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maio13

A (não) redenção dos ateus, o não mais sumo pontífice e a perda da moral da Igreja Católica
Papa Francisco, um pontífice não mais sumo desde que o Vaticano "corrigiu" sua declaração sobre os ateus serem redimidos

Papa Francisco, um pontífice não mais sumo desde que o Vaticano “corrigiu” sua declaração sobre os ateus serem redimidos

Aviso: texto polêmico para católicos. Se você é católico praticante, leia por sua conta e risco.

Essa semana, o papa Francisco surpreendeu o mundo ao dizer que os ateus de bom coração e boas obras também são dignos da salvação divina. Mas, pouco tempo depois, foi “desmentido” por alas hierárquicas inferiores do Vaticano, as quais, por meio de algum porta-voz, declararam que, por não terem fé em Cristo e nos dogmas católicos, os ateus não terão qualquer redenção depois da morte. A instituição Igreja Católica, por insinuar que o “infalível” papa “falhou”, mantém sua milenar intolerância religiosa oficial a um preço muito alto: a integridade do seu moral político e espiritual.

Com essa providência que visa manter o controle sobre seus fiéis pelo medo de renunciar à fé e continuar negando o reconhecimento da dignidade de quem pensa diferente do dogmatismo católico oficial, a ICAR entra em contradição, ao revogar de forma oficiosa o dogma da infalibilidade papal – ao “corrigi-lo” – e tirar dele o moral que tinha como porta-voz de Deus. Aliás, o próprio Deus católico se mostra indeciso, falho e imperfeito, ao anunciar que redime os ateus e voltar atrás em seguida.

Os ateus, por sua vez, não estão nem aí, já que para eles uma declaração do Vaticano tem tanto valor normativo quanto uma pedra sem nada escrito nela. Mas, para alguns, incomoda o fato de que a ICAR, nem que tivesse que contrariar sua própria hierarquia, se mantém uma adversária dos ateus, ao lhes prestar a intolerância de insinuar que eles irão para o inferno e interditar a possibilidade de que a tradição ateofóbica de dizer que “sem Deus não há vida e felicidade” seja combatida pela Igreja.

Chateia que esta reflexão tenha que fazer coro aos neoateus, mas infelizmente se faz necessário esvaziar o moral político e espiritual da Igreja Católica, visto que ela chega ao ponto de tirar poderes do Papa para se recusar a adotar uma política de respeito e diálogo com os não católicos. Para isso, porém, creio não ser necessário roubar dos católicos a fé, porque nada impede que passe a existir reconhecidamente um catolicismo sem Igreja Católica, o qual se livrasse do abjeto conservadorismo intolerante da instituição mencionada e adotasse o que há de mais amoroso e solidário de teologias libertárias caçadas pela ICAR como a Teologia da Libertação e A espiritualidade também libertadora de Leonardo Boff.

Aliás, esse esvaziamento de moral institucional já vem acontecendo. O Papa não é mais tão “infalível” como o catecismo dizia e não se sabe mais de onde vem a mensagem de Deus – se do (não mais tão) sumo pontífice ou de categorias hierárquicas inferiores. A Igreja passou uma mensagem contraditória e precisou se “corrigir”, e isso a desmoraliza perante seus fiéis e as pessoas de outras crenças. Soma-se às centenas ou milhares de casos de pedofilia sacerdotal. Tira o crédito e a confiabilidade da mensagem eclesiástica, fazendo o Vaticano perder mais e mais fiéis.

Com isso, resta torcer para que, à medida que a ICAR continue decaindo, surja reconhecidamente um catolicismo independente dela, que seja humanitário, tolerante, progressista e realmente merecedor de divulgar sem hipocrisia as melhores mensagens de amor, humildade e igualdade de Jesus e esvazie o púlpito da reacionária instituição.

