e uma pequena quantidade de filhos – confira-se a maioria das imagens que, no Google Imagens, são encontradas com o termo “família cristã”. É um modelo historicamente centrado nas classes socioeconômicas euro-americanas dotadas de poder aquisitivo avantajado.

Enquanto isso, atacam fortemente modelos homossexuais e não monogâmicos, literalmente desejando que lésbicas, gays e casais bi ou poligâmicos e poliamorosos não tenham o direito de juridicamente constituir família e adotar filhos. Sua defesa monolítica de que “família é homem, mulher e crianças” rejeita explicitamente famílias com dois pais ou duas mães e todas as combinações não monogâmicas possíveis.

Esse monolitismo familiar acaba afetando também, como num “dano de área”, famílias uniparentais, nas quais pai ou mãe são solteiros, divorciados ou viúvos, e famílias onde o tutor das crianças são tio(a)(s), avô ou avó(s), primo(a)(s) adulto(a)(s) etc. Além disso, nega também a dignidade familiar de casais estéreis e também daqueles que não querem ter filhos, já que a suposta “família cristã” é orientada a reproduzir a espécie humana e por isso precisa ter filhos.

Uma militância conservadora que ataca todos os modelos familiais existentes exceto um está fazendo tudo menos defender a família. A diversidade familial é cada vez maior, e com isso as famílias nucleares (pai, mãe e poucos filhos) vêm deixando de ser majoritárias em favor da mencionada variedade, graças às mudanças socioculturais progressistas que vêm sendo vivenciadas.

Nisso os conservadores, ao insistirem em remar contra a maré e defenderem um conceito único, estanque, inflexível, excludente, etnocêntrico e também racista de família em detrimento do novo conceito em formação nas sociedades modernas, não promovem uma “defesa da família”, mas sim um ataque à própria família, ao direito das pessoas de constituí-la sem que seja necessário ser heterossexual, monogâmico e desejoso de ter filhos.

Por tudo isso, percebe-se que a autêntica defesa da família, por mais que muitos resistam em admitir, está sendo promovida não pelo homofóbico, heteronormativo e sexista conservadorismo cristão, mas sim pelo movimento LGBT e também pela incipiente militância pró-reconhecimento de casais bi e poligâmicos. Porque defender a família é defender, e não negar, o direitos de todas e todos de constituir famílias da maneira que for preciso.

Enfim, defender a família é defender aS famíliaS. É reconhecer que todos, sem distinção de orientação sexual, estado civil, parentesco e quantidade de filhos, têm os direitos de formar famílias e também de educar os possíveis filhos ao respeito às diferenças e ao senso crítico.

imagrs

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carlos

agosto 24 2014 Responder

Não importa como pensam, não deixa de ser pecado pecado.

~epix

abril 27 2013 Responder

Ótimo texto!

Uma pesquisa da palavra “família” no google também mostra o quão elitista é o modelo familiar defendido pelos conservadores. Maioria esmagadora de brancos monogâmicos heterossexuais e com no máximo uns três filhos.

    Robson Fernando de Souza

    abril 28 2013 Responder

    Obrigado =)

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