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nov13

Santa Cruz, responsabilidade socioambiental e a oportunidade por trás do Canal do Arruda
O Canal do Arruda dá ao Santa Cruz a oportunidade de ser um laboratório permanente de intervenção socioambiental e cidadania.

O Canal do Arruda dá ao Santa Cruz a oportunidade de ser um laboratório permanente de intervenção socioambiental e cidadania.

Atualizado em 02/12/2013

Historicamente o Santa Cruz Futebol Clube e o Canal do Arruda não têm uma boa relação. O canal, costumeiramente coberto de lixo e retrato ultrarrealista da pobreza no Recife, tem sido, ao longo das décadas, associado pejorativamente com o Estádio do Arruda, seu vizinho, e isso sempre gerou ao time gozações vindas de torcedores do Sport e do Náutico. Mas é bem possível o Santa Cruz reverter isso e converter o Canal do Arruda de motivo de provocações de torcida em exemplo referencial de cidadania e responsabilidade socioambiental.

O clube, atualmente em processo de redenção no futebol, tendo passado de um período de trevas e sofrimento para um de vitórias e alegrias com o tricampeonato pernambucano, o título da Série C e a subida de divisões no Campeonato Brasileiro, tem uma oportunidade de ouro, literalmente ao seu lado, para “tunar” ainda mais sua imagem institucional. O Canal do Arruda, com toda a sua poluição e miséria, é o limão que a realidade deu ao Santa e do qual ele pode fazer uma deliciosa limonada, bastando pensar como pode realizar uma intervenção socioambiental permanente no curso d’água e nas comunidades do entorno dele.

Essa intervenção seria uma série de ações de despoluição do Canal do Arruda e dignificação da vida dos moradores locais que vivem perto de suas margens, incluindo – mas não se limitando a:

1. Criação de um mutirão de limpeza e dragagem do canal, designando e capacitando os habitantes próximos dele para removerem o lixo e operarem as máquinas para dragar;

2. Trabalho conjunto com a Compesa para criação de uma estação local de tratamento de esgoto e implantação da rede de saneamento básico em todo o bairro do Arruda, de modo a cortar a emissão de efluentes no canal e melhorar a saúde dos habitantes da localidade;

3. Programa permamente de educação ambiental para pessoas de todas as idades, focado não na mera instrução por comandos – do tipo “Não jogue lixo no canal nem no chão” –, mas no incentivo ao ato de pensar a realidade ao seu redor, como ela influencia a situação de degradação socioambiental local e como os moradores podem revertê-la e tornar o Arruda um exemplo de bairro sustentável e buscador da justiça social;

4. Criação, caso ainda não existam sob responsabilidade do Santa Cruz, de cursos de capacitação para adolescentes, adultos e idosos da localidade, para áreas como informática básica, montagem e manutenção de computadores, uso profissional de softwares, trabalho de salão de beleza, corte e costura, entre outros;

5. Escolinhas de futebol para crianças e adolescentes que morem perto do canal, de modo que possam se tornar, a depender da vontade deles de ficar, futuros craques do Santa;

6. Escolinhas de artes marciais, incluindo capoeira, karatê, kung fu, judô e outras, e de outros esportes, como ginástica olímpica e atletismo, o que daria ao clube uma promissora equipe para as competições de outros esportes.

Com essa iniciativa, tanto o Santa Cruz como os habitantes do entorno do Canal do Arruda e o próprio canal sairão ganhando. O clube, além de exemplo de redenção no futebol, passaria a ser também um exemplo de clube esportivo de referência em responsabilidade socioambiental, engrandecendo sua imagem institucional. E os moradores passariam a ter uma vida mais digna e uma mentalidade mais crítica sobre como se relacionam e se relacionarão com o meio ambiente e a sociedade onde vivem, e daí não se repetiriam mais cenas como a do menino que mergulhava no canal para catar lixo para vender. Isso sem falar nos jovens, que ganhariam uma perspectiva de futuro promissor.

O Santa tem assim uma chance imperdível de tornar o canal vizinho um exemplo de promoção da cidadania, da consciência socioambiental, da redenção social e da responsabilidade institucional, desassociando o curso d’água da sua atual ligação com poluição e pobreza e respondendo com classe às gozações vindas dos torcedores dos times adversários.

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