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Site da revista Capricho é bombardeado de críticas feministas por causa de posts machistas

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Nos últimos dias a revista Capricho, tradicionalmente destinada a meninas adolescentes heterossexuais, foi bombardeada de críticas feitas por feministas, por causa de um post bastante machista intitulado “Menina para namorar e menina para ficar: quais são as diferenças?”, datado da última quarta (veja o print da postagem aqui). O post em questão foi apagado ontem, mas as críticas continuam, dessa vez para outros posts de cunho igualmente machista do site.

A tal matéria sobre “meninas para namorar ou ficar” favorecia a rotulação da mulher como “para isso” ou “para aquilo”, além de deixar claro que certas moças só servem para ser “usadas e jogadas fora”. O julgamento da “moça para namorar” e da “para ficar” é feita com base em comportamentos à primeira vista ligados ao caráter e ao interesse amoroso (ou ausência de interesse) dela, mas de qualquer forma é uma rotulagem que favorece que rapazes héteros “usem” a mulher para um prazer momentâneo e a “descartem” depois da ficada. Além disso, a mesma revista, até onde se sabe, não fez (ainda) o mesmo em relação a rapazes heterossexuais (“menino para namorar ou menino para ficar”).

O post foi apagado depois de mais de 1500 comentários, a grande maioria de protestos. Mas não foi o suficiente para o site da Capricho se redimir da obrada: outros dois posts estão sendo intensivamente criticados atualmente: um em que um caso de estupro foi reduzido a um mero caso de “sexo sem romantismo”, datado de 26/07/2012. Ao contrário do post das “meninas para namorar ou ficar”, não foi apagado, mas foi editado com essa mensagem:

UPDATE:

A CAPRICHO não incita ou estimula que garotas ou mulheres façam sexo sem vontade ou que se rendam à pressão de seus pares. Ao contrário, essa questão é constantemente discutida neste blog e com um posicionamento bastante claro, como está evidenciado em posts como os listados abaixo:

http://capricho.abril.com.br/blogs/sexo/tenho-que-fazer-tudo-o-que-meu-namorado-quer-ate-onde-devo-ir/

http://capricho.abril.com.br/blogs/sexo/e-se-eu-me-arrepender/

http://capricho.abril.com.br/blogs/sexo/como-dizer-para-o-garoto-que-nao-estou-a-fim-de-transar/

http://capricho.abril.com.br/blogs/sexo/nao-tenho-vontade-de-transar/

http://capricho.abril.com.br/blogs/sexo/o-que-eu-devo-conversar-com-o-garoto-antes-da-primeira-vez/

http://capricho.abril.com.br/blogs/sexo/como-a-gente-sabe-que-esta-pronta-pra-transar

Entendemos que é nossa função instruir e munir adolescentes de autoestima e conhecimento para que enfrentem com mais tranquilidade os dramas relacionados à sua sexualidade. Acreditamos, no entanto, que a troca de experiências também é uma forma de aprendizado, debate e discussão. De depoimentos como este, as garotas tiram lições que serão aplicadas em sua vida. A deste post é: “não faça nada contra a sua vontade” ou “tenha coragem de dizer não – ou você pode se arrepender para sempre”.

E um terceiro post bombardeado foi esse, de setembro de 2011, que segue a mesma linha do primeiro já apagado, mas dessa vez com o depoimento de vários meninos héteros (nenhum negro, como era de se esperar da revista e de seu site) sobre quais seriam os tipos de garotas para eles que seriam “para namorar”, “para ficar” ou “para largar”. Dessa vez o post é bem mais machista do que o que foi excluído.

A exclusão do post mais recente e a edição do post do estupro são amostras de que feministas têm poder para intimidar as revistas ditas femininas a reverem suas posições mais machistas Mas algo ainda mais além é necessário: a extinção de revistas e sites que induzam o estabelecimento de papéis de gênero.

Leia mais:
“‘Menina pra ficar ou pra namorar?’ – como violentar meninas desde sempre”, post do blog Cientista que Virou Mãe
Não é exagero, artigo de Nádia Lapa divulgado na Carta Capital

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8 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Izabel Angelina

julho 9 2015 Responder

Hoje tenho 18 anos e lia muito o site e as revistas da capricho, todavia, atrevida, em partes isso fez bem, pois eu aprendi um pouco sobre sexo, gravidez, anticoncepcionais de um modo como não era tratado entre os amigos ou na escola, porém hoje percebo que isso me fez também mal pois eu era uma garota de autoestima baixa e nunca via naquela revistas boas referências, eu tenho o cabelo crespo e naquele tempo alisava sempre ele também por influencia da própria revista por ter 12 à 13 anos e não ter discernimento. Me sentia muito triste de não ser como algumas famosas que apareciam lá e muitas vezes as que eu me identificava mais como a rihanna eles acabavam com ela do tipo que ela não sabe se arrumar aparecia sem maquiagem etc..

Dany

janeiro 20 2014 Responder

Por mim essas todas essas revistas heterocentristas, sexistas e machistas deveriam sumir, ser queimadas, pois quase todas incentivam uma submissão feminina para serem aceitas pelos homens como “boas namoradas”, quando na verdade só é gancho pra favorecer que sejam a mulher pra ser a escava e serva e a “pra pegar e largar” seja o objeto momentâneo de prazer. Isso só propaga a insegurança dessas meninas que vão querer se espelhar nas que se submetem a isso, q fiquem passivas e cresçam oprimidas e reprimidas.

Carmen

setembro 25 2013 Responder

É revista Capricho bom senso mandou um forte abraço, faz tempo que vocês não se falam né?
Fora o retrocesso e machismo que essas matérias trazem outa coisa que me chamou a atenção é o fato deles pegarem uns moleques de 15 anos que não tem idade nem pra entrar na balada pra dar opinião sobre a vida alheia como se fossem homens adultos que conhecem tudo sobre a vida, kkkkk.
E rir pra não chorar já estou ansiosa pelas próximas matérias qual será o assunto? Menininhos de 07 a 10 anos dando dicas sobre como ter um bom casamento? Kkkkk.

Jhonny F.

agosto 26 2013 Responder

Nao concordo com o conteúdo da revista,e certamente não daria uma revista dessa para uma filha ou sobrinha,por uma serie de motivos:incitar a sexualização das garotas,a ideia de que devem fazer as vontades do namorado,a exploração da insegurança das pre adolescentes.

Mais não quero de maneira nenhuma a extinção desse tipo de publicação,pois respeito a liberdade de expressão de qualquer um.

Acho que eles tem o direito de falar a ”merda” que eles quiserem assim como tens todo direito(e nesse caso eu apoio) de desmascara-los.

    Maria de lourdes

    setembro 7 2013 Responder

    Se é assim,a KKK tem o direito de existir,assim como sites neo-nazistas.Machismo não é liberdade de expressão. graças a esse tipo de pensamento que nós mulheres ainda somos violentadas e mortas sem a menor punição por tais crimes,cuja gravidade é questionada por ser o machismo “uma questão de opinião”.

Jhonny F.

agosto 25 2013 Responder

”Mas algo ainda mais além é necessário: a extinção de revistas e sites que induzam o estabelecimento de papéis de gênero.”

Isso é um pouco totalitário,não acha?

    Robson Fernando de Souza

    agosto 25 2013 Responder

    Totalitária é a coerção que revistas assim fazem pra mulheres “saberem” “qual é o seu lugar”.

    Maria de lourdes

    setembro 7 2013 Responder

    Claro,amigo,vc não é mulher!Não sofre as consequências de uma midia mega-machista! liberdade de expressão não tem nada a ver com liberdade de nos oprimir,se é assim homofobia e racismo são “desculpáveis” também!

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