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Comercial da Ford explora estereótipo machista da “mulher que não sabe dirigir”

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Um comercial de mau gosto da Ford está revoltando as mulheres, principalmente as feministas. A propaganda do Ford Fiesta, da série “Grandes cenas onboard“, explora o estereótipo da “mulher desastre no volante”, mostrando uma dupla de amigas que se comportam como se fossem morrer diante da necessidade de fazer baliza para estacionar o carro.

A peça traz o título “Aquela das amigas que arriscam tudo”, como se fosse uma novela ou episódio de seriado. Nela, a motorista e sua amiga compartilham um intenso medo de balizar o veículo, dando as mãos como se estivessem prestes a arriscar suas vidas, e são surpreendidas pelo mecanismo de baliza automática e sensorizada do novo Fiesta, comemorando e abraçando-se com muita alegria depois de terem sido “salvas”.

Para muitos pode não ser óbvio, mas é de se questionar: por que a agência de publicidade empregou mulheres, e não homens, no comercial? Por que preferiu realimentar e reforçar o velho preconceito contra mulheres no volante, tratando-as como menos capazes do que os homens de fazer manobras como a baliza, mesmo quando homens causam desproporcionalmente muito mais acidentes automobilísticos do que mulheres e a cultura do “machão agressivo” se reflete, numa frequência nada rara, na imprudência ao dirigir?

Protestos de quem realmente achou machista o comercial devem ser enviados nos comentários do vídeo no Facebook.

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13 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Dilian Santana

novembro 28 2013 Responder

Achei um excelente carro…com um comercial infeliz! Pois,mando bem em baliza,e meia embreagem,cuidado Ford.O mercado é grande…a oferta é boa…e a maioria dos homens que se relacionam com mulheres…só compram um carro com o SIM delas,vocês podem perder com isso. Acho melhor vc FORD,gastar com um novo comercial! Afinal,vale a pena zelar pelo nome.

Sergio Luiz Sant´Anna

novembro 21 2013 Responder

Robson,

Mulheres ODEIAM fazer baliza. Aliás, homens tornam a baliza como um desafio a ser vencido. E os para-choques dos carros estacionados é que sofrem com a “ousadia” do “Rambo”.
Por isso preferem carros pequenos e sem porta-malas. Faça a seguinte comparação: para homens o tamanho de carro é o padrão americano, isto é, quanto maior, melhor. Para mulheres, o padrão é japonês, quanto menor, melhor (e sem piadinha de duplo sentido, carros japoneses perto de alguns compactos europeus moderno são menores ainda).
E porque elas odeiam baliza?
Machismo. Há uma pressão inerente vindo da maioria masculina que dirige para que ela faça isso rápido e direito para não virar a piada do dia.
Se um homem acerta o para-choque alheio, “acontece”. SE uma mulher faz a mesma coisa, é um desastre igual ao de uma carreta desgovernada em uma pista com neblina. O próprio machismo reforça a isso. As mulheres são inseguras no trânsito porque elas prezam a sua segurança, de quem está em seu veículo e a dos outros motoristas, coisa que os homens costumam solenemente ignorar porque esperam que os motoristas que estiverem dirigindo ao seu redor ADIVINHEM o que ele está pensando em fazer. Afinal, sinalizar, ser gentil e educado são “frescuras”.
Sempre falo brincando que para ver a diferença entre a condução entre um homem e uma mulher é só olhar como se comportam em uma placa de “pare” colocada em um cruzamento com uma preferencial. Enquanto a maioria dos homens com duas rodas usam a buzina para sinalizar (quer dizer, a pessoa que estiver na preferencial é que tem frear porque o cérebro de peixe acha que buzina é salvo-conduto!!) e passam sem nem reduzir e olhar, quem está com quatro rodas ainda fazem a gentileza de reduzir uma marcha e acelerar.
E as mulheres simplesmente param, como deve ser feito.
Por essas e outras o ato de dirigir para uma mulher é uma eterna tortura. Agora dizer que uma propaganda que brinca com esse assunto é um reforço machista?
Lembro de uma propaganda veiculada em 2.003 em que um presidiário modelo deixa o presídio. O pavilhão inteiro se despede do sujeito. Os guardas e funcionários do presídio também se despedem do sujeito com um ar de tristeza. E quando ele está na rua ele vê o carro. Aí corta para uma tela com o carro em um fundo negro e o narrador dizendo “Novo Fiat Uno” (ouve-se um barulho de vidro quebrado e um alarme tocando), “irresistível”. Mas o MP não entendeu a piada porque a propaganda “põe em dúvida a recuperabilidade do preso no sistema carcerário”. E a piada era com um fato que seria engraçado SE os presos se recuperassem realmente.
Não sou um defensor do Danilo Gentili que não sabe diferenciar mais um humor sarcástico de um humor idiota, mas estamos indo para um mundo cada vez mais sem graça, porque o pior que a censura, é a auto-censura. E quando chegar nesse ponto, é melhor fechar o buteco e arranjar outra coisa para fazer.

    Fernanda

    novembro 21 2013 Responder

    Nossa cara, tu mesmo já te contradiz no teu comentário, primeiro falando do machismo relacionado com mulheres que dirigem pra depois dizer que não tem nada demais.

      Fernanda

      novembro 21 2013 Responder

      Geente!! de mais***

      Sergio Luiz Sant´Anna

      novembro 21 2013 Responder

      Fernanda,

      Fisiologicamente homens e mulheres são diferentes, e isso também engloba o comportamento.
      Ou uma mulher subindo numa cadeira ao ver uma barata ou outro animal peçonhento vai ser machismo também e a coitada após o susto vai ter que escrever uma autocrítica dizendo que esse comportamento é prejudicial às lutas de classe contra a “heteronormatividade misógina dominante”?
      Só usaram o filme como referência, e só.

    Dilian Santana

    novembro 28 2013 Responder

    Por favor,não me leve a mau,más acho que você ainda não se libertou do machismo!Você fala que mulheres odeiam baliza,que gostam de carros Japoneses por serem pequenos,que são inseguras no transito…que o ato de dirigir para as mulheres é uma tortura.De quem vc está falando? Pq no seu texto vc generalizou, conheço muitas mulheres que dirigem super bem…inclusive eu,sem modéstia,me acho uma ótima condutora.Dirijo de Salvador a Porto Alegre,é pouco para vc? Dia 17 Voltando do feriado…uma camionete bateu na traseira do meu CRUZE,quando desci,quem era o condutor?Um jovem senhor com a família …e mais 6 acidentes ocorreram no mesmo dia com vitimas fatais,só no momento que estávamos fazendo o BO, e os causadores foram(HOMENS)

      Sergio Luiz Sant´Anna

      novembro 29 2013 Responder

      E é lógico que você ignorou totalmente a parte do texto que diz “As mulheres são inseguras no trânsito porque elas prezam a sua segurança, de quem está em seu veículo e a dos outros motoristas, coisa que os homens costumam solenemente (faltou um “costumam” na frase) ignorar porque esperam que os motoristas que estiverem dirigindo ao seu redor ADIVINHEM o que ele está pensando em fazer. Afinal, sinalizar, ser gentil e educado são “frescuras”.”
      Dirigir com segurança não é demérito nenhum. Se sentir inseguro não quer dizer que você não seja capaz de realizar o ato, muito pelo contrário, significa que você está desconfortável com a situação. E no trânsito isso tira você da zona de conforto e a faz ficar alerta, o que em uma emergência faz toda a diferença. E há uma linha tênue entre uma pessoa que dirige bem e uma que acha que dirige bem.
      Um bom exemplo de como uma mulher se sente insegura no transito? Essa semana uma mulher tomou um soco na cara porque ela simplesmente parou em um sinal vermelho! É desse tipo de insegurança que falo no texto, o medo de ser recriminado pelo simples fato de se tentar dirigir corretamente nas ruas daqui. E quando se é mulher, a sensação dobra porque elas não tem aquele “traquejo” que muitos homens julgam ter, mas que na verdade é uma mistura de arrogância e barbeiragem. E é mais fácil dirigir em uma grande cidade indiana do que qualquer lugar por aqui.

Ana Paula

novembro 20 2013 Responder

O que tem faltado às pessoas que condenam a propaganda é a referência cinematográfica usada no comercial. A cena é uma paródia de Telma e Louise. Justo a cena em que elas vão se jogar do abismo. Esta é a graça. Esta é a ideia original das Grandes Cenas Onboard.
Seria machismo contatar atores homens para representar papéis femininos. Isso sim.
Falta humor. Falta referência. E sobra vontade de causar. Acho que é isso.

    Robson Fernando de Souza

    novembro 20 2013 Responder

    Dai todo mundo que assistiu ao comercial tem que ter conhecido o filme “Telma e Louise” e desligar o senso crítico pra uma cena que de fato ajuda a perpetuar estereótipos maliciosos. É isso?

Paloma Stecher

novembro 20 2013 Responder

Gente porfavor. Sou contra qualquer tipo de discriminação, mas ta escancarado no comercial que a prioridade é o humor. Está cada dia mais difícil fazer uma piada, porque qualquer coisa gera revolta em qualquer pessoa. Depois essas mesmas pessoas ainda se revoltam com a sensura na legenda de um filme ( motherfucker = idiota, por exemplo) mas perdem os cabelos quando se fala “mulher no volante, perigo constante”.

    Robson Fernando de Souza

    novembro 20 2013 Responder

    “Sou contra qualquer tipo de discriminação, mas”

    Esse “mas” já diz tudo sobre o teor do comentário.

      Paloma Stecher

      novembro 20 2013 Responder

      Nao entendi o que você quis dizer com “teor do meu comentário” parece até que falei baixaria :/

    Fernanda

    novembro 21 2013 Responder

    Então sob a premissa do humor se pode tudo?
    Opressão é uma coisa que exige contexto. Se fosse “só” um comercial reforçando o estereótipo de que mulheres não sabem dirigir, seria ruim, mas é muito pior quando a gente contextualiza com o machismo, que há tempo demais diz que mulheres são menos capazes que homens.
    Outra coisa, sério mesmo que essa propaganda foi comprada de uma agência? Essa foi a grande ideia que eles tiveram pra vender o carro? Não tinha nada melhor que uma ideia que já foi repetida milhões de vezes? Eu fico pasma com a imcopetência da publicidade que se vê por aí.

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