11

abr13

Por que a esquerda libertária precisa abraçar os Direitos Animais (Parte 3 de 3)
A bandeira da libertação animal também é vermelha.

A bandeira da libertação animal também é vermelha.

Parte 1 | Parte 2

Aqui seguem as últimas das 13 razões que fazem do abolicionismo animal uma bandeira a ser segurada pela esquerda política.

 

10. Os DA são anticonservadores, no sentido de rejeitar a conservação ou o retrocesso do status quo

Como exposto no item anterior, a esquerda vive em permanente conflito com a direita. Quando embandeirada próxima da completude, é anticonservadora por excelência, no que tange a rejeitar a conservação ou o retrocesso dos valores morais que regem a sociedade.

Tópicos do pensamento conservador, como a perpetuação das mesmas normas morais, a demonização da homoafetividade, a aversão a atitudes de liberação sexual, a restrição da vida da mulher ao espaço doméstico, a oposição incondicional ao aborto, a subvalorização dos Direitos Humanos, a oposição à “desordem” mesmo quando esta significa mobilizações sociais legitimamente democráticas etc., são pensados de maneira exatamente oposta no caso de grande parte da esquerda.

Esta pretende, respectivamente, fazer a normatividade moral se adaptar a cada época; defender e reconhecer a dignidade do amor e da conjugação homoafetivos; a liberdade sexual; a libertação feminina em todos os espaços públicos e privados; a liberação do aborto, ainda que geralmente condicionada à idade do embrião; a sacralidade dos DH e o valor democrático dos protestos de rua.

Da mesma maneira, o abolicionismo aparece opondo-se ao pensamento conservador do especismo. Enquanto o último pensa que os animais não humanos não merecem ter seus direitos equiparados aos humanos e estes são livres para explorá-los como quiser, o primeiro defende que os animais, humanos e não humanos, merecem sim ter seus direitos nivelados por cima e que as pessoas não têm qualquer prerrogativa para explorar os outros animais.

Os DA, assim como a esquerda política, rejeitam a conservação da ordem vigente, baseada em hierarquização moral, exploração, opressão, discriminação e violência, e reagem com força a toda e qualquer tentativa de retroceder a legislação de proteção animal e anular os seus avanços.

 

11. Os DA são radicais ao exigir a mudança do atual estado de coisas

Assim como a esquerda distante do centro do espectro político, o abolicionismo é radical em sua demanda por uma realidade modificada em promoção da justiça, da igualdade e do reconhecimento universal da dignidade de todos os seres sencientes. Não admite meio termo entre a libertação animal e a manutenção da escravidão dos animais, assim como a esquerda convicta, distinta da centro-esquerda, não admite o reformismo como meio de tornar a sociedade mais justa e igualitária, defendendo a revolução como meio de derrubar o sistema opressor. É de se ressaltar, inclusive, que a libertação animal é ela própria uma revolução na relação entre os seres humanos e os demais animais, assim como na interação da humanidade com a Natureza não humana.

 

12. Os DA se fundamentam pela ética evoluinte, ao contrário do conservadorismo, que se escora numa moral estacionária

DA e esquerda compartilham do pensamento de que a moral, junto com a cultura, muda com o tempo, de acordo com a assimilação de novos valores e o abandono daqueles que se tornam obsoletos. Opõem-se assim à crença conservadora de que a sociedade precisa manter ad aeternum os mesmos valores e normas morais para não desmoronar numa situação de caos.

Partilham também a convicção de que o ser humano precisa se guiar por princípios éticos que podem evoluir e se adaptar às mudanças sociais, e não por um conjunto de valores morais estanques que tenta reprimi-las.

O abolicionismo se arvora nesses princípios para introduzir, baseado numa ética supra-humanista, o valor do respeito incondicional aos animais e a norma cultural, dela derivada, do não consumo de produtos, alimentícios ou não, de origem animal e/ou fabricados por empresas que os testam em animais. Passa-os por cima de moralidades e costumes milenares como o especismo, o utilitarismo das intenções humanas para com os demais animais e o consumo de produtos extraídos dos seus corpos.

Se os DA fossem conservadores, não seriam abolicionistas, e sim bem-estaristas. Defenderiam a conservação perpétua da submissão da humanidade à moral antropocêntrica, e não a regência dela por uma ética supra-humanista. Pregariam não a abolição da escravidão animal, mas sim a mera reforma da pecuária para substituir métodos obviamente cruéis por meios mais “bonzinhos” e sutis de explorar os animais, de modo a conservar o costume do consumo despreocupado de produtos não veganos.

