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nov13

Desmentindo imagens antirreligiosas preconceituosas: a comparação esdrúxula entre religião e cigarro

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Uma das várias facetas do preconceito antirreligioso manifestado por muitos neoateus e antiteístas é comparar religiões com drogas ou doenças mentais. É o caso da imagem acima, divulgada por fanpages ateístas, incluindo uma que diz lutar contra o preconceito ateofóbico. Ela compara claramente as religiões em geral com o cigarro, a droga que mais mata no mundo.

A figura passa, transparente ou interpretavelmente, algumas mensagens nefastas, como:

– A religião, seja ela professada com fanatismo ou com lucidez humanista, é tão droga quanto um cigarro;

– Tal como não existe cigarro (de tabaco) saudável, não existem boas religiões;

– As religiões invariavelmente fazem mal à humanidade e adoecem (psiquiatricamente) seus fiéis;

– Toda e qualquer religião é usada para explorar pessoas, tirar dinheiro delas e dar lucro a uma elite;

– Ser religioso é tão doentio quanto ser fumante;

– A fé religiosa é um vício tão perigoso e mortal quanto o hábito de fumar;

– A erradicação das religiões é um ideal a ser almejado, tal como muitas pessoas desejam o fim mundial do tabagismo enquanto costume.

Essa comparação acaba caracterizando uma clara ofensa aos religiosos, tratados como drogados, como viciados problemáticos, e tendo sua fé rebaixada a um vício patológico e assassino.

Além disso, é patente a falácia de falsa analogia na comparação entre as religiões e o cigarro, já que:

– ao contrário do cigarro de tabaco, as religiões podem ser professadas de forma saudável, incluindo as denominações religiosas mais tradicionais e ortodoxas;

– nem toda religião serve como pretexto de se tomar dinheiro alheio;

– cigarros não trazem respostas a questões espirituais, nem conforto psicológico para acontecimentos como a morte de um ente querido ou uma temporada de aventuras e riscos na vida do indivíduo;

– o hábito de fumar não induz experiências de transe espiritual;

– o tabagismo não abençoa casamentos entre fumantes, tal como as religiões abençoam o casório de pessoas religiosas;

– o cigarro não orienta caminhos de retidão moral e autoedificação espiritual;

– ao contrário do cigarro, a religiosidade não é um caso de saúde pública – na verdade, a intolerância religiosa, venha ela de religiosos ou irreligiosos, é caso de polícia;

– a religião, quando professada de forma lúcida, humanista e tolerante, não causa doenças nem mata.

Também fica patente a recorrência de um vício argumentativo muito comum entre antirreligiosos: generalizar a toda e qualquer forma de religião e fé religiosa os abusos da religiosidade fundamentalista e, por tabela, legitimar os religiosos fundamentalistas como os autênticos representantes das religiões e religiosos em geral, dotando-os da prerrogativa de falar em nome de todo o universo de pessoas dotadas de alguma forma de fé.

Ao contrário da religião genericamente falando, imagens como a mencionada aqui fazem tão mal quanto o fundamentalismo religioso e o tabagismo. Plantam na sociedade ideias preconceituosas e generalizantes sobre a religião ser um “mal” e ser preferível não professar uma religião a ser religioso, e assim acirram a troca de preconceitos e intolerância entre religiosos e ateus. E, na pior das hipóteses, ameaça instigar tamanha troca de hostilidades a ponto de haver literalmente mortos e feridos dos dois lados. Em outras palavras, o que pode ser comparado aos cigarros, em termos de periculosidade à vida humana, é a intolerância religiosa propagada tanto por religiosos fanáticos que têm preconceito contra ateus como por antirreligiosos como quem fez a imagem acima.

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