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jun13

Por que o comercial da Lupo com Neymar contém homofobia

O comercial das cuecas e meias da Lupo com participação do atacante Neymar tem causado polêmica. De um lado, militantes da causa LGBT e simpatizantes se queixam de que houve uma carga homofóbica no comercial. De outro, pessoas de fora desse movimento acusam os anteriores de “patrulheiros do politicamente correto” e alegam que não tem nada de mais no comercial. Afinal, por que a queixa de que houve homofobia, ainda que discreta, na propaganda?

A antipatia à homossexualidade ficou evidenciada no instante em que um homem pede pela “cueca sexy do Neymar” e o jogador foge e evita se mostrar com a roupa íntima para ele, cena que contrasta com as exibições dele para as mulheres que pediam os produtos da empresa, mesmo elas não sendo do padrão de beleza “jovem gostosa com rosto de miss”. Se Neymar, até por já ter namorada, não esboçava segundas intenções para as mulheres que pediram cuecas e meias nem tinha medo de ser cantado por elas, por que então fugiu do rapaz cliente, mesmo tendo em mente que o simples ato de se exibir como manequim com a cueca para ele não implicaria interesse sexual de nenhum dos lados? Essa é a pergunta que inspirou o alerta de homofobia dos militantes da causa LGBT.

Outros pontos criticáveis do comercial são a naturalização e legitimação de comportamentos de antipatia e aversão medrosa a gays por parte de homens héteros e a divulgação do estereótipo do homem gay que faz insinuações sexuais para qualquer outro homem, homossexual ou não, que veja pela frente. Nada indicava que o rapaz que queria a “cueca sexy” queria cantar ou ter relação íntima com Neymar – aliás, nem ficou claro se o homem era gay ou não –, mas a fuga do jogador dá a entender que ele teme e/ou antipatiza homens que exploram a sexualidade masculina – e medo e antipatia por homossexuais, até por ser formas de aversão, também são definidos pelo vocábulo “homofobia”.

E nessa situação, naturaliza-se a crença preconceituosa de que homens héteros, para evitarem ser confundidos com gays, devem fugir destes, evitar contato ou mesmo aparição física, uma vez que, se dessem alguma atenção, correriam alto risco de serem cantados e molestados por eles. Ou seja, nada de aparecer de cueca, nem como mero manequim, para um cliente gay, porque vai ser assediado se o fizer, afinal, gays são “naturalmente” promíscuos mesmo com quem não quer nada com eles – é a ideia que se passa.

Foi por isso que se reclamou de homofobia no comercial – por mostrar um Neymar se comportando como um homofóbico com medo de gays e naturalizar o comportamento de fugir deles para evitar um “risco” de assédio sexual. Antes de se carimbar uma queixa de “patrulha do politicamente correto” e tentar colocar como verdade definitiva a hipótese de que “não havia nada de mais”, faz-se necessário questionar antes: por que as queixas? – e fazer um exercício de análise do discurso, mesmo que seja para refutar as evidências de preconceito alegadas.

imagrs

14 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ana

setembro 16 2013 Responder

Me desculpe, mas quero discordar sem ser xingada e com todo respeito.
O Neymar sendo heterossexual (pelo menos, segundo ele mesmo) é claro que se sentirá desconfortável em dançar de cuequinha para homens (sendo eles homossexuais ou não, daí a não-homofobia do comercial), assim como homens homossexuais não se sentirão confortáveis sensualizando diante de mulheres… e isso não é heterofobia e nem misoginia. “Fugir” do que nao te atrai é perfeitamente normal, homossexuais vivem declarando que tem “nojo” de mulheres (palavra forte ao meu ver, mas enfim, mostra esse sentimento de “fugir”)

Edson

julho 3 2013 Responder

É sério que vocês classificam o fato de um homem não querer se mostrar para outro homem de cueca como homofobia? Porquê é somente o que mostra a propaganda.

    Robson Fernando de Souza

    julho 3 2013 Responder

    Você realmente leu o texto?

Jones

junho 10 2013 Responder

A não…vai falar que o comercial é homofóbico?! Talvez o cara é um amigo dele (no comercial), e o Neymar ficou com vergonha de aperecer de cueca e ser zuado. Se eu estiver pelado, ao visualizar um homossexual, sair do local, é homofobia ? Quem diz que o comercial é homofóbico, no mínimo é um fanático sem noção.

Adrian

junho 10 2013 Responder

Amigo Robson,como vai?

Gostaria que você assistisse esse video, se possível comenta-se o que achou.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=7ePHeNKcFrQ

Paz

    Robson Fernando de Souza

    junho 10 2013 Responder

    Desculpe, mas não tenho tempo de assistir a um vídeo tão comprido, ainda mais de um meio fundamentalista como o Mídia sem Máscara.

Adrian

junho 8 2013 Responder

Gostaria que você me falasse qual é o seu conceito de homofobia.
Para mim homofobia é caluniar,difamar ou agredir física ou verbalmente alguém por sua condição sexual, e não apenas uma agressão hipotética ao coletivo abstrato.

Gostaria que você botasse o seu ponto.