 

13. Os DA pretendem mudar o mundo, trazendo no lugar da cultura de violência e desigualdade uma nova pautada pela paz, pela alteridade e pela igualdade de direitos

A esquerda libertária contemporânea tem a pretensão de transformar a atual cultura baseada na violência, no individualismo egoísta e no controle disciplinar pela lei numa pautada no pacifismo, na solidariedade e na alteridade e autossuficientemente orientada pela consciência ética. Todos esses valores ideais também são defendidos pelo abolicionismo.

Essa cultura ideal, defendida por vertentes como as anarcopacifistas, passa inexoravelmente pela pacificação das relações unilaterais dos seres humanos com os demais animais, da mesma forma que tem como prerrequisito a abolição das hierarquias morais que justificam violências e opressões. Não faria sentido, nem teria qualquer coerência, uma sociedade que fosse pura paz entre seres humanos mas tratasse com a mesma violência e escravidão de hoje outros seres que são tão sencientes e desejosos de vida e integridade física quanto eles.

 

Considerações finais

A variedade de pontos que o abolicionismo animal compartilha com a esquerda política e suas causas contemporâneas, assim como a forte consistência desse compartilhamento, o torna, em todos os sentidos, uma bandeira esquerdista. Porém hoje ainda há muito preconceito e resistência da parte dos militantes não veganos dessa região do espectro político em relação aos Direitos Animais e às mudanças de hábito que eles implicam.

Muitos ainda seguem cegamente crenças como que “defender os animais não humanos implica deixar de lado os humanos”, “o veganismo é uma práxis reacionária e anti-humanista”, “defender os animais é tão absurdo e inviável quanto defender direitos para plantas e micróbios”, entre outras.

Cometem assim os mesmos equívocos de diversos iluministas do século 18, que defendiam liberdade e dignidade máxima para “os homens” – com uma alegada, mas falsa, neutralidade de gênero na palavra “homem” – enquanto negligenciavam a situação das mulheres e a urgência da necessidade delas de terem seus direitos equiparados aos deles.

Também incidem num erro parecido com o de muitos socialistas do século 19, que, ao mesmo tempo em que pregavam a revolução socialista nas sociedades modernas, acreditavam no evolucionismo cultural, que considerava “bárbaros” e “atrasados” os povos ditos “primitivos” e defendia sua “evolução” à “civilização”, não lhes reconhecendo os direitos à identidade cultural e à integridade étnica.

Convém, portanto, estender aos eventos que visam a remodelação e fortalecimento da esquerda brasileira e internacional o debate sobre em que realmente consistem os Direitos Animais, seus princípios e suas práticas. Vencendo-se os preconceitos sobre o abolicionismo,  veremos esse ideário ser finalmente reconhecido como aquilo que é em toda a sua essência: uma causa libertária que precisa ser assimilada por todos os movimentos de esquerda.

Parte 1 | Parte 2

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Gilberto Dorneles

abril 12 2013 Responder

Abaixo minha análise do texto:
Obs: Antes de mais nada esclarecer um erro do autor, ele se baseia na dicotomia Conservadores Capitalistas carnivoros de direita vs. Esquerda Socialista vegetariana de esquerda, como se fossem as únicas duas correntes do mundo.
Na realidade, o termo “Capitalismo” foi criado por Karl Marx, para descrever sociedades que usam da troca com uma moeda facilitadora, não existe nenhuma doutrina real chamada capitalismo, mas sim várias doutrinas que encaixam nessa definição, como o autor parece não saber disso, mas várias doutrinas se encaixariam, listando-as:
Voluntarismo, Minarquismo, Keynesianismo, Mercantilismo, Feudalismo, Ecocapitalismo, Objetivismo, Libertarianismo, Nazismo, Facismo, Social-democracia, Estado de bem estar social, etc…
Além disso, ele joga no mesmo saco Comunismo, Socialismo, Anarco-sindicalismo e Anarco-comunismo como “Esquerda libertária”, quando na prática Comunismo e Socialismo são completamente opostos a liberdade.

Eu sou libertário voluntarista, não sou um conservador malvado, não como carne, acho que duas pessoas podem se casar não importa o sexo delas, sou ateu, acredito que animais tem os mesmos direitos que humanos, e em círculos de libertários, é comum encontrar pessoas que concordam com essas afirmações, inclusive vários libertários influentes.
O que é voluntarismo? Não agressão combinada a relações voluntárias entre indivíduos.

