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out13

A exclusão das crianças quando se fala do “homem”
Crianças costumam ser excluídas quando se fala do "homem" enquanto "ser humano" em livros e discursos

Crianças costumam ser excluídas quando se fala do “homem” enquanto “ser humano” em livros e discursos

A palavra “homem” como suposto sinônimo de “ser humano”, além de ser uma milenar forma de excluir as mulheres do (co)protagonismo da história humana, também exclui crianças – e também adolescentes, a depender da inclusão de garotos/rapazes de até 17 anos na categoria de pessoas masculinas consideradas homens. Isso torna o uso “genérico” dessa palavra ainda mais excludente, uma vez que não exclui “apenas” 50% da espécie humana, mas sim estimadamente entre 70 e 80% da humanidade.

Experimentemos chamar uma menina de 12 anos ou um garotinho na sua primeira infância de “homens” – desconsiderando-se atribuições ao garoto como “é um homenzinho”. Será evidente que não vão se identificar com os homens “propriamente ditos”, uma vez que não são adultos nem têm muitos dos comportamentos culturalmente atribuídos aos seres humanos masculinos em idade adulta.

Também percebamos quando se fala em “evolução do homem”, “história do homem”, “direitos do homem”, “homens de negócios”, “desigualdades entre os homens” etc. que mulheres e crianças sempre acabam à margem nesses assuntos, uma vez que geralmente o espécime humano que ilustra essas expressões são os adultos cissexuais do sexo masculino.

Pouco se fala, na “história do homem”, sobre a participação das mulheres e das crianças nos processos sociais humanos. Atribuem-se ao tão mencionado “homem” características distantes daquelas pessoas que ainda vivem sua infância ou não viveram além dos últimos anos de sua fase infantil. Marginaliza-se a criança como ser histórico, construtor de sua própria história e auxiliar essencial na evolução humana. Trata-se ela e a mulher adulta como seres secundários e recessivos, submissos à autoridade e dominância do homem que pretensamente nomeia sua espécie.

Com isso ficamos ainda mais impelidos a abandonar de uma vez por todas o uso da palavra “homem” em situações que teoricamente englobem todos os seres humanos. Afinal, quando falamos “o homem”, estamos falando da espécie humana inteira ou, de fato, só de uma parcela que corresponde a entre 20 e 30% dela?

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