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set13

Por que eu não comemoro o 7 de setembro

Postado originalmente em 07/09/2012

Neste 7 de setembro eu não comemorei nada. A independência política do Brasil não me significa muita coisa. Por ela deixamos de ser dominados por um Estado opressor mas caímos no domínio de outro que oprime tanto quanto. Nem “orgulho da pátria”, nem nenhuma outra forma de adoração a ela, fazem sentido nessa questão.

Não reconheço independência alguma. No máximo, o que vejo foi que o Estado brasileiro se desligou enquanto colônia do Estado português em 7 de setembro de 1822, embora continuasse sendo governado por um representante da nobreza lusitana e seus sucessores. Mas o que adianta isso, se a dominação opressora de um e a dependência de outro(s) são as mesmas, tendo sido inclusive herdadas muitas práticas antidemocráticas e valores desigualitários e mantida a ideologia de poder pelo poder, que a “democracia” liberal republicana passou longe de combater?

A grande diferença é que, se antes era a nobreza portuguesa o opressor, hoje são republicanos brasileiros natos. Deixamos de nos curvar a símbolos do Estado português para nos curvarmos aos do brasileiro. Somos ora obrigados, ora incitados a reverenciar os instrumentos usados pelo mesmo – hino, bandeira, brasão, forças armadas etc. – para que não percebamos que a pátria pater é na verdade uma máscara do Estado dominus.

Este nos tenta embriagar com venerações românticas e obedientes a um território rodeado por uma cerca imaginária que, ao mesmo tempo que nos separa de outros seres humanos iguais a nós, planta em muitos a ideia de que as pessoas dentro desse cercado são superiores àquelas que estão fora dele (e por sua vez limitadas por outros cercados).

Não me faz sentido, aliás, venerar o que chamam de “pátria”. O que realmente venero e respeito são o que existe dentro dela: os povos, as culturas, a coletividade. Não amo o Brasil – embora também não o odeie. Não tenho o mínimo de “amor à pátria”, porque ela não me faz qualquer sentido. O que/quem eu amo são as pessoas, os animais e os ecossistemas que nele vivem. Esses sim eu defendo, e à minha maneira pacifista, oposta às armas dos militares. Quando possível, defendo-os do próprio Estado.

Vejo a “pátria” não como um objeto de veneração, mas, como já dito, a máscara de um Estado que viola qualquer idealidade que lembrasse um “bom Estado” – a participação popular, a impessoalidade e isonomia, a garantia da igualdade de direitos e condições, a fiscalização contra opressões, o interesse público etc. – e exerce uma dominação opressiva que qualquer metrópole colonialista promoveria.

No mais, nem 7 de setembro, nem 4 de julho, nem nada disso são datas de emancipações verdadeiras. Interessam apenas aos Estados e àqueles que os dirigem e deles obtêm privilégios – incluindo o poder de dominar o outro. O verdadeiro Dia da Independência será quando o povo se emancipar dos seus opressores – incluso o Estado como se conhece hoje – e se tornar seu próprio governante. Será na independência dos brasileiros, ou, aliás, dos seres humanos.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Igor

setembro 7 2014 Responder

Legal, penso da mesma forma!

Marcos

setembro 15 2013 Responder

Saia do Brasil para ver o tanto que vai ser respeitado, sinceramente o povo é manipulado facilmente a liberdade humana se encontra em um estado altamente qualificado e técnico.

vinícius h

setembro 8 2012 Responder

Lindo esse post.
Sempre é tenso na minha escola quando eu e um amigo meu somos os únicos que não nos levantamos para o Hino nacional.

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