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“Reportagem” machista do R7 diz que celulite feminina é “decepção”

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Levando adiante a tradição jornalística de usar e abusar de machismo ao falar de beleza feminina, o portal R7 divulgou ontem de noite uma “reportagem” afirmando que as candidatas do concurso “Miss Bumbum 2013” “decepcionaram” simplesmente por terem celulite nas coxas e nos glúteos. Uma característica extremamente natural dos seres humanos foi rebaixada como “defeito”, já que coloca as moças um pé fora do fantasioso padrão de beleza imposto pelos homens heterossexuais machistas.

O redator escreveu na legenda da primeira foto que “o que era para mostrar o que cada uma tem de melhor, acabou acentuando os defeitos (sic) femininos: a celulite”. A cagação de regra continua na legenda da imagem seguinte: “Parece que nenhuma mulher está imune ao maior mal que assola as suas mentes. Por mais que elas gastem seu tempo com muita academia e tratamentos estéticos, a celulite parece ser proporcional ao tamanho do derrière.”

A “reportagem” deixa claro que a sociedade machista não admite “defeitos”, por menores e mais naturais que sejam, nos corpos das mulheres que ela elegeu como “bonitas”. Em outras palavras, não tolera sequer a beleza natural delas, exigindo-lhes uma aparência física photoshopada. Uma vez que estão acostumados com padrões irreais de beleza nas fotos que estampam as revistas, os machistas se frustram ao ver que a “perfeição” das moças dessas fotos não existe e é apenas uma ilusão. Diante dessa “decepção”, bombardeiam as mulheres com críticas estúpidas, rebaixando-as a um status “humilhante” de “imperfeitas” ou até mesmo descartando-as do padrão de beleza estabelecido.

A própria existência de concursos de beleza feminina já é em si algo a ser seriamente criticado, uma vez que segrega mulheres em duas categorias rígidas – mulheres dentro do padrão estético imposto, que passarão a ser admiradas exclusivamente por seus corpos, tratadas como objetos sexuais, e mulheres fora desse padrão, que se tornam párias e têm sua “feiura” posta muito acima da sua inteligência e seus talentos. E  tais eventos têm o sério agravante de excluírem sistematicamente mulheres negras, admitindo apenas uma ou outra, numa razão de menos de uma dezena de negras para um universo de centenas de brancas. Em outras palavras, promovem padrões de beleza profundamente sexistas e racistas.

Se concursos de beleza femininos já têm uma carga de machismo por confinarem as mulheres nessas duas categorias mencionadas que acabam determinando o quanto de dignidade “merecem” ter reconhecida pela sociedade e serem superestimados em comparação aos de beleza masculina, reportagens claramente machistas abordando-os tornam a coisa sexista ao quadrado.

Protestos devem ser enviados ao post referente a essa matéria no Facebook e também ao contato do R7.

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