09

jul13

A verdadeira “decadência moral”
A verdadeira "decadência moral" está nos próprios acusadores de uma suposta degeneração moral da sociedade atual.

A verdadeira “decadência moral” está nos próprios acusadores de uma suposta degeneração moral da sociedade atual.

Dizem os conservadores que estamos enfrentando uma “decadência moral”, com a aceitação de valores que eles rejeitam com ódio, como o respeito às diferenças e a intolerância contra o preconceito. Porém, se observarmos direitinho, concluímos duas coisas: primeiro, nunca existiu uma “decadência” propriamente dita da moralidade; segundo, os autênticos “moralmente decadentes” são ninguém menos que aqueles que acusam a sociedade de ser “cada vez menos moral”.

O conservador insiste que a sociedade atual está se “degenerando”, se tornando “imoral”, sofrendo uma “decadência de valores” em contraste com um idealizado passado de retidão moral universalizada. Porém, quem for ler bons livros de História vai perceber que nunca aconteceu essa convencionada “decadência”. Uma enorme parte da sociedade sempre foi um poço de imoralidade.

Por exemplo, a corrupção na política não é novidade – e pode ter sido ainda pior no passado, visto que tudo ou quase tudo acontecia fora das vistas da sociedade, sem nenhum cidadão saber. Outro fato é que o respeito ao próximo nunca foi o forte dos moralistas, que desde antigamente desrespeitam e discriminam negros, mulheres, pobres, ateus, afrorreligiosos, pessoas que desafiam a cis-heteronormatividade etc.

Da mesma forma, a “degenerescência” ético-moral era ainda mais presente em tempos antigos do que hoje, sob a forma de destruição ambiental, promovida sem qualquer oposição; assassinatos por honra; machismo/misoginia muito pior do que hoje; racismo e elitismo como valores sociais amplamente aceitos; intolerância religiosa como norma para cristãos; entre tantos outros aspectos hoje reconhecidos como antiéticos e condenáveis.

Tendo-se isso em consideração, percebemos que muitos dos que hoje falam em “decadência moral” são eles próprios avatares da falta de ética e de senso moral atualizado. Isso por causa de comportamentos odientos e odiosos manifestados por tais moralistas, como machismo, homofobia, intolerância contra ateus e minorias religiosas, costume de tentar mandar nas crenças e ideias dos outros, convicções antiliberdades, preconceito contra pobres, apoio à exploração animal etc.

Se hoje a tendência é de progresso ético-moral através do reconhecimento dos direitos e da dignidade das minorias políticas, ser contra essa expansão da consideração moral é militar justamente pelo retrocesso, pela degradação do sempre evoluinte panorama moral da sociedade. Portanto ser a favor da moralização e do respeito aos valores éticos não só passa muito longe de ser um conservador moralista, como também é ser diametralmente contrário ao conservadorismo e do moralismo.

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