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Marina Silva trai ideal de sustentabilidade e entra para o PSB para ser vice de Eduardo Campos

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Decepção do tamanho da Amazônia para os milhões de eleitores superesperançosos por um governo ambientalista: Marina Silva entrou para o PSB e será candidata a vice-presidente ao lado de Eduardo Campos, presidenciável, governador de Pernambuco e presidente do partido. A histórica defensora do meio ambiente, vinda da Amazônia acriana, juntou-se ao grande responsável pelo desmatamento do mangue do entorno do Porto de Suape e pelo maior surto de progresso predatório da história pernambucana recente.

A decepcionante decisão de Marina vem depois do fracasso em tentar oficializar o partido Rede Sustentabilidade e, paralelamente, da fatídica propaganda partidária pró-Eduardo do PSB em que um dos blocos da faculdade privada Uninassau foi exibido como se fosse o interior de uma escola pública.

Afunda assim a maior esperança de parte dos brasileiros de ver uma ambientalista no poder guinando a política nacional de desenvolvimento. Marina deverá ter, num hipotético mandato de Eduardo, o mesmo poder de Sérgio Xavier, candidato derrotado a governador em 2010 e designado para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, em Pernambuco: visibilizar só um pouquinho a questão ambiental e aplicar uma ilusória pitada de política ambiental no intrinsecamente predatório modelo de desenvolvimento vigente.

Eu pessoalmente deixei de nutrir tal esperança por Marina Silva desde 2010. Ela representa uma proposta inconsistente e ecocapitalista de “desenvolvimento sustentável”, fala em governo de coalizão entre os diversos partidos atuais – o que daria uma mistura de governo de direita com políticos preocupados apenas em seus próprios bolsos e interesses pessoais – e tem opiniões dúbias e vagas em questões que inspirem conflito entre o Estado e as igrejas. Do ponto de vista da esquerda, ela sempre foi simplesmente mais do mesmo – muitas promessas inspiradoras, pouca consistência e ideologia dúbia com viés, na prática, à direita.

Mas ela ainda dava esperanças ilusórias a uma generosa parcela da população brasileira. E essas esperanças acabam de afundar com sua entrada no PSB e sua adesão a um modelo de política desenvolvimentista direitista, elitista, antidemocrático, predatório e antissustentável nas três faces do triângulo econômico-social-ambiental.

Se para a esquerda libertária as eleições no Brasil já há muito não despertam qualquer esperança, agora esse desânimo eleitoral vai se estender a uma parcela muito maior da população brasileira.

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