O texto tem vários erros extremos, abaixo eles:

“Esquerda que se preze defende direitos a todos aqueles que os merecem”
HAHAHAHAHA, esquerda defende direitos? Só se for na cabeça maluca de quem nunca viu ela na prática. Já ouviu falar de Gulags? nos regimes socialistas do século XX 100 milhões de pessoas morreram por discordar dos governos, isso ignorando guerras, além disso, pessoas são proibidas de sair do país(Muro de berlim), e são obrigadas a comer carne caso não queiram ter uma deficiência de proteína(uma vez que comida é racionada).

“Desprezar os Direitos Humanos fez o socialismo histórico do século 20 ser estigmatizado para muitos como uma “ideologia do mal”, e atrapalhou enormemente os esforços mesmo da esquerda libertária de se expandir à popularização. ”
Sei lá cara, para mim se algo matou 100 milhões de pessoas e não funcionou nas várias vezes que foi tentado, é um motivo bom para ser contra essa ideologia. Obviamente como voluntarista, eu acredito que você tem o direito completo de se juntar a outros e tentar um regime de esquerda, porém, como voluntarista, eu sou contra você forçar isso em pessoas que não aceitaram essa doutrina, simplesmente porque você acha que é certo.

“O sistema de escravidão animal que vigora hoje é, sem dúvidas, algo injusto, violento e explorador, tanto quanto o capitalismo, ou ainda pior que ele.”
“Capitalismo” é o que te mantém vivo, é o que te permite ter computador e internet, é o que permitiu o progresso da humanidade. Me cite um país comunista que tem acesso a internet para pelo menos 50% da população como quase todos os países que não foram controlados por socialistas no século XX tem.

“Aliás, exploração animal e capitalismo andam de mãos dadas, entrelaçadas e com alianças”
Esse termo de novo, “capitalismo”…
Voluntaristas são contra matar ou escravizar animais, uma vez que nossa moral é baseada em não agressão.

“a inibição do ativismo financeiro do veganismo”
Veganismo não é anti-lucro. Se um carnivoro ganha R$1000 por mês e gasta R$400 em empresas que exploram animais e R$600 em outras despesas, enquanto um vegano ganha R$1000 e gasta R$0 em empresas que exploram animais ele não está indo contra empresários em si, uma vez que ele ainda está gastando R$1000.

“Bombardear de questionamentos o sistema e lutar contra ele é algo que os Direitos Animais fazem com primazia, com expedientes muito semelhantes aos da esquerda política”
Não só da esquerda, mas de qualquer visão que é contra o “Sistema malvado”. Eu como voluntarista sou totalmente contra como política funciona, não preciso ser da esquerda para ser contra. Aliás, o PT governa o país e é um partido que se denomina de esquerda, esquerdista se dizer contra o sistema é meio hipócrita para quem faz uma divisão dualista como o autor.

“Na França pré-revolucionária, os jacobinos lutavam contra a exploração do Terceiro Estado (trabalhadores e burgueses) pelos dois primeiros (nobreza e clero). Marx, Engels e os marxistas, contra a do ser humano pelo ser humano. Os abolicionistas humanos do século 19, contra a dos escravos pelos seus senhores. @s feministas, até hoje, contra a das mulheres pelos homens. E agora temos os defensores dos DA em confronto contra a exploração dos animais não humanos pelos humanos. ”
Dualismo…
Na prática não é uma coisa bonita de bem vs mal, ambos os lados tem problemas. Jacobinos eram burgueses, marx viveu a vida toda sem trabalhar, vivendo do dinheiro produzido por outros. Lincoln só libertou os escravos porque precisava de soldados. muitas feministas querem acabar com a maioria(ou todos) os homens.

“A esquerda moderna, pelo menos desde Paulo Freire, defende uma ou mais formas de pedagogia libertária, que incite os alunos a serem livres pensadores dotados de forte senso crítico, terem aversão a dogmas e encararem ideologias com questionamento e ceticismo.”
Deve ser por isso que a esquerda defende a educação padronizada a todos, através do estado, e contra escolas particulares, uma vez que todos devem ter a mesma educação(nada diz liberdade como forçar a pessoa a ser igual a outras), enquanto que em países capitalistas malvados como os EUA os pais tem direito de escolher a educação do filho, seja através escola pública, particular, ou ensino em casa.

“Desde o começo da chamada modernidade, os movimentos de esquerda vêm contestando hierarquias morais e sociais arbitrariamente mantidas pelo capitalismo e por outras formas de estratificação social.”
E logo depois defendendo a hierarquia do partido que funciona exatamente como a nobreza num sistema feudal.

