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Daniela Andrade: depoimento sobre uma vida torturada pela transfobia

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Daniela Andrade vendo sendo cada vez mais reconhecida por seu ativismo pela visibilidade e dignidade das pessoas trans*. Ela não quer que pessoas trans* continuem sofrendo o que ela sofreu ao longo da infância, adolescência, juventude e vida adulta e continua sofrendo.

Vale ler o depoimento dela, postado no blog pessoal dela Alegria Falhada, sobre como ela sofreu tanto na infância nas mãos de sua própria família e de pessoas estranhas por ter uma identidade de gênero diferente do genital com o qual havia nascido.

Uma história triste que nos convida a perguntar para nós mesmxs: é necessário impor papéis e identidades de gênero ao invés de deixar que a pessoa seja livremente quem ela realmente é? É válido causar tanto sofrimento por causa de tamanha mesquinharia da parte de quem não aceita a liberdade de identidade de gênero?

 

Qual o sentido de tudo isso?
por Daniela Andrade

Uma vez li em uma dessas revistas especializadas em psicologia que ainda no útero o bebê já sentia as pessoas e introjetava os sentimentos da mãe, por motivos que aqui não vêm ao caso essa frase me martelou por toda uma existência.

Quando minha mãe ficou grávida de mim, ela já tinha um bebê – meu irmão, e não sei por quais motivos, ela tentou me abortar algumas vezes. Isso ela nunca ficou sabendo, mas eu soube ainda criança ouvindo uma conversa atrás da porta.

Senti durante toda a infância que tinha nascido de graça, sem motivo aparente, sem amor e sem afeto. Ela me tratou durante o período de uma vida de todas as piores formas possíveis: dizia que me odiava, que eu não era filho dela e me surrou juntamente com meu pai milhares de vezes por motivos banais, sobretudo por que queria que eu me encaixasse dentro de um padrão masculino. Eu nasci com um pênis e ela e o restante da sociedade a minha volta me esmagavam cotidianamente para que eu cumprisse aquele papel de homem: bruto, viril, macho. E de fato, nunca senti afeto ou amor dos meus pais ou de qualquer outra pessoa da minha família, a forma que eles encontraram para lidar com uma filha (ou um filho) com tantos problemas foi com surras e palavras extremamente violentas, que feriam mais que a violência física.

Talvez date daí o ódio que passei a ter por todos os homens e tudo que significasse masculino. Eu olhava os meninos brincando na rua, o linguajar deles, a violência incentivada entre eles pelos demais e aquilo me dava uma náusea imensa por dentro. Na verdade, quando algum menino vinha conversar comigo e me tratava como um igual eu tinha muita vontade de vomitar sobre ele.

Depois de consultas com o psiquiatra – onde me levaram por que eu era uma criança “anormal” – ele pediu que meus pais me mantivessem longe de outras crianças ou que me vigiassem o tempo todo quando estivesse com outros meninos. Eu confessava para ele que tinha sempre uma vontade absurda de matar os meninos todos. Eu realmente só me sentia bem na companhia de outras meninas. Havia dentro de mim uma total ojeriza pelo mundo dito masculino.

Leia o artigo completo aqui

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