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Desmentindo imagens antirreligiosas preconceituosas: a supressão da liberdade de escolha

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Essa imagem, compartilhada em algumas páginas (neo)ateístas do Facebook, afirma ou deixa a entender que religião nunca é fruto de opção, ao mostrar um menino com o rosto espremido contra um livro sagrado e a frase irônica “Religião, apoiando a liberdade de escolha”. A ideia, conforme a imagem reflete do pensamento antiteísta, é que todo indivíduo aderente de uma religião o é porque foi doutrinado, quando criança, a adotar a religião dos pais e não existiriam casos de conversão espontânea e deliberada.

Comete-se aqui mais um entre os tantos preconceitos comuns entre antiteístas e neoateus falaciosos, o de que religião seria sempre algo imposto, nunca um fruto da liberdade individual de consciência e crença. E também, como é comum nas pregações antiteístas, generaliza-se a todas as vertentes de todas as religiões existentes as características de apenas parte dos adeptos de algumas religiões – mais especificamente pais conservadores adeptos de denominações religiosas idem, como o catolicismo, o evangelismo pentecostal, o judaísmo e algumas vertentes populosas do islamismo.

Ignora-se aqui toda a miscelânea de movimentos religiosos contemporâneos, como as ramificações euro-americanas das religiões orientais (Hare Krishna, hinduísmo, budismo, taoísmo, Seicho No Ie etc.), as religiões sincréticas tardias (Vale do Amanhecer, os neopaganismos, satanismo laveyano, religiosidade Nova Era etc.), as religiões pagãs reconstrucionistas, a umbanda, entre tantos outros. Em todos eles, a grande maioria de seus fiéis aderiram por identificação espiritual, muitas vezes inclusive depois da desilusão com as religiões mais tradicionais.

Para essas pessoas, a religião não foi imposta pelos pais e/ou pela comunidade local, mas sim fruto de uma simpatia crescente que culminou na afinidade com as respostas oferecidas por tais crenças a perguntas de cunho espiritual que as religiões da tradição não respondiam satisfatoriamente. E é comum que se sintam intelectualmente livres para estudar as crenças a que aderiram e outras religiões.

O mesmo se aplica àquelas pessoas que migram entre as próprias religiões tradicionais do Ocidente – catolicismo, protestantismo, cristianismo ortodoxo, religiões de matriz africana, islamismo, judaísmo. Muitos de seus integrantes saíram de uma para outra, inclusive livrando-se da doutrinação religiosa vinda da família e das escolas de ensino religioso confessional.

Em sociedades marcadas pelo Estado laico e pelo direito constitucional à liberdade religiosa, é complicado acreditar que a situação das religiões em geral continue sendo praticamente a mesma que na época pré-iluminista, quando a grande maioria da população do Ocidente seguia obrigatoriamente a religião de seus pais e era maximamente inibida de “migrar” entre religiões. Em outras palavras, não faz sentido dizer que a religião, genericamente falando, continua sendo essencialmente algo imposto, com privação da liberdade de escolha ao indivíduo.

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Junior Mota

dezembro 18 2015 Responder

Caro Sergio Luiz, respeito sua opinião, no entanto, discordo totalmente sobre ela.
você relata no seu texto que os membros de uma comunidade evangélica quando se desligam da mesma se torna incomunicável com os outros membros que permaneceram nela. Meu caro amigo, concordo com você que existem sim denominações religiosas que procedem desta maneira, porém, você não pode e nem deve se utilizar de um grupo (isolado) e aplicar tais ações para todos os grupos religiosos.
Sou adventista do sétimo dia, e isso que você relata acima não condizem com a mensagem que nós pregamos, pois na mensagem que pregamos queremos que todos saibam, queremos que todos percebam, queremos que todos sintam, queremos que todos compartilhem e vivam esta mensagem de amor, esperança e salvação. Não menosprezamos ou excluímos pessoas de nosso meio só pelo fato de pensarem diferente de nós, no entanto, compartilhamos com elas as verdades contidas na “Palavra do Senhor” (Bíblia). Razão pela qual discordo totalmente de sua opinião, todavia, respeito ela.

Que Deus abençoe você e sua família.

Sergio Luiz Sant´Anna

novembro 26 2013 Responder

Caros,

Quando uma criança “nasce na igreja” ela já é doutrinada desde pequena naquela denominação. E ela permanece nessa denominação atendendo os anseios dos parentes e para manter a posição social nessa comunidade.
Algumas denominações tomam medidas drásticas quando os seus membros resolvem se apostatar.
Os cientologistas além de cortarem qualquer vínculo com o apóstata, impedindo-o de rever amigos e familiares, manda algumas pessoas até a residência dele para o intimarem a não falar mal da denominação. Testemunhas de Jeová adotam postura semelhante. Em sete países, todos islâmicos, há pena de morte para ateus e para a apostasia.
Em algumas regiões orientais, especialmente China, Japão e Coréia há uma espécie de “sincretismo” que o nosso olhar ocidental dificilmente entenderá.
Não se esqueça que as maiores religiões pregam contra religiões minoritárias, como espiritismo e religiões afro, associando-as à cultos satanistas.
Algumas religiões fazem parte da identidade cultural e nacional da pessoa, como o judaísmo, algumas correntes do islamismo, e mudar de religião nesses casos é negar a sua identidade. Fazendo um paralelo grosseiro, é como ser negro e odiar o carnaval.
Normalmente as pessoas que migram de uma religião para outra são tidas como pessoas volúveis e fúteis, que em vez de se adequarem à religião como se espera de um bom crente, tentam achar uma que se adeque à elas.
E sair de uma denominação nunca é fácil. Não é como se desfiliar de um clube náutico. Você abandona amigos, parentes, posições de status na comunidade (acredite ou não, igrejas são também comunidades) certezas de vida, e ainda terá que reavaliar o seu papel no mundo.
Lembre que em todas elas, especialmente as majoritárias, sempre afirmam que detém a verdade absoluta sobre todas instâncias da vida, e sair dessa denominação é negar tudo isso e ser proscrito. E ser ateu é questionar todas elas, só pelo simples fato de ser ateu.

Jones

novembro 13 2013 Responder

Esses “ateusinhos” extremistas já passaram por todas as crenças espirituais existentes, só assim para expressarem algo com tanta propriedade…fala sério!!! Eu sou uma mistura de cristão, wiccan, umbandista, budista, espirita… enfim, dedico a compreender as crenças espirituais e nunca me senti obrigado a nada; não foi o medo, não foi imposição, foi simplesmente simpatia pelos mistérios religiosos. Entender as religiões e as filosofias espirituais e adquirir as chaves para ciência. São opostas, porém complementares.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo