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Guiomar Baccin: Veganismo, uma vontade livre

livre-arbitrio

Abaixo, um texto esclarecedor sobre o livre-arbítrio do veganismo, para desmentir o mito carnista de que ele seria uma “imposição”.

 

Veganismo, uma vontade livre
por Guiomar Baccin

Georg Wilhelm Friedrich Hegel nos diz que a educação serve para que um indivíduo possa ter uma vontade livre. Na verdade, o termo utilizado é “formar indivíduos com vontade livre”, mas adaptei, para não parecer que nosso amigo filósofo deseja industrializar a formação do indivíduo.

Vamos esclarecer: O princípio fundamental da vontade é que sua liberdade tenha lugar e se mantenha, mas, por si só [a vontade] é arbítrio, pois este tem um interesse limitado e tira suas determinações dos impulsos e tendências naturais. É alienada e/ou influenciada, até mesmo instintiva – ou seja, sem educação o que encontraremos é um indivíduo que acha que sabe o que quer, mas jamais argumentará logicamente sobre o motivo do seu querer.

Seguindo essa linha de raciocínio, um indivíduo conseguirá tomar sua própria decisão, baseada em suas próprias contemplações, apenas quando conseguir enxergar o mundo com seus próprios olhos e não com olhos de outro. É preciso analisar as situações, a história, o contexto. É preciso não ser anacrônico, é preciso fazer muitas comparações e considerações. Não há uma fórmula pronta para atingir a “consciência plena”, é preciso pensar. Pensar por si.

Utilizo essa passagem para argumentar o ponto que considero mais crítico quando discuto sobre vegetarianismo: a vontade. Na verdade, é o único ponto que eu ainda acho que valha a pena ser discutido. Aqui é possível que me achem arrogante, porém questões como ética e direitos animais já são por demais batidos. Provados, comprovados. Até agora não vi – e, mesmo não fechando minha mente para a possibilidade, duvido muito que exista – um só argumento válido e verdadeiro para a premissa de que é “de direito” que podemos fazer dos animais, produtos.

Ah, mas a vontade… a vontade! Isso sim é de direito! Se você deve pensar por si mesmo, não deve importar o argumento, certo? Errado. Completamente errado. A única coisa que importa é o argumento! Não estou dizendo que o homem deva ser assim ou assado, simplesmente estou dizendo que o homem adquiriu a noção de diferenciação. De noção, de ponderação e decisão. Pensar que se todos chegarem à mesma conclusão e decisão este não seria um mundo “legal” ou livre, é pensar com a cabeça dos outros. Dos alienados, dos que não pensam, apenas agem segundo seus instintos.

Torna-te o que tu és! Um ser pensante! Um puro pensar. Um puro ponderar, um puro decidir, um puro agir. Você existe a mais ou menos 13,8 bilhões de anos. Torna-te o que tu és! A evolução. Dezenas de centenas de bilhões de horas! Analisa o conteúdo. Não se deixe influenciar pela maioria.

Aparentemente, um motivo qualquer serve para justificar uma doutrina qualquer. Porque o sol irá engolir a terra daqui a milhões de anos é estúpido lutar por uma vida mais justa. Que lógica incrível!

Você deve simplesmente acreditar nas historinhas que te contaram quando você era criança. E você simplesmente leva isso para o resto da sua vida! É hora de acordar! Tenta sentir que você não veio de algum lugar ou está indo para algum. Você é algo. Você não está em algo. Você simplesmente é algo.

Os que lutam estão sendo ridicularizados por aqueles que querem simplesmente manter o sistema. Essa mensagem é perigosa. Pode ser mal interpretada. Eu entendo. É muita televisão para pouca vida.

O que eu peço para vocês, leitores, hoje, é muito simples: independente da sua crença ou postura, tente apenas olhar para dentro de você mesmo e veja o que encontra. Não precisa falar para ninguém o que encontrou, nem falar que fez, nem nada. Apenas faça e comunique-se com você mesmo. O que você enxerga? Será que tem um EU aí dentro? Ou existe apenas OUTROS?

Paz.
Guiomar Baccin

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