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Jornalismo tipo “não tem o que fazer” implica com pelos das axilas de atriz Amy Adams

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A atriz Amy Adams, que interpretou Lois Lane no futuro filme O Homem de Aço, foi vítima do jornalismo do tipo “não tem o que fazer”. O portal da revista Quem Acontece publicou uma “notícia” simplesmente porque seu vestido deixava as axilas à mostra e ela não as tinha depilado.

O título da matéria bizarra começa sugestivamente com um “Eca!”, obviamente expressando nojo de algo que grande parte dos homens têm de sobra e até mostram quase livremente. O corpo da matéria exibe fotos dela, incluindo um close da axila direita “peluda” dela, e apenas dois parágrafos de texto:

Amy Adams, a sedutora Lois Lane que fisgou o grande herói de O Homem de Aço, foi traída (sic) pelo vestido que escolheu para acompanhar a exibição de seu novo filme, Her, no New York Film Festival, nos Estados Unidos. Ao cruzar o tapete vermelho, ela acabou deixando à mostra pelos embaixo do braço, na noite de sábado (12).

O vestido que usou ainda tinha um decote para lá de generoso. Amy é conhecida em Hollywood também por já ter concorrido a quatro estatuetas do Oscar, por Retrato de Família (2005), Dúvida (2009), O Vencedor (2010) e O Mestre (2012). Mas, até agora, nada de levar uma para casa. Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Olivia Wilde e o diretor Spike Jonze também estiveram no festival de cinema.

Essa “notícia” é mais uma entre tantas que seguem a tradição machista de dar pitacos depreciativos contra o corpo das mulheres, exigindo delas que tenham corpos “perfeitos” – que podem variar de magérrimos até o padrão da “brasileira gostosa” – e sem nenhum traço de pelos fora os próprios cabelos. Por mínimo e quase microscópico que seja o aspecto indesejado pelos sensíveis olhos machistas de jornalistas idem, se esse detalhezinho estiver presente, lá estará o desocupado jornalista apontando-o como defeito e induzindo seus leitorxs a julgar negativamente a mulher dona do amaldiçoado atributo.

Isso não acontece apenas com mulheres que não se depilam por completo, mas também por mulheres que possuem em seus corpos outros detalhes tão naturais quanto os pelos, como celulites, estrias e gorduras localizadas. Passam, perante as massas induzidas ao preconceito por esse tipo “não tem o que fazer” de jornalismo, a ser achincalhadas e tratadas como pessoas reprováveis e literalmente nojentas.

Matérias desse tipo, inúteis e machistamente preconceituosas, devem ser escrachadas por todos os meios possíveis. Se você tiver cadastro no portal Globo.com, comente em protesto. E envie também uma mensagem de protesto ao fale-conosco da Editora Globo.

Na verdade, sequer deveriam existir revistas de celebridades, que contribuem importantemente para a naturalização da hierarquia capitalista de classes sociais e a banalização das desigualdades sociais. Mas, por outro lado, sua existência não pode ser ignorada, até por ajudarem a formar opiniões preconceituosas, desde o elitismo até o machismo e o racismo velado. Por isso eu acredito ser relevante enviar protestos contra esse tipo de matéria, de modo que se faça o que vem sendo feito com matérias absurdas da Marie Claire.

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