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João

julho 25 2013 Responder

Meu caro, que burrice essa a que você escreveu. Procurasse antes no Google uma fonte antes de falar bobagem sobre infalibilidade papal…

“O Romano Pontífice, quando fala “ex cathedra”, isto é, quando no exercício de seu ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou costumes que deve ser sustentada por toda a Igreja, possui, pela assistência divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse a sua Igreja na definição da doutrina de fé e costumes. Por isto, ditas definições do Romano Pontífice são em si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja, irreformáveis.”, Constituição Pastor Aeternus.

    Carlos

    agosto 10 2013 Responder

    Prezado João e Robson,
    como citou o João, a infalibilidade papal só é considerada quando este “define uma doutrina de fé ou costumes que deve ser sustentada por toda a Igreja”. Este certamente não foi o caso quando o papa Francisco se referiu a um eventual (talvez até hipotético) caso de um ateu ter comportamento e caráter de gente de bem e, por isso, merecer por isso a salvação. Conheço muitos ateus de caráter impecável, o Cardeal Bergolio certamente também os conhece. Porém quando a Cúria romana, que está para ser reformada, se manifesta dizendo que o conhecimento do Evangelho e de Cristo são fundamentais para a salvação, não incorre numa contradição em relação ao que o papa disse. De fato, o padrão de conduta e caráter referido pelo Pontífice romano é exatamente o do Evangelho. Assim, mesmo que desfiliado de qualquer denominação religiosa e imune a qualquer tipo de crença sobrenatural, os ateus (pelo menos os ocidentais) participam de uma sociedade gestada sobre valores morais cristãos. Atenção às necessidades alheias, empatia pelo sofrimento de outros, altruísmo, são valores fundamentais para os cristãos, mesmo que muitos não os considerem. Na teologia católica, o comportamento que o papa chamou de “boas obras” é conhecido como ortopraxis, e é uma dos pilares da adesão ao catolicismo, que de modo distinto do protestantismo, recomenda a ortodoxia (correta crença) e a ortopraxis (correta ação). Espero que estas modestas palavras ajudem aos ateus que consultam o seu blog a pensarem em dialogar de modo rico e mutuamente proveitoso com os que creem, afinal, cremos por que vemos razão para crer, assim como vcs não creem por terem razões para não crer. Nenhum de nós é tolo, por isso não faz sentido nos tratarmos como tal.

Fernando Soares

junho 17 2013 Responder

Meu caro, pelo menos se dê ao trabalho de pesquisar um pouco no google. O Romano Pontífice é infalível apenas quando define ex cathedra uma doutrina de fé e moral. Se não qualquer elocução dele seria um dogma, o que obviamente não é sustentado pela doutrina católica.

A única instância em que a infalibilidade papal foi usada depois de definida pelo concílio Vaticano I foi a definição do dogma da Assunção da Virgem Maria, na constituição apostólica Munificentissimus Deus em 1950.

Ígor

junho 13 2013 Responder

Comentário ofensivo apagado. Tente argumentar em vez de dar adjetivos ofensivos a outros, ok? RFS

Jones

junho 11 2013 Responder

A fé católica é bela e viva, já a instituição decai e morre cada vez mais. A história já nos revela o que é a instituição católica apostólica romana. O catolicísmo institucional já não exerce tanto poder como antigamente, o Papa e o vaticano sabem disso. Ora, um ateu que crumpre a vontade de deus pelo seu próprio caráter não merece ganhar a salvação? O Papa Francisco teria elevado a moral da instituição católica se não fosse os intolerantes da igreja e seus dogmatismos que não mais se sustentam na atual sociedade. A igreja deve evoluir com a sociedade.

Wendell

junho 4 2013 Responder

Meu caro, seu texto é um verdadeiro festival de desconhecimento da Fé Católica, sequer se deu ao trabalho de conhecer o dogma da infalibilidade papal! Não seria bom dar uma olhada nas fontes, antes de sair por aí dizendo o que lhe vem na cabeça? Isto para dizer o mínimo.

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