Grande abraço

    Robson Fernando de Souza

    junho 8 2013 Responder

    Homofobia é relativa a tudo aquilo que consiste em discriminar e preconceituar homossexuais em função de serem homossexuais. Isso inclui considerar a homossexualidade algo repulsivo e digno de inferiorização dos homossexuais.

      bruno

      setembro 21 2013 Responder

      Homofobia: aversão ao homossexualismo desejo de espancar,torturar e matar homossexuais.

Adrian

junho 6 2013 Responder

”Outros pontos criticáveis do comercial são a naturalização e legitimação de comportamentos de antipatia e aversão medrosa a gays por parte de homens héteros…”

Como pode haver aversão e antipatia a gays,se no vídeo em questão o sujeito que procura a ”cueca sexy” não aparece como sendo o esteriótipo de um homossexual(caso contrario não há saber quais os seus sentimentos),como você mesmo admite?

”…e o jogador foge e evita se mostrar com a roupa íntima para ele…”

Então se o sujeito for hétero é não se sentir confortável com isso,ele é considerado homofóbico?
Ora,a grande maioria dos homens heterossexuais não se sente bem em ser olhado,tocado ou ”cantado” por outros homens,isso não pressupõe ódio irracional ,isso pressupõe no máximo,que ele esta a demarcar a sua sexualidade.

”…A antipatia à homossexualidade ficou evidenciada no instante em que um homem pede pela “cueca sexy do Neymar…”

como pode haver homofobia ai,se não existe um homossexual real para sofre-la?
O que existe é apenas um hipotético homossexual(que pelos dados mostrados no vídeo pode muito bem ser bissexual ou porque não, completamente assexuado?)

Ficam aqui minhas criticas,

Paz

    Robson Fernando de Souza

    junho 7 2013 Responder

    1. Ele não aparece estereotipado, mas Neymar foge dele por ele querer explorar a sexualidade masculina.
    2. Não entendi a pergunta. Sobre homens héteros se sentirem mal em serem cantados por gays, não é bem o caso do comercial, onde o outro cara só pediu uma “cueca sexy”.
    3. Nesse caso a homofobia não foi tanto contra um gay assumido, mas sim contra a homossexualidade em si.

      Adrian

      junho 8 2013 Responder

      Olá novamente,

      ”3. Nesse caso a homofobia não foi tanto contra um gay assumido, mas sim contra a homossexualidade em si.”

      Como pode ter sido homofobia se na existe um agente real e concreto para sofre-la?

      dai você me responde que o vídeo é contra a homossexualidade em si.

      Ora,se é de fato contra o próprio conceito de homossexualidade,trata-se de uma abstração total e completa; pois deveria atentar contra todos os gays do universo e ao mesmo tempo contra ninguém em particular.

      é uma ideia absurda não concorda?

        Rafael

        junho 29 2013 Responder

        Por que é absurda Adrian?

        Leia o texto do Robson de novo, por favor não me diga que não viu como o comercial passa um comportamento homofóbico:

        O comercial passa “a naturalização e legitimação de comportamentos de antipatia e aversão medrosa a gays por parte de homens héteros e a divulgação do estereótipo do homem gay que faz insinuações sexuais para qualquer outro homem, homossexual ou não, que veja pela frente. Nada indicava que o rapaz que queria a “cueca sexy” queria cantar ou ter relação íntima com Neymar – aliás, nem ficou claro se o homem era gay ou não –, mas a fuga do jogador dá a entender que ele teme e/ou antipatiza homens que exploram a sexualidade masculina – e medo e antipatia por homossexuais, até por ser formas de aversão, também são definidos pelo vocábulo “homofobia”.”

Lcosta

junho 6 2013 Responder

De leve ou não,a homofobia é claramente presente à olhos minimamente atentos à causas sociais e igualdade de tratamento,independente da orientação sexual de um indivíduo.Pois bem,o que os criadores de comerciais(nesse caso os contrários às críticas) desse tipo dão como resposta para críticas, são que a intensidade da homofobia era pequena,portanto,tolerável.-Um tapa na cara de quem ficou indignado e se sentiu alvo de homofobia,dizendo-lhes que usar uma pessoa famosa para divulgar um conteúdo homofóbico estava tudo bem,desde que não seja pesado.Ou seja,não existe negação de culpa,mas uma réplica ignorante sobre seu impacto na sociedade não ser relevante,e isso é grave.

Eu fico imaginando se na época da abolição da escravatura,se houvesse o mesmo tipo de mídia naquela época,e logo após a Lei Aurea,resolvessem criar um comercial claramente racista,mas que não dizia que eles(os criadores) eram contra à abolição, seria um grande impacto de críticas humanistas naquela época(não pela grande massa conservadora).Já hoje,apesar de existir ainda,o racismo está escondido,e se ele for descoberto,pessoas pagarão por isso(bem ,algumas não),por ser algo unanimamente(ou quase)considerado um crime,mesmo que seja “de leve”.Mas então porque a homofobia ainda não é tratada como racismo?

Difícil Robson, é tentar colocar essas coisas na cabeça de quem divaga essa mídia de uma maneira tão leviana,e sem nenhuma consciência do tipo de mensagem que está passando para um povo que pode aceitar mais ainda(falando sobre maiorias) o que já vem aceitando à decadas,e não vendo erros no que está assistindo.Apenas vendo um comercial legal do Neymar.

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