12

jul13

Daniela Andrade: Pessoas trans* sem direito até mesmo a usar banheiros

simbolo-trans-1Mais um texto de Daniela Andrade, militante pela visibilidade trans*, dessa vez denunciando que mulheres trans* não têm nem mesmo o direito de usar o banheiro, por serem proibidas de entrar em banheiros femininos e hostilizadas e agredidas ao usarem banheiros masculinos.

 

Pessoas trans* sem direito até mesmo a usar banheiros
por Daniela Andrade

Estava vendo uma notícia agora de uma menina trans* (minha amiga) sendo impedida de usar o banheiro na escola, tendo de recorrer à justiça para poder garantir um direito tão… básico, simplório. Coisas que quem não é trans* na maioria dos casos passa longe de passar, deve ser como respirar, é tão fundamental e a pessoa faz a todo momento e no automático que aquilo não a induz a passar um segundo pensando sobre o assunto.

É um problema que a sociedade prefere fingir que não existe, não é só em escolas, é em todo lugar. Travestis e transexuais são arrancadas de dentro de banheiros como se fosse a coisa mais natural do mundo; a desculpa é dar segurança para as mulheres cis, mas e a segurança das mulheres trans* tendo de entrar em banheiros masculinos? Aí ninguém pensa né, afinal de contas, mulheres trans* não são sujeitos de direito e não correm risco por exemplo de serem estupradas – e tenho certeza que se reclamarmos disso, irão dizer que a gente “quis virar mulher” por safadeza. É por conta disso que conheço tantas pessoas trans* que desenvolveram incontinência urinária ao longo da vida, que é o meu caso. Eu sabia que se eu usasse o banheiro masculino seria agredida lá dentro ou estuprada (como o fui sem precisar entrar em lugares exclusivamente masculinos), e o uso do feminino era/é negado.

Cansei já de ver meninas trans* sendo arrancadas de dentro dos banheiros. Lembro que uma vez fiquei com um segurança do Metrô que me contou com tranquilidade que expulsou diversOs travestis (sempre desrespeitando a identidade de gênero das travestis) do banheiro na estação República. O detalhe é que a República é um lugar com bastante circulação de travestis e transexuais, considera-se inclusive que seja um bairro LGBT friendly. Se num lugar assim as mulheres trans* estão sendo expulsas do banheiro, imagina em outros locais. [PS: Evidente que dei adeus para esse segurança tão logo ele me contou essa insanidade como se eu tivesse de aceitar aquilo com naturalidade, o desrespeito às mulheres trans*].

Aí quando descobre-se que o índice de escolarização das pessoas trans* é muito baixo, muita gente diz que não estuda-se por que não se tem força de vontade. Pois é, entre outras coisas, vamos ver quantas pessoas conseguem aguentar 4, 5 horas todos os dias em um lugar sem poder usar o banheiro; pois se você tiver de fazer xixi, que faça na calça ou aguente até sua bexiga estourar. Isso pra ficar só na urina.

Mas enfim, para a sociedade, fazer necessidades fisiológicas em lugar seguro é um luxo a que só as pessoas que não são trans* podem desfrutar.

Eu só me pergunto até quando as pessoas que fazem as leis e que supostamente lutam por direitos humanos vão esquecer que entre outras coisas deveria haver leis em todo o país que criminalizasse quem impedisse uma pessoa trans* de usar um banheiro adequado para fazer suas necessidades fisiológicas.

imagrs

15 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Raphael

janeiro 24 2014 Responder

Acho ridiculo quando falam “como a mãe vai explicar para a filha sobre uma trans?” “como a mãe vai explicar para a filha que 2 homens se amam?” agora fazer uma criança esperar um presente quando acorda no dia 25 dez de um velho que entra em casa pela lareira (como se alguma casa brasileira tivesse lareira) pra trazer um presente e ainda por cima em 1 noite entraga para milhoes de crianças. Agora explicar que uma pessoa não se indentifica com o genital que nasceu ou que sente atração por alguem do mesmo sexo é coisa de outro mundo.

Edson Souza

julho 29 2013 Responder

Legal. Interessante como a realidade dói. Não sou dono da verdade mas a realidade dói.
Engraçado que nesse mesmo blog você prega que aquele projeto ridiculamente apelidado de cura gay quer impor aos gays uma reversão ao invés de ajudarem a se aceitar. É a mesma coisa que você faz.
Interiormente, os(as)travestis são mulheres, exteriormente homens. É mentira o que eu digo? Tudo que eu disse no meu comentário foi isso. E você assim censurou. Se eu disser pra você que sou um pássaro você vai falar o que? Certo, siga seu sonho e seja um pássaro. Deixe de hipocrisia Robson. Se não quer opiniões contrárias às suas, não deveria ter fundado um blog. Que credibilidade você quer ter se tudo aquilo que vai contra o que você pensa você censura? Até gosto do blog mas essa palhaçada de censura me desestimula a continuar acompanhando. Sei que não farei falta e espero sinceramente que você continue sua luta, mas com menos hipocrisia e mais verdade. Abraços. :/

    Robson Fernando de Souza

    julho 29 2013 Responder

    Opiniões contrárias são permitidas aqui desde que não incidam em preconceito – e transfobia, mesmo trazida em forma de teoria, é um preconceito vedado por aqui. Se você quer continuar podendo comentar por aqui, evite discriminar pessoas trans e quaisquer outras minorias cujas identidades são cotidianamente aviltadas e negadas pelas maiorias. Comentários que violem essas regras continuarão sendo apagados e seus postadores bloqueados em caso de reincidência.