“A hierarquização de uma sociedade em estratos, sejam eles castas, estamentos ou classes, acaba legitimando ideologicamente discriminações, opressões e violências”
NÃO, nada legitimiza agressão.
Dividir o povo entre governantes e povo é agressão.
Permitir que pessoas trabalhem e prosperem não é divisão de castas, pobres ficam ricos e ricos ficam pobres, ninguém é obrigado a viver pobre o resto da vida(como é no socialismo) nem tem a chance de viver na modormia sempre(como é no socialismo, para membros do partido).

“podendo fazê-las se manifestar até sob a forma de assassinatos, e isso é combatido pelo ideário esquerdista.”
Esquerda contra assassinato? HAHAHAHAHA[2]
Stalin expandiu o comunismo através de guerras.
Mao matou milhões com a revolução cultural, além de destruir quase todos os livros da china.
Pol-pot exterminou quase toda a população e entrou em guerras.
Marx fala no capital que a revolução comunista iria causar a morte da burguesia.

“Vale lembrar, porém, que essa proposta de acabar com a estratificação classista em alguns momentos da História foi abandonada por regimes socialistas autoritários, os quais impuseram uma nova hierarquização ao longo do século 20. Estatizaram a economia e acabaram com a hierarquia de classes mas criaram uma nova estratificação, com os burocratas a serviço do partido único no alto e os governados na larga base.”
Exatamente, na prática comunismo vem com boas ideias, mas só cria merda.

“E assim como no caso da defesa da sociedade sem meios de produção privados, qualquer tentativa de substituir uma hierarquização por outra caracteriza corrupção da ideologia libertária original”
Sabe qual ideologia é contra hierarquia forçada? Voluntarismo. Como assim hierarquia forçada? Simples, você quer ser dono de um ser vivo contra a vontade dele? isso é forçado. Você quer criar um governo que força todos a seguir leis arbitrárias? isso é forçado. Você quer trabalhar para alguém? isso não é forçado, é voluntário. Você quer virar escravo sexual de alguém? é voluntário.

“E tem também a concentração de renda e de terra imposta também pelo tentáculo especista do capitalismo”
De novo esse termo.

“Os resultados desses aspectos, combinados com outros problemas capitalistas”
E de novo.

“são a perpetuação da fome e da subnutrição entre os mais pobres”
Coréia do norte e cuba, 2 países que maior parte da população vive em estado de subnutrição, devem ser capitalistas extremos.

“a miséria no campo”
Pessoas que moram na zona rural tem uma renda média maior que pessoas na cidade.

“Outro aspecto da ligação carnal entre as duas libertações é a intenção do abolicionismo, também compartilhada com o esquerdismo, de libertar a humanidade”
Esquerda quer libertar a humanidade para em seguida escraviza-la ao governo ou na melhor das hipóteses ao resto do povo. Isso é no mínimo uma definição bem diferente de liberdade.

“É uma situação muito semelhante ao capitalismo e à divisão do trabalho a ele inerente”
Maldito sistema capitalista e sua divisão de trabalho, seria muito melhor se eu tivesse que pegar uma pedra para cavar grafite, e cortar lascas de madeira para fazer um lápis, em seguida plantasse canhamo para fazer papel e assim poder começar a projetar um computador, fosse cavar silício, purificar silício, encontrar petróleo, transformar em plástico e depois de uns 10 anos ter um computador para poder finalmente responder a esse tópico. Ah não, espera, ainda preciso fazer minha casa, colocar nela eletricidade que eu mesmo descobri como gerar e depois internet. Ao invés disso tenho que ser explorado pelos capitalistas malditos que usam da divisão e especialização do trabalho.

“E tanto o esquerdismo como os DA vivem numa situação permanente de conflito entre libertadores que querem mudar a realidade e conservadores que querem mantê-la como está.”
Tem uma galera enorme na direita que defende mudança, não é especialidade da esquerda.

“10. Os DA são anticonservadores, no sentido de rejeitar a conservação ou o retrocesso do status quo”
Quase toda ideologia é anticonservadora, até evangélicos que querem recriar a idade média são anticonservadores, porque estão mudando o status quo.
Agora, se retroceder inclui ser conservador, então a esquerda é conservadora, porque é contra milhares de tecnologias e formas de se organizar socialmente.

“demonização da homoafetividade, a aversão a atitudes de liberação sexual, a restrição da vida da mulher ao espaço doméstico, a oposição incondicional ao aborto, a subvalorização dos Direitos Humanos, a oposição à “desordem” mesmo quando esta significa mobilizações sociais legitimamente democráticas etc., são pensados de maneira exatamente oposta no caso de grande parte da esquerda.”
Esses tópicos também são defendidos por libertários, na maioria das vezes, antes da esquerda.

“11. Os DA são radicais ao exigir a mudança do atual estado de coisas”
Assim como evangélicos também são. Quase todo grupo pode ser considerado radical.

“12. Os DA se fundamentam pela ética evoluinte, ao contrário do conservadorismo, que se escora numa moral estacionária”
Dualismo infantil de Conservadores vs Esquerda.

“13. Os DA pretendem mudar o mundo, trazendo no lugar da cultura de violência e desigualdade uma nova pautada pela paz, pela alteridade e pela igualdade de direitos”
Sem violência? esquerda não gosta de paz, ver argumentos anteriores.
Aliás, esse argumento ignora completamente a existência de psicopatas que vão abusar facilmente de um sistema que é contra a violência em todos os casos.

Considerações finais:
Esquerda e liberdade não se misturam. Mesmo Noam Chomsky e Jacque Fresco, ícones do anarco-comunismo defendem o governo regularmente.
Esquerda e paz não se misturam. Esquerda usa quase sempre de violência para atingir o que quer.
Esquerda e vegetarianismo não se misturam. Marx comia carne, Mao comia carne, Stalin, Chomsky, Fresco também não.
Liberdade e libertarianismo se misturam. Nos EUA por exemplo, o partido libertário é a favor de casamento gay a 4 décadas, é a favor do aborto, da liberação total das drogas etc…
Libertarianismo e paz se misturam. A base do libertarianismo é não iniciar violência.
Libertarianismo e vegetarianismo se misturam. Adam Smith era vegetariano, John Locke também, Stefan Molyneux é vegetariano.

    Robson Fernando de Souza

    abril 12 2013 Responder

    1. Falei especificamente da esquerda libertária, que não inclui a esquerda autoritária (socialismo histórico) do século 20. Portanto, todos os argumentos que tocarem nos regimes socialistas do século passado não irão convir a este texto.
    2. Não fiz dicotomia entre conservadores onívoros e esquerdistas vegetarianos. Deixei claro desde textos passados que há esquerdistas especistas e veganos de direita.
    3. Você me acusa de pôr toda a direita no mesmo saco (perceba, aliás, que pouco toco no universo das ideologias de direita), mas você próprio fez isso ao tachar toda a esquerda de autoritária, antilibertária e afinada com o que aconteceu no século 20. E faz aquilo que me acusa: demonizar a esquerda inteira por causa de poucas correntes (falácia de inversão do acidente) e sacralizar certas ideologias de direita.
    4. Comunismo propriamente dito nunca existiu nas sociedades modernas. Faz-se muita confusão do comunismo com o socialismo histórico.
    5. A linha de raciocínio “Capitalismo é bom porque graças a ele você tem computador, internet etc.” acaba justificando a exploração animal, pois se deve a ela muitos progressos à humanidade, como vacinas, produtos advindos de experiências espaciais (que foram precedidas por testes de foguetes com animais a bordo), terapias diversas etc. Em última análise, experimentos cruéis em laboratórios nos deixam vivos. Uma coisa não justifica a outra.
    6. “Veganismo não é anti-lucro.” – Ninguém falou que é.
    7. “Aliás, o PT governa o país e é um partido que se denomina de esquerda,” – PT não é mais de esquerda.
    8. “Jacobinos eram burgueses” – Eram esquerda na época pré-socialista.
    9. “muitas feministas querem acabar com a maioria(ou todos) os homens.” – Isso diz respeito ao feminismo em si?
    10. “E logo depois defendendo a hierarquia do partido que funciona exatamente como a nobreza num sistema feudal.” – Falácia do espantalho
    11. “NÃO, nada legitimiza agressão.” – Conte-nos mais sobre ideologias homofóbicas e racistas, que por muito tempo foram e ainda são defendidas por uma parte da direita e conivenciada pela outra.
    12. “Quase toda ideologia é anticonservadora, até evangélicos que querem recriar a idade média são anticonservadores, porque estão mudando o status quo.” Defina seu conceito de conservadorismo.

    No mais, o artigo fala de esquerda libertária enquanto você critica o contrário – a esquerda autoritária. Isso se chama falácia do espantalho.

    Sandro

    novembro 12 2015 Responder

    Seu texto é fantastico

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo