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Desmentindo imagens antirreligiosas preconceituosas: a religião que marionetiza e o ateísmo que liberta

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A imagem acima, divulgada em algumas páginas de (neo)ateísmo, repete o dogma antiteísta de que a religião é sempre um instrumento de escravização mental de seus adeptos e o ateísmo é o “grande libertador”. Assim como tantas outras imagens de origem antiteísta, incide no preconceito contra religiosos e na maniqueização falso-dicotômica entre a “religião escravizadora do mal” e o “ateísmo libertador do bem”.

Quando o indivíduo tem uma mínima noção de Sociologia e Antropologia, uma convivência respeitosa com religiosos humanistas e o mínimo de experiência em ler posts – de preferência com temas políticos e (antir)religiosos – de neoateus e antiteístas, sabe que a imagem acima é nada mais do que a versão reversa do preconceito dos religiosos intolerantes contra ateus. Afinal, crentes ateofóbicos acreditam que o ateísmo promove o aprisionamento do indivíduo ao estilo de vida consumista e à infelicidade do vazio espiritual e da falta de norte moral, tornando o ateu algo como uma marionete de uma vida hedonista e materialista, prisioneiro do “viver para ter” e do “prazer a todo custo”, e encaram sua própria religião como a única maneira de libertar os ateus – e aderentes de religiões e igrejas que não a sua – disso e lhes prover o “amor de Deus”.

E sabe também que nem todo religioso é um bitolado fanático aprisionado em fortes grilhões morais de uma igreja de sacerdotes fundamentalistas. Tem noção de que existem inúmeras religiões, entre elas diversas denominações cristãs, judaicas e muçulmanas, além de centenas de vertentes religiosas sincréticas, orientalistas e/ou (neo)pagãs, que prezam pela liberdade de pensamento, pelos Direitos Humanos, pela compaixão a todos os seres que merecem respeito e pelo enriquecimento espiritual do ser humano, infinitamente mais do que por uma coerção moral baseada em normas milenares.

Da mesma forma, é ciente de que o ateísmo talvez tenha libertado muitas pessoas de denominações religiosas fundamentalistas, mas não protege ninguém de cultivar em sua mente pensamentos fanatizados e dogmáticos nem liberta pessoas de dogmas ideológicos não diretamente ligados ao fundamentalismo religioso. Por exemplo, há muitos ateus machistas que se recusam a compreender o feminismo, assim como ateus conservadores que, na indisposição de ler sobre o que a esquerda política realmente pensa, insistem que a eventual eleição de um governo federal de esquerda transformaria inquestionavelmente o Brasil numa ditadura stalinista.

Há também ateus especistas que, aprisionados a uma verdadeira dependência psíquica de carnes, vivem propagando preconceitos e falácias contra o veganismo e os Direitos Animais e se recusando por completo a ler sobre o tema. E, claro, existem muitos ateus antiteístas que vivem aprisionados na ilusão de serem os únicos humanos livres e felizes, quando na verdade vivem algemados a dogmas políticos, éticos e (anti)espirituais e à “necessidade” de se reafirmarem para si mesmos como pessoas “livres e felizes” chamando todo e qualquer religioso de escravo infeliz.

Conhecer de verdade religiosos – em diversidade suficiente – e ateus nos leva a perceber que discutir seriamente religião e ateísmo passa muito longe de reduzi-los a uma dicotomia maniqueísta ridicularizante que trata todos os religiosos do mundo como ignorantes fanáticos que “gostam de ser escravos” e glorifica o ateísmo como um messiânico libertador, salvador e redentor da humanidade o qual se incumbe de purificar a Terra do mal. Caso contrário, nada mais estará fazendo do que reproduzir uma versão invertida do preconceito de muitos religiosos contra ateus.

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Luana

novembro 13 2013 Responder

Bem bacana o teu texto !
Bem isso que eu penso,esse manequeísmo tolo só agrega mais preconceito .

    Robson Fernando de Souza

    novembro 14 2013 Responder

    Obrigado, Luana =)

Jones

novembro 13 2013 Responder

Eles não consideram as variadas formas de crenças em um ser ou algo superior. Até parece que esses ateus extremistas sentem medo, ou melhor, insegurança em relação a crença ou descrença que possuem; são manipulados pela própria ignorância. Eles atacam para se sentirem mais seguros em suas convicções, semelhante aqueles religiosos que dizem que são os únicos donos da verdade e da salvação. Nós, pobres humanos, pequenos “grãos” do universo, não compreendemos nem 1% dos mistérios que nos cerca. Pode ser que Deus exista ou não, depende de como compreendemos esse mistério.

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