    Ache censura se quiser, mas preconceito, mesmo “racionalizado”, não tem vez por aqui.

Edson

julho 23 2013 Responder

Triste. Não precisava ter apagado minha pergunta. Mas já que apagou, tem a resposta? Não entendi onde está a “transfobia” na minha pergunta. Gostaria que esclarecessem, pois a época da ditadura já se foi há muito. Se ofendi, quero saber onde e porquê.

    Robson Fernando de Souza

    julho 23 2013 Responder

    Insistir que mulheres trans são “homens” é pouca transfobia?

      Edson

      julho 24 2013 Responder

      Eu não disse que mulheres trans são homens, disse que travestis são homens. Quem tem genital masculino deve usar banheiro masculino. Isso que eu disse. S

        Robson Fernando de Souza

        julho 24 2013 Responder

        E você acha que As travestis gostam de ser chamadas de homens, não serem reconhecidas com sua identidade de gênero?

          Edson

          julho 29 2013

          Mais um comentário transfóbico apagado. Próximo comentário que insistir que mulheres trans (entre elas as travestis) são homens, será bloqueado por aqui. Aqui não é lugar de homens cis acharem que sabem mais do que as mulheres trans quem elas próprias são. Comentários desse tipo não são permitidos por aqui – a liberdade de expressão aqui implica a responsabilidade de não incidir em preconceito.

          Em vez de tentar impor às travestis uma identidade de gênero que elas recusam (e cuja recusa as faz ser vítimas de discriminação e até violências físicas e assassinatos), simplesmente respeite a elas e à vontade delas de serem o que são – mulheres. O que você pensa sobre as travestis não vai fazer com que elas deixem de ser o que são. RFS

      Edson

      julho 24 2013 Responder

      Se você ler o comentário que você apagou verá que não usei o termo trans e sim travesti. Estou aqui para conversar e não para discriminar. Respeito à todos, mas podemos conversar sem censura e sem fanatismos, com a mente aberta e com respeito. Entendo que a vida de quem é trans é difícil, até perguntei se estaria estampado no rosto de quem é trans que ele(a) é. O problema no banheiro é em banheiros de pessoas que o(a) conheçam. Porquê em banheiros públicos ou de desconhecidos ninguém notará ou dará a mínima importância. Acredite, ninguém fica prestando atenção se você é ou não é mulher desde o nascimento. Use o banheiro e pronto. Sobre os travestis, reforçando, na minha opinião, não há como uma pessoa que não é estudada ou esclarecida sobre o assunto, entender que ele tem uma identidade de gênero diferente da biológica. Você citou um guarda de metrô. Não há como saber se a pessoa que está entrando no banheiro é travesti ou não. Se é bissexual ou não. Há de haver privacidade sim, com o mínimo de segurança. É uma questão complicada sim, mas somente na base da conversa pode ser resolvido. Esclarecimento e informação. Essa luta é longa e árdua. Não perca seu tempo fechando sua mente. Abra-a e viva.

Jhonny F.

julho 18 2013 Responder

Falei aqui apenas de um caso particular (o transexual que é biologicamente pertencente ao sexo masculino).

Jhonny F.

julho 18 2013 Responder

Robson,
Nao creio que as mães que se objetem de ter suas filhas ocupando o mesmo banheiro que os transexuais sejam tranfobicas,afinal os transexuais são homens biologicamente falando.

Para mim a questão é muito mais complexa.

Eu acho complicado ”liberar” o uso do banheiro feminino para trans* pois acredito que traria um duplo constrangimento(tanto para as próprias trans como para as mulheres),mais também considero que a criação de um banheiro especial é uma medida segregacionista.

Creio que deva existir uma medida paralela(embora não saiba qual seja) para equacionar esse problema.

De qualquer forma o debate sempre é valido,façamos votos para que não fique apenas na internet.

    Robson Fernando de Souza

    julho 18 2013 Responder

    E justamente isso é que é a transfobia – negar às pessoas trans* o direito delas de terem o gênero que quiserem e lhes forçar que seu gênero e identidade correspondem obrigatoriamente ao genital.

Jhonny F.

julho 18 2013 Responder

Olá Robson,

Eu tenho pensado a respeito desse tema da visibilidade trans e vejo que realmente essas pessoas sofrem e estão a margem da sociedade.

Mais como conciliar o direito dos transexuais como o direito de,por exemplo uma mulher se sentir incomodada de usar o banheiro junto a uma transexual?

Ou ainda uma mãe,que não queira que sua filha em tenra idade utilize o banheiro com transexuais?

É uma questão muito complicada que a minha mente não conseguiu resolver.

Agora uma pergunta:o que você acha da criação de banheiros exclusivos para transexuais?

    Robson Fernando de Souza

    julho 18 2013 Responder

    Criar banheiros exclusivos pra trans* por esses motivos seria o mesmo que criar banheiros exclusivos pra homossexuais por causa da homofobia dos outros, salvo a diferença entre orientação sexual e identidade de gênero. O problema nos casos que você menciona é a transfobia, e não a presença d@s pessoas trans* nos banheiros.

Edson

julho 18 2013 Responder

Comentário transfóbico apagado. Respeite @s trans* se quer ter o direito de comentar aqui. RFS

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo