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Trapalhada: site da revista Marie Claire faz reportagem bizarra sobre o “neofeminismo”

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Atualização (02/08/13, 14:46): A reportagem (não o site) está fora do ar, aparentemente tendo sido removida depois que a Marie Claire percebeu a excrescência que havia publicado.

Uma revista feminina que não entende nada de feminismo. Essa é a Marie Claire, que postou na madrugada de ontem para hoje uma reportagem que, mesmo com poucas horas de publicada, já vem irritando muitas feministas. Desde o título, a matéria mostra que a MC é totalmente leiga no tema, ao considerar “feminista” o grupo Femen, rechaçado por feministas no mundo inteiro por sua inimizade contra o feminismo propriamente dito, sua orientação política de direita, sua ligação com grupos de extrema-direita e sua postura sexista de “sextremismo” e “matriarcado com sangue de homens”.

O primeiro parágrafo também é uma pérola, que reforça o estereótipo machista da “feminista feia e malcuidada” e deixa a entender que, graças às “neofeministas”, as feministas passaram a ser esteticamente “aceitáveis”:

Ficou no passado aquele estereótipo de que as feministas não se preocupavam com o corpo, vestiam roupas mais sérias – muitas vezes do guarda-roupa masculino – e tinham pouca vaidade. A nova geração dessas mulheres corajosas alia beleza, estilo, atitude e preocupação com o corpo. A autodeterminação sobre o corpo feminino é, inclusive, uma das causas de seus manifestos. As neofeministas são assumidamente sexy e protestam contra o preconceito com mulheres que assumem seu lado mais sensual e são vítimas da violência.

O restante do texto é um compêndio de desinformação e fantasia sobre um “neofeminismo” – um conceito que sequer existe ou é aceito no feminismo atual – que teria vindo chacoalhar o movimento feminista propriamente dito. A superficialidade também é outro problema da reportagem, ao reduzir as demandas feministas ao uso da roupa e à liberdade estética de não depilar a vagina, esquecendo-se também, é claro, das mulheres trans. Isso sem falar na contradição que foi, numa reportagem que pretendia aparentemente celebrar a luta da mulher pela liberdade e contra tabus estéticos e morais, borrar os mamilos dos seios da integrante do Femen.

É nesse momento que concluímos que certas revistas femininas deveriam se isentar de tocar no assunto feminismo para não falarem tanta besteira. Ou melhor, deixar logo de existir, em nome da abolição dos papéis de gênero.

Recomendo que protestemos nos comentários da matéria, de modo que a redação da MC se contenha antes de fazer mais reportagens desinformativas sobre aquilo que desconhecem e não procuram conhecer direito.

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